20 Anos de Cinema PortuguÊs

Na pró­xi­ma quin­ta-fei­ra, dia 26 de Setem­bro, tem iní­cio o ciclo de Cine­ma ’20 anos de Cine­ma Por­tu­guês’ com a exi­bi­ção do fil­me Ras­gan­ço de Raquel Frei­re segui­do de um deba­te sobre a “Repre­sen­ta­ção do Patri­mó­nio Cul­tu­ral no Cine­ma”.

Ali­cer­ça­do no mote 20 anos do fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês, o Cen­tro de Estu­dos Cinematográficos/AAC sele­ci­o­nou 43 fil­mes que pas­sa­ram ao lon­go das XIX edi­ções do fes­ti­val e que melhor repre­sen­tam as diver­sas ver­ten­tes de cine­ma por­tu­guês.

Des­ta selec­ção fazem par­te fil­mes como O Barão de Edgar Pêra, Sapa­tos Pre­tos e San­gue do meu San­gue de João Cani­jo, Recor­da­ções da Casa Ama­re­la, A comé­dia de Deus e As Bodas de Deus de João César Mon­tei­ro, Um fil­me fala­do de Mano­el de Oli­vei­ra, Embar­go de Antó­nio Fer­rei­ra, Trá­fi­co de João Bote­lho, entre outros.

Este Ciclo de Cine­ma decor­re­rá entre 26 de Setem­bro de 2013 e 5 de Junho de 2014, pelas 22horas, no Mini-audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha, no edi­fí­cio da Asso­ci­a­ção Aca­dé­mi­ca de Coim­bra. A Entra­da é Gra­tui­ta.

Pro­gra­ma

26 de Setem­bro de 2013 O Ras­gan­ço
3 de Outu­bro de 2013 Recor­da­ções da Casa Ama­re­la
10 de Outu­bro de 2013 Pos­fá­cio nas Con­fec­ções Canhão
Vicky & Sam
May­be
Per­di­do e Acha­do
31 de Outu­bro de 2013 Filhos do Tédio
Roc­ku­men­tá­rio
Bre­ve His­tó­ria do Rock de Coim­bra
7 de Novem­bro de 2013 A comé­dia de Deus
14 de Novem­bro de 2013 A Bru­xa de Arroi­os
Balas & Boli­nhos
21 de Novem­bro de 2013 Embar­go
28 de Novem­bro de 2013 O Barão
5 de Dezem­bro de 2013 As Bodas de Deus
12 de Dezem­bro de 2013 Balas & Boli­nhos — O Regres­so
19 de Dezem­bro de 2013 Zé Pim­pão, o Ace­le­ra
O Paci­en­te
A fan­ta­sia
Via­gem a Cabo Ver­de
Gui­sa­do de Gali­nha
O Gigan­te
Kali, o Peque­no Vam­pi­ro
6 de Feve­rei­ro de 2014 O Lugar do Mor­to
13 de Feve­rei­ro de 2014 Aque­le que­ri­do mês de agos­to
20 de Feve­rei­ro de 2014 Dot.com
27 de Feve­rei­ro de 2014 A mor­te do Cine­ma
Ó Marquês vem cá bai­xo outra vez!
6 de Mar­ço de 2014 Ali­ce
13 de Mar­ço de 2014 Uma comé­dia infe­liz
Rupo­fo­bia
Sin­fo­nia dos Lou­cos
Kar­ma
20 de Mar­ço de 2014 Das Tri­pas Cora­ção
27 de Mar­ço de 2014 Trá­fi­co
3 de Abril de 2014 O Sonho de uma noi­te de S. João
10 de Abril de 2014 Lon­ge da Vis­ta
24 de Abril de 2014 Fute­bol de Cau­sas
1 de Maio de 2014 Sapa­tos Pre­tos
22 de Maio de 2014 Balas & Boli­nhos — O últi­mo capí­tu­lo
29 de Maio de 2014 San­gue do meu san­gue
5 de Junho de 2014 Um fil­me fala­do

 

12th INTERNATIONAL COLLOQUIUM ON NONPROFIT, SOCIAL, ARTS AND HERITAGE MARKETING

O Cen­tro de Estu­dos Cine­ma­to­grá­fi­cos tem apos­ta­do ao lon­go dos últi­mos dez anos na cres­cen­te valo­ri­za­ção qua­li­ta­ti­va dos even­tos que pro­mo­ve e na qua­li­fi­ca­ção dos seus qua­dros. Atra­vés dos Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês e do Cine­ma­lo­gia afir­mou-se uma peque­na orga­ni­za­ção, com redu­zi­dís­si­mos recur­sos, capaz de atin­gir a exce­lên­cia no que toca ao estu­do, exibição,formação e pro­mo­ção da Cine­ma­to­gra­fia Naci­o­nal.

Resul­ta­do do tra­ba­lho con­tí­nuo ao lon­go de dife­ren­tes direc­ções o CEC pôde cres­cer e qua­li­fi­car-se ao par­ti­ci­par em inú­me­ras acções de for­ma­ção e afir­mar-se como um Cen­tro de Estu­dos e de pro­du­ção do conhe­ci­men­to ao inves­ti­gar e publi­car arti­gos em Con­fe­rên­ci­as Inter­na­ci­o­nais. Em Setem­bro de 2013 foi selec­ci­o­na­da, de entre pro­pos­tas de todo o mun­do, a comu­ni­ca­ção “Arts Bran­ding on Film Fes­ti­vals — The Case of Cami­nhos” por Tia­go San­tos e Vítor Fer­rei­ra para a 12th Inter­na­ti­o­nal Col­lo­quium on Non­pro­fit, Soci­al, Arts and Heri­ta­ge Mar­ke­ting na Heri­ot-Watt Uni­ver­sity da cida­de de Edim­bur­go, Escó­cia.

A comu­ni­ca­ção inci­diu sobre ases­tra­té­gi­as de mar­ca, comu­ni­ca­ção e design apli­ca­das ao lon­go das últi­mas cin­do edi­ções do fes­ti­val, as nos­sa­sop­ções e expe­ri­ên­ci­as e os resul­ta­dos prá­ti­cos obti­dos qua­li­ta­ti­va­men­te e quan­ti­ta­ti­va­men­te. Encon­tra­mo-nos de momen­to a ence­tar todos os esfor­ços­pa­ra a publi­ca­ção da comu­ni­ca­ção em revis­ta.

Cinemalogia 3 — Da Ideia ao Filme

O Cine­ma ou 7ª arte, como é por mui­tos ape­li­da­da, con­se­gue inter­li­gar téc­ni­cas e for­mas de expres­são de diver­sas artes ante­ri­o­res, o cine­ma ou “ima­gem em movi­men­to”, cons­ti­tui pois uma das mani­fes­ta­ções artís­ti­ca mais expres­si­vas, mas tam­bém das mais exi­gen­tes do pon­to de vis­ta cri­a­ti­vo, pre­ci­sa­men­te por exi­gir o domí­nio de um sem núme­ro de conhe­ci­men­tos téc­ni­cos e artís­ti­cos e o desen­vol­vi­men­to de todo um con­jun­to de com­pe­tên­ci­as espe­cí­fi­cas.

O fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês tem colo­ca­do as suas ofer­tas for­ma­ti­vas des­ti­na­das ao públi­co em geral sob a for­ma de workshops inde­pen­den­tes, mos­tran­do como pro­du­zir e rea­li­zar dife­ren­tes está­gi­os e téc­ni­cas cine­ma­to­grá­fi­cas. Da nos­sa expe­ri­ên­cia pega­gó­gi­ca, sen­ti­mos a neces­si­da­de de alar­gar essa for­ma­ção fora da sema­na do fes­ti­val, sur­gin­do assim o cur­so Cine­ma­lo­gia – Da Ideia ao Fil­me.

O cur­so Cine­ma­lo­gia pre­ten­de ser um cur­so de ini­ci­a­ção à rea­li­za­ção cine­ma­to­grá­fi­ca, trans­mi­tin­do os prin­ci­pais conhe­ci­men­tos e desen­vol­ver as prin­ci­pais com­pe­tên­ci­as, quer do pon­to de vis­ta téc­ni­co, quer artís­ti­co, neces­sá­ri­os à rea­li­za­ção de um pro­jec­to cine­ma­to­grá­fi­co, des­de a con­cep­ção e desen­vol­vi­men­to de uma ideia de fic­ção ori­gi­nal à sua exi­bi­ção numa sala de cine­ma, habi­li­tan­do os for­man­dos a pro­du­zi­rem uma cur­ta-metra­gem, usan­do os conhe­ci­men­tos de pro­du­ção de vídeo digi­tal con­se­gui­dos ao lon­go da for­ma­ção.

Nes­ta edi­ção, o Cine­ma­lo­gia 3 rea­fir­ma a for­ma­ção como cri­a­ção artís­ti­ca, capaz de habi­li­tar os for­man­dos para o exer­cí­cio de fun­ções de exe­cu­ção téc­ni­ca e artís­ti­ca de obje­tos cine­ma­to­grá­fi­cos e audi­o­vi­su­ais e dan­do a pos­si­bi­li­da­de de pas­sar da teo­ria para a prá­ti­ca, inter­vin­do de for­ma arti­cu­la­da no cam­po da auto­ria e da dire­ção artís­ti­ca por for­ma ao lon­go do cur­so desen­vol­ver um pro­jec­to con­jun­to.

O cur­so tem a dura­ção de 304 horas de for­ma­ção divi­di­do em qua­tro eta­pas:
Pré-Pro­du­ção

Data Módu­lo Total de Horas
30 de Novem­bro de 2013 His­tó­ria do Cine­ma 8
1 de Dezem­bro de 2013 Intro­du­ção à lin­gua­gem cine­ma­to­grá­fi­ca 8
7 e 8 de Dezem­bro de 2013 Argu­men­to  I  — Enqua­dra­men­to Teó­ri­co 16
14 de Dezem­bro de 2013 Equi­pas, Car­gos Téc­ni­cos e Artís­ti­cos 8
15 de Dezem­bro de 2013 Finan­ci­a­men­to & Aspec­tos Legais 8

Roda­gem

Data Módu­lo Total de Horas
15 de Feve­rei­ro de 2014 Cine­ma Docu­men­tal — Abor­da­gens 8
16 de Feve­rei­ro de 2014 Intro­du­ção à crí­ti­ca de cine­ma 8
22 e 23 de Feve­rei­ro de 2014 Pré-Pro­du­ção 16
8 de Mar­ço de 2014 Direc­ção de Arte 8
9 de Mar­ço de 2014 Direc­ção de Som 1 — Teo­ria 8
15, 16 e 22 de Mar­ço de 2014 Direc­ção de Foto­gra­fia 24
29 e 30 de Mar­ço de 2014 Direc­ção de Acto­res 16
5 e 6 de Abril de 2014 Rea­li­za­ção 1 — Pla­ne­a­men­to
e Mei­os
de Pro­du­ção
16
12 a 16 de Abril de 2014 Rea­li­za­ção 2 — Roda­gem 40

 

Pós-Pro­du­ção

 

Data Módu­lo Total de Horas
25 de Abril de 2014 Mon­ta­gem — Teo­ria 8
26, 27 de Abril e 1 de Maio de 2014 Edi­ção de Som & Ima­gem 24
3 e 4 de Maio de 2014 Direc­ção de Foto­gra­fia 2 — Pós-Pro­du­ção 16
24  de Maio de 2014 Design de Títu­los 8
25 de Maio de 2014 Direc­ção de Som 2 — Com­po­si­ção Musi­cal 8
31 de Maio e 1 de Junho de 2014 Direc­ção de Som 3 — Mis­tu­ras Finais 16

Pro­mo­ção e Dis­tri­bui­ção

 

Data Módu­lo Total de Horas
7 de Junho de 2014 Pro­mo­ção e Comer­ci­a­li­za­ção 8
8 de Junho de 2014 Pro­jec­ção Cine­ma­to­grá­fi­ca 8

Ins­cri­ções dis­po­ní­veis aqui.

Gaiola Dourada — 2013 ↗

Gai­o­la Dou­ra­da’ (‘La cage dorée’), de Ruben Alves, retra­ta a his­tó­ria de Maria (Rita Blan­co) e José (Joa­quim de Almei­da), um casal por­tu­guês, uma por­tei­ra e um faz-tudo, que há 30 anos emi­grou para Paris em bus­ca de uma vida melhor do pon­to de vis­ta labo­ral e soci­al. Comum a esta bio­gra­fia encon­trar-se-ão uma série de por­tu­gue­ses, que ten­ta­ram pro­cu­rar um tra­ba­lho assa­la­ri­a­do está­vel, aca­ban­do por cons­truir a sua vida nes­sa Fran­ça mul­ti­cul­tu­ral. Maria e José serão, então, uma cari­ca­tu­ra de todos esses casais que nos anos 1970 esca­pa­ram da fúria revo­lu­ci­o­ná­ria, de um país sem­pre à bei­ra do pre­ci­pí­cio, ten­do den­tro de si o espí­ri­to dos egré­gi­os avós, mas filhos assu­mi­da­men­te fran­ce­ses e repug­nan­do toda uma cul­tu­ra da qual se enver­go­nham, no caso Pau­la e Pedro. A pri­mei­ra, noi­va de um fran­cês de gema, o segun­do um ado­les­cen­te que se ten­ta inte­grar no ensi­no secun­dá­rio, onde ser filho de por­tu­guês é moti­vo de crí­ti­ca.

Tudo se alte­ra aquan­do da recep­ção de uma noti­fi­ca­ção suces­só­ria: o irmão de José fale­ce­ra e este pode­rá rece­ber uma avul­ta­da heran­ça, sob a con­di­ção de regres­sar para Por­tu­gal a títu­lo defi­ni­ti­vo. Este é o mote do enre­do: a dia­léc­ti­ca cul­tu­ral este­re­o­ti­pa­da entre Por­tu­gal e Fran­ça.

Aquan­do do iní­cio da publi­ci­da­de de ‘Gai­o­la Dou­ra­da’ com o seu trai­ler, uma coi­sa seria cer­ta: tra­tar-se-ia de uma fil­me sobre cha­vões e luga­res-comuns. O gol­pe de suces­so esta­va tam­bém anun­ci­a­do, pois a sua estreia fora mar­ca­da para iní­cio de Agos­to, altu­ra em que Por­tu­gal rece­be de bra­ços aber­tos os seus emi­gran­tes que facil­men­te se iden­ti­fi­cam com tal obra, rin­do-se de si pró­pri­os sem saber.

Este fil­me dá-nos a opor­tu­ni­da­de de olhar a comu­ni­da­de de emi­gran­tes de um pon­to de vis­ta mui­to espe­ci­al, que é o deles mes­mos. Porém, aqui­lo que pen­sa­mos que é um fil­me sobre luga­res-comum tor­na-se, em si mes­mo, um lugar-comum. Lamen­ta­vel­men­te não con­se­gue ser aqui­lo que pre­ten­de, não che­ga a ser uma abor­da­gem sobre a comu­ni­da­de emi­gran­te, não che­ga a ser uma comé­dia ori­gi­nal, não é um fil­me tipi­ca­men­te por­tu­guês, nem fran­cês. Arris­co dizer que é um fil­me de linhas ame­ri­ca­nas ‘à comé­dia român­ti­ca’ sobre por­tu­gue­ses a faze­rem-se pas­sar por fran­ce­ses. Cla­ro que se des­ta­ca­rá sem­pre o papel de Rita Blan­co, que nos leva a crer que o fil­me ain­da vale­rá o sacri­fí­cio de assis­tir aos res­tan­tes acto­res ter­ri­vel­men­te mal diri­gi­dos. A ban­da sono­ra tam­bém se des­ta­ca pela posi­ti­va, do iní­cio até ao seu final enfa­do­nho.

Exis­tem uma série de obras cine­ma­to­grá­fi­cas que abor­dam luga­res-comuns, mas sem caí­rem no ridí­cu­lo de se tor­na­rem num. Os retra­tos soci­ais, sejam eles séri­os (vide ‘This Is England’, de Sha­ne Mea­dows, ou mes­mo ‘Kids’ de Lar­ry Clark) ou com uma cono­ta­ção mais cómi­ca e assu­mi­da­men­te comer­ci­al (‘Almost Famous’ de Came­ron Crow), são difí­ceis de abor­dar. Mas have­rá sem­pre espa­ço para fil­mes de verão sobre emi­gran­tes como estes, que farão coin­ci­dir com os out­do­ors das ins­ti­tui­ções ban­cá­ri­as, tam­bém eles a rece­ber o dinhei­ro des­ses nos­sos fieis heróis do mar, com pala­dar a baca­lhau e sau­da­de des­ta nação valen­te.

O que fran­ca­men­te se deve reco­nhe­cer des­te fil­me é que tem leva­do por­tu­gue­ses a ver cine­ma por­tu­guês, inde­pen­den­te­men­te da qua­li­da­de dis­cu­tí­vel do mes­mo. E isso é admi­rá­vel.

J.R.P.

↙ (mau) ↗ (razoá­vel) ↗↗ (bom) ↗↗↗ (mui­to bom) ↗↗↗↗ (exce­len­te) ↗↗↗↗↗ (reve­la­ção)

Conferência Internacional de Cinema — Arte, Tecnologia, Comunicação

Mar­ca­mos nova­men­te pre­sen­ça na Con­fe­rên­cia inter­na­ci­o­nal de Cine­ma de Avan­ca. No dia 25 de Julho ire­mos apre­sen­tar o arti­go “Cine­ma Por­tu­guês 2004–2012: qua­li­fi­ca­ção, entre os núme­ros e as suas repre­sen­ta­ções cul­tu­rais e soci­ais” na sala Jimmy Mura­ka­mi com a mode­ra­ção do Pro­fes­sor Dou­tor Car­los Fra­ga­tei­ro da Uni­ver­si­da­de de Avei­ro. O res­tan­te pai­nel será com­ple­ta­do pelas apre­sen­ta­ções de Mário Vaz Almei­da com o tema “O Cine­ma Con­tem­po­râ­neo de Cabo Ver­de” e  Alfon­so Pala­zón Mese­guer com o tema “Pun­to de vis­ta sub­je­ti­vo: la cons­truc­ción del docu­men­tal”.

Con­fir­ma o res­tan­te pro­gra­ma em http://avanca.org/PT/programa.php?diaID=2

Cineclube Universitário de Coimbra