Arquivo da Categoria: Cinema Português

Extensão Traça – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares

O Centro de Estudos Cinematográficos em conjunto com o Arquivo Municipal de Lisboa promovem uma extensão da mostra de cinema familiar TRAÇA em Coimbra nos próximos dias 24, 31 de Maio e 7 de Junho.

A TRAÇA é uma Mostra de Filmes de Arquivos Familiares que tem como objectivo dar a conhecer os filmes amadores, caseiros, oriundos de arquivos familiares. São filmes misteriosos, muitos deles de origem incerta, muito puros e directos, que permitem acompanhar, através de histórias íntimas, a história da cidade ou do país.

Em rigor não podemos afirmar que nos recordamos de ter sido, ter feito, existido apenas mas sempre de ter sido de ter feito ou ter existido num determinado lugar. As memórias não funcionam independentemente das vivências, materiais e imateriais, havendo um contexto, um meio espacial, em cada uma das memórias. Pela câmera o cinema comunica uma forma de olhar o mundo e uma recriação da realidade vivida ou imaginada, que pela fenomenologia do lugar nos remete para a ideia da presença do corpo nesse espaço. As relações interpessoais ou familiares e as relações com os lugares são objectos presentes na nossa memória e são frutos de uma experiência colectiva a partir da qual colocamos o corpo no espaço. Da mesma forma o espaço responde ao imemorial do corpo pela forma como a arquitectura molda e condiciona a acção dos corpos, mas que sobretudo nos dão formas de segurar, ou relacionar, o espaço à memória.

Num conjunto de várias exibições temáticas pretendemos exibir e discutir, de que forma a partilha e a recriação de memórias tão pessoais quanto as memórias familiares são possíveis de partilhar através da sétima arte.

Em todas as suas edições a TRAÇA tem um formato diferente sem esquecer o seu carácter experimental, convidando, a cada ano, uma série de criadores a trabalhar e produzir objectos novos a partir das obras existentes no arquivo municipal de Lisboa | videoteca, bem como exibindo estes filmes no seu estado bruto.

Programa

24, 31 de Maio e 7 de Junho
Mini-Auditório Salgado Zenha
Entrada Livre


Apresentação do Ciclo por Luís Umbelino | 24 de Maio

[one_half]LuisUmbelino-460x563[/one_half] [one_half_last]Licenciado em Filosofia (1994), Mestre em Filosofia Contemporânea (2000) e Doutorado em Letras – Filosofia Moderna e Contemporânea (2008) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, instituição onde é Professor Auxiliar. É investigador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra. Publica regularmente em Portugal e no estrangeiro sobre o horizonte da tradição reflexiva francesa, da fenomenologia francesa e da hermenêutica filosófica e interessa-se particularmente pelas temáticas da corporeidade e do espaço.[/one_half_last]
PIN000039-CatarinaAlvesCosta
[one_half] sem título | 8’ | 2015
REALIZAÇÃO: Catarina Alves Costa
MONTAGEM: Pedro Duarte
PRODUÇÃO: AML-Videoteca e Fitas na Rua/EGEAC [/one_half] [one_half_last]Catarina Alves Costa descobre, nos filmes de família que recebeu, inesperados espaços em branco, momentos que escapam à pose, acasos. Articula-os. Daí resulta um filme misterioso – justamente sem título – que explora com subtileza e curiosidade a abertura do sentido, característica destes filmes, que é também, em grande medida, a sua força. [/one_half_last]


PIN000047-EdgarPêra
[one_half] sem título | 11’ | 2015
REALIZAÇÃO: Edgar Pêra
PÓS- PRODUÇÃO 2D: Cláudio Vasques
No som, excerto do filme 25Abril, Uma Aventura Para a Democracya, de Edgar Pêra
PRODUÇÃO: AML- Videoteca e Fitas na Rua/EGEAC [/one_half] [one_half_last]Projeção nos filmes de família em bruto – praia, parque de campismo, passeios, Natais felizes, as ruas de Lisboa,murais espalhados pelo país – de imagens (também sonoras) da Revolução. Edgar Pêra contrapõe assim dois arquivos: um que documenta a vida familiar burguesa, outro que acompanha o momento, preciso, da mudança. [/one_half_last]
PIN000046-SusanaNobre
[one_half] sem título | 6’ | 2015
REALIZAÇÃO: Susana Nobre
Com a participação de Maria do Céu Nobre, Susana Nobre e Laura Nobre Afonso
Com excertos de Mère et fille, une correspondance (1913- 1962) de Françoise Dolto (edição Mercur de France)
PRODUÇÃO: AML-Videoteca e Fitas na Rua/ EGEAC [/one_half] [one_half_last]Pontuado e guiado por excertos de uma correspondência entre mãe e filha (de um livro de Françoise Dolto), o filme enche de imagens as palavras trocadas – ou vice-versa. Não há rememoração. Há sim uma troca entre presentes. E emoção na cadência dos intertítulos e no ritmo dos planos de natureza e vida familiar. [/one_half_last]


PIN000038-MargaridaCardoso
[one_half] Sempre Estivemos Aqui | 10’ | 2015
REALIZAÇÃO: Margarida Cardoso
No som, excertos de Lisbon Story (Wim Wenders, 1994), leitura de textos publicados no Diário
de Lisboa, excertos de Love Me, Please Love Me (música de Michel Polnareff, 1967)
PRODUÇÃO: AML-Videoteca e Fitas na Rua/ EGEAC [/one_half] [one_half_last]A leitura de excertos do Diário de Lisboa, com descrições de acontecimentos relacionados com o Zoo, traça a narrativa e o dispositivo: Margarida Cardoso associa datas e acontecimentos marcantes da história portuguesa, à história dos animais encarcerados, testemunhas silenciosas e esquecidas. A associação é aberta, livre, sugere perguntas mais do que propõe respostas. Quem são esses que sempre estiveram aqui? [/one_half_last]


PIN000037-JorgeCramez
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O Prazer de Associar | 6’ | 2015
REALIZAÇÃO: Jorge Cramez e Diogo Allen
PRODUÇÃO: AML- Videoteca e Fitas na Rua/EGEAC [/one_half] [one_half_last]Perante os filmes de família da coleção do AML-Videoteca, Jorge Cramez enceta, com Diogo Allen, um exercício de memória e associação. O filme resulta desse exercício, e a cada plano ou cada sequência, os dois associam outras imagens e ideias, da história e da teoria do cinema. É assim um filme sobre isso: o cinema. [/one_half_last]


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[one_half] Save Project…. | 9’ | 2015
REALIZAÇÃO: José Filipe Costa Com a participação de Paula Diogo e Pedro Lacerda
PRODUÇÃO: AML-Videoteca e Fitas na Rua/EGEAC [/one_half] [one_half_last]Duas pessoas – um homem e uma mulher – em frente ao ecrã de computador. Imagens de origem desconhecida passam na linha de montagem. Os dois comentam o que vêem. Encontram recorrências e relações entre as pessoas que aparecem – estarão nas imagens ou na cabeça de quem vê? Save Project… é um filme sobre o aparecimento da ficção. [/one_half_last]
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[one_half] Mulher Ideal | 9’ | 2015
REALIZAÇÃO: Margarida Leitão
MONTAGEM: Margarida Leitão
SONOPLASTIA: Margarida Leitão, Filipe Fernandes, Dina Ferreira
IMAGEM: João Braz
VOZ: Manuel Mozos e Margarida Leitão
MÚSICA: Filipe da Graça
PRODUÇÃO: AML-Videoteca e Fitas na Rua/EGEAC [/one_half] [one_half_last] Dos filmes de família que recebeu, Margarida Leitão decide acompanhar uma mulher. Das perguntas que faz resulta um filme simultaneamente emocional, onde a voz da realizadora se coloca em cena, tomando o lugar de alguém que olha, de dentro da família, para essa mulher; e um filme crítico, e estranho pela contemporaneidade do retrato que faz – as leituras, por Manuel Mozos, do artigo “Mulher Ideal” publicado na revista Menina e Moça em 1948 soam violentamente familiares. [/one_half_last]

A programação do festival

Os Caminhos Film Festival pretendem mostrar um pouco de todo o cinema, com este intuito programamos diferentes selecções e secções no festival. Para que esteja ao corrente de toda a programação e da sua concepção eis uma pequena descrição:

Selecção Caminhos
A principal secção competitiva do festival. Nesta selecção poderá encontrar as principais obras produzidas em Portugal, desde a edição transacta que estarão em concurso para os principais prémios do festival. Entre eles o Grande Prémio Portugal Sou Eu. A sua opinião também é importante, pois o Público é chamado a expressar-se no final das sessões, votando para o Prémio do Público Chama Amarela.

Selecção Ensaios
A segunda secção competitiva do festival. Reservada aos filmes produzidos em contexto académico, pretende conferir um espaço a todos os realizadores, que em Portugal e a nível Internacional, almejam ser os criadores de amanhã.

Selecção Diásporas
Uma actividade paralela, não competitiva, que procura mostrar diferentes olhares sobre o fenómeno migratório especialmente a partir do contexto português e do cinema de ficção. Seleccionamos várias obras cinematográficas, nacionais e internacionais, exemplificando a diversidade de fluxos migratórios e as razões que levam as pessoas a procurar, longe das suas casas, um futuro e uma vida melhor.

Caminhos Mundiais
Outra actividade paralela, não competitiva, que integrando curtas-metragens, documentários, filmes experimentais, animação e longas metragens, permitirá uma introdução à cinematografia austríaca aos diferentes públicos, mas igualmente um despertar da curiosidade sobre uma outra forma de olhar o mundo.

Caminhos Juniores
Esta actividade paralela, não competitiva, é especial e reservada à captação de um público jovem para o cinema português. Os mais pequenos têm direito a experimentar in loco muitos minutos de pura magia, quiçá pela primeira vez.

Reposição
Perdeu um filme da Selecção Caminhos ou Selecção Ensaios? Eis a oportunidade de ver uma selecção de alguns títulos exibidos em sessões anteriores da programação destas Selecções. Não queremos que tenha desculpas para não ver o melhor de todo o cinema português.

Outras Actividades
Paralelamente não se esqueça que decorrem ainda outras actividades do festival, como o Curso de Cinema – Cinemalogia, o II Simpósio Internacional ‘Fusões no Cinema’ ou a Exposição ‘Anos de Ouro do Cinema Português. Tudo isto de 27 de Novembro a 5 de Dezembro em Coimbra!

5º Curso Cinemalogia

Informamos que se encontram abertas as inscrições para a V edição do Curso de Cinemalogia organizado pelo Festival Caminhos do Cinema Português. Em colaboração com a Universidade Aberta, trata-se de um curso de iniciação à realização cinematográfica ministrado por profissionais do sector. As inscrições para o curso completo decorrem até 20 de novembro e estão limitadas a um máximo de 25 participantes.
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