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Fusões no Cinema · Call for Papers até 30 de Outubro

Os Cami­nhos Film Fes­ti­val e a Uni­ver­si­da­de Aber­ta con­vi­dam-no a sub­me­ter pro­pos­tas de comu­ni­ca­ção, nas seguin­tes linhas temá­ti­cas, Linha 1 – A Fusão das Artes no Cine­ma, Linha 2 – Cine­ma e Tec­no­lo­gia, Linha 3 – Cine­ma, Inves­ti­ga­ção e Edu­ca­ção, ago­ra em pra­zo alar­ga­do até 30 de Outu­bro, no II Sim­pó­sio Inter­na­ci­o­nal Fusões no Cine­ma.
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Call for Movies 21º Caminhos

O fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês está até 25 de Setem­bro a rece­ber ins­cri­ções de fil­mes para selec­ção nas sec­ções com­pe­ti­ti­vas Selec­ção Cami­nhos e Selec­ção Ensai­os. Espe­ra­mos poder mos­trar nova­men­te ao país o que de melhor se pro­duz pro­fis­si­o­nal­men­te ao nível cine­ma­to­grá­fi­co em Por­tu­gal, numa pers­pec­ti­va de mos­trar todo o cine­ma por­tu­guês. Do cine­ma de esco­la aos pro­fis­si­o­nais todos têm direi­to à exi­bi­ção das suas obras num espí­ri­to de comu­nhão com os dife­ren­tes públi­cos.

Regu­la­men­to ofi­ci­al — http://bit.ly/ccp-regulamento
Offi­ci­al Regu­la­ti­ons — http://bit.ly/ccp-official
Regu­la­men­to Selec­ção Cami­nhos — http://bit.ly/ccl-caminhos
Regu­la­men­to Selec­ção Ensai­os (Esco­las de Cine­ma) — http://bit.ly/ccp-ensaios
Regu­la­men­to Selec­ção Ensai­os (Film Scho­ols — English) — http://bit.ly/ccp-essays

As ins­cri­ções decor­rem em www.caminhos.info e simul­ta­ne­a­men­te no Film­Fre­eway em http://filmfreeway.com/festival/Caminhos

20 Anos de Cinema PortuguÊs

Na pró­xi­ma quin­ta-fei­ra, dia 26 de Setem­bro, tem iní­cio o ciclo de Cine­ma ’20 anos de Cine­ma Por­tu­guês’ com a exi­bi­ção do fil­me Ras­gan­ço de Raquel Frei­re segui­do de um deba­te sobre a “Repre­sen­ta­ção do Patri­mó­nio Cul­tu­ral no Cine­ma”.

Ali­cer­ça­do no mote 20 anos do fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês, o Cen­tro de Estu­dos Cinematográficos/AAC sele­ci­o­nou 43 fil­mes que pas­sa­ram ao lon­go das XIX edi­ções do fes­ti­val e que melhor repre­sen­tam as diver­sas ver­ten­tes de cine­ma por­tu­guês.

Des­ta selec­ção fazem par­te fil­mes como O Barão de Edgar Pêra, Sapa­tos Pre­tos e San­gue do meu San­gue de João Cani­jo, Recor­da­ções da Casa Ama­re­la, A comé­dia de Deus e As Bodas de Deus de João César Mon­tei­ro, Um fil­me fala­do de Mano­el de Oli­vei­ra, Embar­go de Antó­nio Fer­rei­ra, Trá­fi­co de João Bote­lho, entre outros.

Este Ciclo de Cine­ma decor­re­rá entre 26 de Setem­bro de 2013 e 5 de Junho de 2014, pelas 22horas, no Mini-audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha, no edi­fí­cio da Asso­ci­a­ção Aca­dé­mi­ca de Coim­bra. A Entra­da é Gra­tui­ta.

Pro­gra­ma

26 de Setem­bro de 2013 O Ras­gan­ço
3 de Outu­bro de 2013 Recor­da­ções da Casa Ama­re­la
10 de Outu­bro de 2013 Pos­fá­cio nas Con­fec­ções Canhão
Vicky & Sam
May­be
Per­di­do e Acha­do
31 de Outu­bro de 2013 Filhos do Tédio
Roc­ku­men­tá­rio
Bre­ve His­tó­ria do Rock de Coim­bra
7 de Novem­bro de 2013 A comé­dia de Deus
14 de Novem­bro de 2013 A Bru­xa de Arroi­os
Balas & Boli­nhos
21 de Novem­bro de 2013 Embar­go
28 de Novem­bro de 2013 O Barão
5 de Dezem­bro de 2013 As Bodas de Deus
12 de Dezem­bro de 2013 Balas & Boli­nhos — O Regres­so
19 de Dezem­bro de 2013 Zé Pim­pão, o Ace­le­ra
O Paci­en­te
A fan­ta­sia
Via­gem a Cabo Ver­de
Gui­sa­do de Gali­nha
O Gigan­te
Kali, o Peque­no Vam­pi­ro
6 de Feve­rei­ro de 2014 O Lugar do Mor­to
13 de Feve­rei­ro de 2014 Aque­le que­ri­do mês de agos­to
20 de Feve­rei­ro de 2014 Dot.com
27 de Feve­rei­ro de 2014 A mor­te do Cine­ma
Ó Marquês vem cá bai­xo outra vez!
6 de Mar­ço de 2014 Ali­ce
13 de Mar­ço de 2014 Uma comé­dia infe­liz
Rupo­fo­bia
Sin­fo­nia dos Lou­cos
Kar­ma
20 de Mar­ço de 2014 Das Tri­pas Cora­ção
27 de Mar­ço de 2014 Trá­fi­co
3 de Abril de 2014 O Sonho de uma noi­te de S. João
10 de Abril de 2014 Lon­ge da Vis­ta
24 de Abril de 2014 Fute­bol de Cau­sas
1 de Maio de 2014 Sapa­tos Pre­tos
22 de Maio de 2014 Balas & Boli­nhos — O últi­mo capí­tu­lo
29 de Maio de 2014 San­gue do meu san­gue
5 de Junho de 2014 Um fil­me fala­do

 

Gaiola Dourada — 2013 ↗

Gai­o­la Dou­ra­da’ (‘La cage dorée’), de Ruben Alves, retra­ta a his­tó­ria de Maria (Rita Blan­co) e José (Joa­quim de Almei­da), um casal por­tu­guês, uma por­tei­ra e um faz-tudo, que há 30 anos emi­grou para Paris em bus­ca de uma vida melhor do pon­to de vis­ta labo­ral e soci­al. Comum a esta bio­gra­fia encon­trar-se-ão uma série de por­tu­gue­ses, que ten­ta­ram pro­cu­rar um tra­ba­lho assa­la­ri­a­do está­vel, aca­ban­do por cons­truir a sua vida nes­sa Fran­ça mul­ti­cul­tu­ral. Maria e José serão, então, uma cari­ca­tu­ra de todos esses casais que nos anos 1970 esca­pa­ram da fúria revo­lu­ci­o­ná­ria, de um país sem­pre à bei­ra do pre­ci­pí­cio, ten­do den­tro de si o espí­ri­to dos egré­gi­os avós, mas filhos assu­mi­da­men­te fran­ce­ses e repug­nan­do toda uma cul­tu­ra da qual se enver­go­nham, no caso Pau­la e Pedro. A pri­mei­ra, noi­va de um fran­cês de gema, o segun­do um ado­les­cen­te que se ten­ta inte­grar no ensi­no secun­dá­rio, onde ser filho de por­tu­guês é moti­vo de crí­ti­ca.

Tudo se alte­ra aquan­do da recep­ção de uma noti­fi­ca­ção suces­só­ria: o irmão de José fale­ce­ra e este pode­rá rece­ber uma avul­ta­da heran­ça, sob a con­di­ção de regres­sar para Por­tu­gal a títu­lo defi­ni­ti­vo. Este é o mote do enre­do: a dia­léc­ti­ca cul­tu­ral este­re­o­ti­pa­da entre Por­tu­gal e Fran­ça.

Aquan­do do iní­cio da publi­ci­da­de de ‘Gai­o­la Dou­ra­da’ com o seu trai­ler, uma coi­sa seria cer­ta: tra­tar-se-ia de uma fil­me sobre cha­vões e luga­res-comuns. O gol­pe de suces­so esta­va tam­bém anun­ci­a­do, pois a sua estreia fora mar­ca­da para iní­cio de Agos­to, altu­ra em que Por­tu­gal rece­be de bra­ços aber­tos os seus emi­gran­tes que facil­men­te se iden­ti­fi­cam com tal obra, rin­do-se de si pró­pri­os sem saber.

Este fil­me dá-nos a opor­tu­ni­da­de de olhar a comu­ni­da­de de emi­gran­tes de um pon­to de vis­ta mui­to espe­ci­al, que é o deles mes­mos. Porém, aqui­lo que pen­sa­mos que é um fil­me sobre luga­res-comum tor­na-se, em si mes­mo, um lugar-comum. Lamen­ta­vel­men­te não con­se­gue ser aqui­lo que pre­ten­de, não che­ga a ser uma abor­da­gem sobre a comu­ni­da­de emi­gran­te, não che­ga a ser uma comé­dia ori­gi­nal, não é um fil­me tipi­ca­men­te por­tu­guês, nem fran­cês. Arris­co dizer que é um fil­me de linhas ame­ri­ca­nas ‘à comé­dia român­ti­ca’ sobre por­tu­gue­ses a faze­rem-se pas­sar por fran­ce­ses. Cla­ro que se des­ta­ca­rá sem­pre o papel de Rita Blan­co, que nos leva a crer que o fil­me ain­da vale­rá o sacri­fí­cio de assis­tir aos res­tan­tes acto­res ter­ri­vel­men­te mal diri­gi­dos. A ban­da sono­ra tam­bém se des­ta­ca pela posi­ti­va, do iní­cio até ao seu final enfa­do­nho.

Exis­tem uma série de obras cine­ma­to­grá­fi­cas que abor­dam luga­res-comuns, mas sem caí­rem no ridí­cu­lo de se tor­na­rem num. Os retra­tos soci­ais, sejam eles séri­os (vide ‘This Is England’, de Sha­ne Mea­dows, ou mes­mo ‘Kids’ de Lar­ry Clark) ou com uma cono­ta­ção mais cómi­ca e assu­mi­da­men­te comer­ci­al (‘Almost Famous’ de Came­ron Crow), são difí­ceis de abor­dar. Mas have­rá sem­pre espa­ço para fil­mes de verão sobre emi­gran­tes como estes, que farão coin­ci­dir com os out­do­ors das ins­ti­tui­ções ban­cá­ri­as, tam­bém eles a rece­ber o dinhei­ro des­ses nos­sos fieis heróis do mar, com pala­dar a baca­lhau e sau­da­de des­ta nação valen­te.

O que fran­ca­men­te se deve reco­nhe­cer des­te fil­me é que tem leva­do por­tu­gue­ses a ver cine­ma por­tu­guês, inde­pen­den­te­men­te da qua­li­da­de dis­cu­tí­vel do mes­mo. E isso é admi­rá­vel.

J.R.P.

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