Brothers – Entre Irmãos – 2009

Tommy, Grace, Sam. Brothers apresenta-nos três personagens de uma tradicional família americana de fortes contrastes. Sam (Jake Gyllenhall) é um militar louvado que está prestes a partir para o Afeganistão. Grace (Natalie Portman) é a esposa de Sam, com as suas duas filhas, Isabelle e Grace, vê partir o seu marido para uma missão militar, ao passo que nos é apresentado Tommy (Tobey Maguire, nomeado para um globo de ouro). Tommy é o irmão de Sam acabado de sair em liberdade condicional, solteirão e irresponsável. É uma família de contrastes, moldada pela guerra do Vietnam, onde o pai de ambos lutou pelos interesses americanos, com as repercussões clássicas dos traumas de guerra descarregados em ambiente familiar desenvolvendo-se as diferenças que existem entre Sam e Tommy. Este é o mote de Brothers, os lados e os contrastes de cada família e a capacidade de nos desconstruirmos e renascermos.

Introduzindo um pouco narrativa deste filme, Sam parte para o Afeganistão em missão militar pouco após o regresso de Tommy à sociedade. Tommy é visto como um boémio que nada lhe interessa, até que sucede uma tragédia que afecta toda a família, a queda do helicóptero de Sam, onde todos os “marines” são dados como mortos. Toda a família sofre com a perca de Sam, mas esta é a deixa de Tommy para ressuscitar e se mostrar como elemento central e reunificador de uma família destroçada por tamanha efeméride. Tommy ajuda a sua cunhada, a superar as dificuldades em casa, remodelando a cozinha e simultaneamente aproximando-se de Grace, até ao momento que se beijam. Tommy passa a ser o elemento que introduz alegria e vida à narrativa nesta altura, ao contrário do que sucedia no inicio desta longa-metragem ainda que não seja a expressividade deste que muda, mas sim todas as reacções das personagens perante ele. Sam por outro lado, é novamente introduzido como um prisioneiro de guerra juntamente com o seu conterrâneo Joe Willis (Patrick Flueger) onde sofrem as represálias de um grupo talibã até que Sam é forçado a trair o seu país e a si mesmo. As cenas no Afeganistão contem uma forte carga dramática muito presente na fotografia do filme, tornando-o denso, tal e qual o espírito da personagem. Esta traição leva Sam a constantemente procurar a traição em todos os elementos da sua família, que em ciúmes do seu irmão, não suporta toda a dinâmica que ele conseguiu criar numa família onde ele já não se encontra inserido psicologicamente.

Natalie Portman e Jake Gyllenhall em Brothers (2009)

Do ponto de vista técnico, Jim Sheridan apresenta-nos um remake de Brødre (Susane Bier, 2004), um filme dinamarquês, um filme sobre os traumas psicológicos e as consequências que os conflitos militares têm sobre os soldados e suas famílias. Não conseguindo superar a criatividade do filme original, também não se apresenta como um mau remake, sendo notória a sensibilidade visual ao longo do filme. A fotografia de Frederick Elmes é congruente com os estados de espírito das personagens, sendo trabalhada ao detalhe. Exemplos disso são as cenas em que a relação de Tommy e Grace é frutuosa, estabelecendo-se uma imagem vibrante e suave e também as cenas no Afeganistão, em que o detalhe de uma imagem áspera, pouco saturada nos relega para a frieza do conflito armado e dos instintos básicos do ser humano enquanto animal. A excelente banda sonora de Thomas Newman estabelece um excelente paralelo com o visual ao longo desta narrativa, acompanhando todo o dramatismo existente de forma congruente, colocando a trilha composta com a colaboração de Bono (Winter), como a cereja em cima de um bolo. Toda a soma dos actos de Sam após o seu regresso acaba num grande ecran preto musicado, deixando o espectador reflectir sobre a obra cinematográfica.

7.6/10

Cineasta francês Claude Chabrol faleceu aos 80 anos

O cineasta francês Claude Chabrol, faleceu hoje, em Paris, aos 80 anos. Em declarações à Lusa a actriz e realizadora Inês de Medeiros lembra um homem que “tinha um amor absoluto pela vida e pelo cinema”.
“Para mim ele representa sobretudo o amor absoluto pelo cinema. Tinha uma necessidade absoluta de filmar, de retratar uma certa sociedade”, apontou, a propósito do desaparecimento desta importante figura da Nouvelle Vague francesa, a par de realizadores como François Truffaut e Jean-Luc Godard.Inês de Medeiros destacou a “vasta obra” deixada por Claude Chabrol e também o facto do cineasta se ter especializado em temáticas muito próprias, como a da crueldade no seio familiar, e nos meios sociais mais fechados”.

“Ele era também um bon vivant, gostava de comer bem e de beber bem. Amava tanto a vida como o cinema”, descreveu a autora do documentário “Cartas a uma ditadura” (2006).

Inês de Medeiros realçou igualmente o “trabalho extraordinário” de Claude Chabrol com algumas actrizes, dando o exemplo de Isabelle Huppert, com quem trabalhou muito no final da vida, em filmes como “La Céremonie”, onde contracena com a actriz francesa Sandrine Bonnaire.

Destacou ainda a importância do realizador nascido em Paris, a 24 de Julho de 1930, no quadro do movimento da Nouvelle Vague, “mas com um trabalho numa vertente mais romanesca”.

Sobre as influências de Chabrol no cinema português, Inês de Medeiros avaliou que “é perceptível” em realizadores como Fernando Lopes, “num certo olhar sobre a média e alta burguesia e até os segredos familiares”.

Claude Chabrol realizou, entre outros, no início da carreira, nos anos 1950, “Le Beau Serge”, “Les Cousins”, “À Double Tour”, e na última década “A Dama de Honra”, “A Comédia do Poder” e “A Rapariga cortada em dois”.

Satirista incansável

Apreciador da boa cozinha, de personagens “monstruosos” e de literatura, Chabrol simboliza “o cinema à francesa”, ao mesmo tempo psicológico e social, quase sempre com uma marca sarcástica.

“A sua vasta obra, cheia de ironia, disseca sem concessões, por vezes com crueza e ferocidade, as zonas mais obscuras e abjectas da alma humana, mas também o desespero dos seres humanos apanhados pela fatalidade e aprisionados nos jogos de poder”, disse sobre ele Véronique Cayla, presidente do Centro Nacional do Cinema, em Paris.

Em muitos dos seus filmes, fez incursões pela província, usando uma crueza irónica para descrever os escândalos e segredos de família, denunciando a hipocrisia destinada a preservar a respeitabilidade de fachada.

Para o ministro da cultura francês, Frédéric Mitterrand, Chabrol era “um analista subtil e feroz”, dotado de um “olhar ao mesmo tempo malicioso e fulminante”. “Era um inconformista por excelência, um mestre da ironia”, disse.

Um seu predecessor no governo francês, Jack Lang, descreveu-o assim: “Ninguém melhor do que ele soube encenar a hipocrisia de uma certa burguesia”.

Apesar de os filmes de Claude Chabrol terem conhecido um grande sucesso entre o público, não foi muito recompensado ao longo da carreira, excepto por um Urso de Ouro atribuído em Berlim em 1959 pelo filme “Les Cousins”, o prémio Jean Vigo, e o Grande Prémio do Festival de Locarno, por “Le Beau Serge” (1957).

Esta última película foi a primeira que assinou e a que teve alguma importância para o surgimento da Nouvelle Vague.

Cineasta português ganha mostra no Rio de Janeiro

Pedro CostaO Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) realiza, entre os dias 11 e 23 de setembro, a mostra O Cinema de Pedro Costa, uma retrospectiva sobre o maior nome do novo cinema português.

A mostra apresentará os dez filmes – 7 longas e 3 curtas – de Pedro Costa e outros quatro filmes escolhidos pelo diretor por terem influenciado sua obra, entre eles Gente da Sicília, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, e Beauty #2, de Andy Warhol.

Serão exibidos os filmes: O Sangue, Casa de Lava, Ossos, No Quarto de Vanda, Onde Jaz o teu Sorriso?, 6 Bagatelas, Juventude em Marcha, A Caça ao Coelho com Pau, Ne Change Rien, O Estado do Mundo e Roflorecer.

O diretor virá ao Rio de Janeiro para a retrospectiva de sua obra e conversará com o público na sexta-feira, 17 de setembros, às 20h, após a sessão de Juventude em Marcha.

O Cinema de Pedro Costa, que tem apoio do Instituto Camões e curadoria de Daniel Ribeiro Duarte, também acontecerá em São Paulo (de 1º a 12 de setembro) e Brasília (14 a 26 de setembro).
Fonte: Adoro Cinema – Assessoria

“Meu Querido Mês de Agosto” exibido em Nova Iorque

O filme «Aquele Querido Mês de Agosto», do cineasta português Miguel Gomes, estreou este mês em Nova Iorque, depois de ter recebido vários elogios na imprensa nova-iorquina que o considerou um inovador “pós-documentário”. A 17 de Setembro será exibido em Boston, no Harvard Film Archives, juntamente com outros filmes de Miguel Gomes.

Na edição da semana passada da revista «The New Yorker», o crítico Richard Brody descreve a segunda longa-metragem de Miguel Gomes como “distintamente moderna, com um populismo sincero e clarividente”. “A sua paciência e atenção terna aos hábitos, tradições e saber misturam-se com uma sociologia da migração e da xenofobia e um olhar de gravurista para a paisagem circundante”, escreveu a «New Yorker».
Também o suplemento de artes do jornal «New York Times» dedicou uma página aos “pós-documentários” de Gomes e outros realizadores dentro do mesmo género, como C.W. Winter. “Aquele Querido Mês de Agosto é ao mesmo tempo um musical, um diário de bordo, um melodrama familiar quase incestuoso, um retrato etnográfico das tradições populares portuguesas e das suas próprias sua própria produção caótica”, refere o artigo de Dennis Lim.
A 17 de Setembro o filme será exibido mais a norte, em Boston, no Harvard Film Archives, juntamente com outros filmes de Miguel Gomes, como «A Cara Que Mereces» e «Entretanto». Para este ciclo na cinemateca de Harvard, chamado “A Imaginação Musical de Miguel Gomes”, está anunciada a presença do jovem realizador, nascido em 1972, que irá dar uma “master class”.
O director da cinemateca, Haden Guest, afirma que Gomes é “um dos realizadores mais brilhantemente inovadores dentro do género pós-documentário”.
“Nos últimos anos, Portugal reapareceu como um estimulante novo destino no cambiante e sempre imprevisível mapa do cinema mundial, um importante centro de algumas das correntes mais inovadoras dentro da realização contemporânea”, refere. Juntamente com Pedro Costa e João Pedro Rodrigues, adianta, estão a explorar a tradição portuguesa de “cinema radical”, como antes o fizeram Paulo Rocha ou João César Monteiro, que recentemente foi alvo de um ciclo em Boston em Nova Iorque.
Gomes foi crítico de cinema, antes de dirigir uma série de curtas-metragens. «Aquele Querido Mês de Agosto», rodado na aldeia de Arganil, combina a história ficcionada de uma família de músicos com um documentário sobre os festivais de verão de música popular e outros hábitos da região, e ainda com um relato das dificuldades de produção do filme.
“No coração de Portugal, serrano, o mês de Agosto multiplica os populares e as actividades. Regressam à terra, lançam foguetes, controlam fogos, cantam karaoke, atiram-se da ponte, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos. Se o realizador e a equipa do filme tivessem ido directamente ao assunto, resistindo aos bailaricos, reduzir-se-ia a sinopse: «Aquele Querido Mês de Agosto acompanha as relações sentimentais entre pai, filha e o primo desta, músicos numa banda de baile»”, lê-se na sinopse do filme.

fonte

Caminhos do Cinema Português

design Marta Lousada
Cartaz da XVII Edição do Festival Caminhos Cinema Português

De 14 a 23 Novembro 2010, o Centro de Estudos Cinematográficos, em parceria com a Associação de Artes Cinematográficas de Coimbra, apresenta a XVII.ª Edição do Festival Caminhos do Cinema Português. Toda a  produção anual portuguesa terá uma retrospectiva, onde serão premiados os melhores intervenientes da sétima arte nacional na Secção Competitiva. As escolas de cinema terão o seu próprio espaço de exibição dentro da secção ensaios visuais. Os caminhos juniores darão a conhecer o que de melhor se faz em cinema juvenil a mais de 2500 crianças do concelho de Coimbra. Haverá ainda espaço para as secções formativas, com workshops com os melhores técnicos nacionais de cinema, caminhos do cinema europeu e ainda outras surpresas que apenas iremos revelar com o avançar do tempo. Não percas pitada em www.caminhos.info. De 14 a 23 Novembro, Coimbra é a capital do cinema português.

Cineclube Universitário de Coimbra