Seleção Caminhos (2018)

O Cine­ma, e o seu visionamento,foi des­de sem­pre um fenó­me­no soci­al , um pro­dí­gio depen­den­te do movi­men­to exte­ri­or num pro­ces­so isó­cro­no ao rit­mo inte­ri­or. Den­tro de nós (ima­gi­na­ção e sonho) tudo é movi­men­to, asso­ci­a­do a um pro­fun­do e ínti­mo dese­jo de pro­du­zir e liber­tar essa afluên­cia emo­ci­o­nal e visu­al ao encon­tro da catar­se. No fun­do pre­ten­de­mos liber­tar-nos dos limi­tes físi­cos da nos­sa con­di­ção mate­ri­al, apre­sen­tan­do-se o Cine­ma como o méto­do de uma outra for­ma de exis­tir, de ver sonhos, de conhe­cer mun­dos inte­ri­o­res e via­jar para os exte­ri­o­res.

A vida é um géne­ro de orques­tra de for­mas e rit­mos, de his­tó­ria e metahis­tó­ria, ten­do o espec­ta­dor a gran­de tela para con­ci­li­ar (ou até desas­sos­se­gar) aqui­lo que con­sen­su­al­men­te con­si­de­ra garan­ti­do, autên­ti­co ou com uma estra­nha con­vic­ção de obri­ga­to­ri­e­da­de. Este rit­mo cine­má­ti­co, que ape­nas se cria se o vemos, for­ne­ce uma visão abran­gen­te do que são os múl­ti­plos mun­dos dos nos­sos auto­res cine­ma­to­grá­fi­cos e, em últi­ma ins­tân­cia, vão res­pon­den­do a Bazin (que impôs gran­de­za dos auto­res ciné­fi­los) sobre aqui­lo que será cine­ma.

Ao absor­ver a aten­ção do espec­ta­dor o fil­me subs­ti­tui o seu rit­mo pri­va­do, abra­çan­do-o e à sua velo­ci­da­de, entran­do em cada um e dan­do vida à obra que sai da tela direc­ta­men­te para as dis­cus­sões, espe­cu­la­ções e até à crí­ti­ca. Tem sido fun­ção da “Selec­ção Cami­nhos” em par­ti­cu­lar, e do nos­so fes­ti­val em geral, divul­gar o melhor do que é pro­du­zi­do em Por­tu­gal, dan­do voz e ima­gem a todos os que ali­men­tam a cha­ma da cri­a­ti­vi­da­de des­ta arte.

A con­di­ção de pro­gra­ma­dor dos Cami­nhos, cha­ma­mos con­di­ção por envol­ver um con­tex­to e noção de uma con­jec­tu­ra actu­al cons­tan­te, impli­ca o sobre­por da razão geral à como­ção indi­vi­du­al, da con­cep­ção ampla ao gos­to pes­so­al. O impor­tan­te é levar o espec­ta­dor à sala, ape­lar ao seu gos­to indi­vi­du­al que – segun­do Bénard da Cors­ta – tem de ser ins­truí­do por uma peda­go­gia cine­ma­to­grá­fi­ca e por ganho de pra­zer e cons­ci­ên­cia artís­ti­ca. Para nós res­ta-nos o gos­to de mos­trar e fazer gos­tar, não sen­do esses sen­ti­men­tos meno­res!

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