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Ensaio sobre a Cegueira de Fernando Meirelles

Uma iné­di­ta e inex­pli­cá­vel epi­de­mia de ceguei­ra atin­ge uma cida­de. Cha­ma­da de “ceguei­ra bran­ca”, já que as pes­so­as atin­gi­das ape­nas pas­sam a ver uma super­fí­cie lei­to­sa, a doen­ça sur­ge ini­ci­al­men­te em um homem no trân­si­to e, pou­co a pou­co, se espa­lha pelo país. À medi­da que os afe­ta­dos são colo­ca­dos em qua­ren­te­na e os ser­vi­ços ofe­re­ci­dos pelo Esta­do come­çam a falhar as pes­so­as pas­sam a lutar por suas neces­si­da­des bási­cas, expon­do seus ins­tin­tos pri­má­ri­os. Nes­ta situ­a­ção a úni­ca pes­soa que ain­da con­se­gue enxer­gar é a mulher de um médi­co (Juli­an­ne Moo­re), que jun­ta­men­te com um gru­po de inter­nos ten­ta encon­trar a huma­ni­da­de per­di­da.

É exi­bi­do no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha no pró­xi­mo dia 9 de Novem­bro às 22:00. A entra­da é livre.

Introdução Histórica

Fil­ma­do em Toron­to (Cana­dá), São Pau­lo e Osas­co (Bra­sil) e Mon­te­vi­déu no Uru­guai, des­de o prin­ci­pio o dire­tor optou por não focar em que país a his­tó­ria se pas­sa, esta foi uma das exi­gên­ci­as do autor do livro José Sara­ma­go (prê­mio Nobel de lite­ra­tu­ra) ao rotei­ris­ta Don McKel­lar (do fil­me Vio­li­no ver­me­lho) que adap­tou o tex­to.

A his­tó­ria come­ça quan­do ocor­re uma epi­de­mia de ceguei­ra na cida­de, de for­ma inex­pli­cá­vel não se sabe quan­to tem­po irá durar e de onde vêm, afe­tan­do a visão das pes­so­as, que come­çam a ver ape­nas man­chas bran­cas, por isso à doen­ça come­ça a ser cha­ma­da de “ceguei­ra bran­ca”.

O pri­mei­ro infec­ta­do (Yusu­ke Ise­va) aca­ba por per­der a visão enquan­to con­duz no trân­si­to caó­ti­co da cida­de, sem som­bra de dúvi­da fil­mar numa rua movi­men­ta­da do cen­tro de São Pau­lo, paran­do um car­ro em horá­rio de rush deve ter sido um gran­de desa­fio para Fer­nan­do Mei­rel­les que con­se­gue uma ten­são inte­res­san­te ao colo­car o “cego” andan­do pelo meio dos car­ros.

Logo a epi­de­mia vai se espa­lhan­do por todo o país, come­çan­do pelas pes­so­as que tive­ram con­ta­to com este pri­mei­ro per­so­na­gem.

Con­for­me vão sen­do con­ta­gi­a­dos pela mis­te­ri­o­sa epi­de­mia, o gover­no decre­ta que devem ser afas­ta­dos do con­ví­vio da soci­e­da­de e colo­ca­dos sobre qua­ren­te­na numa espé­cie de hos­pi­tal para que não afe­tem o res­tan­te da popu­la­ção.

Como a espo­sa do médi­co não é afe­ta­da pela doen­ça, ela fin­ge estar cega para ir jun­to com seu mari­do, com o intui­to de poder cui­dar da sua saú­de e uma vez iso­la­dos ela se sujei­ta a tra­tar dele como se fos­se uma cri­an­ça.

O foco do fil­me não esta em mos­trar a cau­sa da doen­ça ou sua cura, mas sim o des­mo­ro­nar com­ple­to da soci­e­da­de que, per­de tudo aqui­lo que con­si­de­ra civi­li­za­do.

No fil­me as pes­so­as doen­tes come­çam a lutar pelas suas neces­si­da­des mais bási­cas, expon­do os seus ins­tin­tos pri­mi­ti­vos e resul­tan­do num colap­so da soci­e­da­de, con­for­me vai aumen­tan­do o núme­ro de pes­so­as cegas len­ta­men­te o ser­vi­ço do Esta­do come­ça a falhar.

A dire­ção de foto­gra­fia faz um tra­ba­lho impe­cá­vel, abu­san­do às vezes dos tons cla­ros na tela como se o espec­ta­dor esti­ves­se sofren­do da “ceguei­ra bran­ca”, só o sim­ples fato de ver a região do minho­cão em São Pau­lo toda devas­ta­da, cober­ta de lixo, fezes, papéis, como se o mun­do tives­se para­do a bei­ra de um caos e nenhum ser huma­no sobre­vi­vi­do, vale a pena ser vis­to.

Após algum tem­po essa mes­ma sujei­ra pode ser nota­da no hos­pi­tal, com a fal­ta de higi­e­ne, aten­di­men­to médi­co e comi­da, neces­si­da­des bási­cas de qual­quer ser huma­no, a his­tó­ria vai fican­do mais ten­sa ao mos­trar a cru­el­da­de que o ser huma­no con­se­gue impor aos demais em situ­a­ções cri­ti­cas.

Curi­o­si­da­de: O autor José Sara­ma­go foi con­vi­da­do para assis­tir ao lan­ça­men­to do fil­me, mas por não se encon­trar em bom esta­do de saú­de, os médi­cos reco­men­da­ram que não via­jas­se, assim Fer­nan­do Mei­rel­les foi até sua casa em Lis­boa para lhe apre­sen­tar o fil­me.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA01

Prémios

FESTIVAL DE CANNES
Indi­ca­ção: Pal­ma de Ouro – Fer­nan­do Mei­rel­les

Pessoanos comentam o “Filme do Desassossego”

Na pró­xi­ma quin­ta-fei­ra, 2 de Novem­bro, o Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha irá rece­ber a exi­bi­ção do “Fil­me do Desas­sos­se­go” de João Bote­lho. Este fil­me é base­a­do no livro homó­ni­mo da auto­ria dos hete­ró­ni­mos, de Fer­nan­do Pes­soa, Ber­nar­do Soa­res e Vicen­te Gue­des. O livro ina­ca­ba­do de Fer­nan­do Pes­soa tem conhe­ci­do vári­as edi­ções com­pi­la­das atra­vés da inter­pre­ta­ção de vári­os edi­to­res dos manus­cri­tos e dac­ti­los­cri­tos ori­gi­nais e das inten­ções escri­tas de orga­ni­za­ção de Fer­nan­do Pes­soa. Cada edi­ção é uma nova pers­pec­ti­va sobre esta obra, o que pode­rá acres­cen­tar o fil­me?

Para res­pon­der a esta per­gun­ta con­ta­mos com a pre­sen­ça de três peri­tos na obra de Fer­nan­do Pes­soa; Antó­nio Apo­li­ná­rio Lou­ren­ço, Bru­no Fon­tes e Manu­el Por­te­la.

António Apolinário Lourenço

Antó­nio Apo­li­ná­rio Lou­ren­ço é pro­fes­sor de lite­ra­tu­ra na Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, onde coor­de­na a sec­ção de Estu­dos Espa­nhóis. Inte­gra a Comis­são Exe­cu­ti­va do Cen­tro de Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa da mes­ma uni­ver­si­da­de. É autor ou edi­tor de vári­os livros publi­cados em Por­tu­gal, Espa­nha e Bra­sil, entre os quais uma His­tó­ria da Lite­ra­tu­ra Espa­nho­la (1994, em cola­bo­ra­ção com Eloí­sa Álva­rez), uma His­to­ria de la Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa (2000, coe­di­tor, com José Luis Gavi­la­nes), Iden­ti­da­de e alte­ri­da­de em Fer­nan­do Pes­soa e Anto­nio Macha­do (1995; com edi­ção espa­nho­la de 1997), Eça de Quei­rós e o Natu­ra­lis­mo na Penín­su­la Ibé­ri­ca (2005), Estu­dos de lite­ra­tu­ra com­pa­ra­da luso-espa­nho­la (2005), Fer­nan­do Pes­soa (2009), Guia de lei­tu­ra. Men­sa­gem de Fer­nan­do Pes­soa (2011), Lite­ra­tu­ra, Espa­ço, Car­to­gra­fi­as (2011, coe­di­tor, com Osval­do Manu­el Sil­ves­tre), Pode­res y Auto­ri­da­des en el Siglo de Oro: Rea­li­dad y Repre­sen­ta­ción (2012, coe­di­tor com Jesús M. Usu­ná­riz), O Sécu­lo do Roman­ce. Rea­lis­mo e Natu­ra­lis­mo na Fic­ção Oito­cen­tis­ta (2013, coe­di­tor com Maria Hele­na San­ta­na e Maria João Simões) e O Moder­nis­mo (2015, em cola­bo­ra­ção com Car­los Reis). A sua edi­ção comen­ta­da da Men­sa­gem de Fer­nan­do Pes­soa foi lan­ça­da no Bra­sil em 2015, na cole­ção de clás­si­cos da Ate­liê Edi­to­ri­al.

Bruno Fontes

Bru­no Fon­tes licen­ci­ou-se em Estu­dos Por­tu­gue­ses e Lusó­fo­nos na Facul­da­de de Letras da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, e con­cluiu, na mes­ma ins­ti­tui­ção, o Mes­tra­do em Estu­dos Artís­ti­cos, na área de estu­dos fíl­mi­cos. Tem desen­vol­vi­do ati­vi­da­des em con­jun­to com diver­sas asso­ci­a­ções cul­tu­rais em Coim­bra, no Por­to e na Figuei­ra da Foz. As suas áre­as de inte­res­se cen­tram-se no diá­lo­go do cine­ma com as outras artes, das quais se des­ta­cam a lite­ra­tu­ra e a músi­ca, e na aná­li­se da arte e da cul­tu­ra de mas­sas na soci­e­da­de con­tem­po­râ­nea. Está nes­te momen­to a fre­quen­tar o Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to em Mate­ri­a­li­da­des da Lite­ra­tu­ra na Uni­ver­si­da­de de Coim­bra.

Manuel Portela

Manu­el Por­te­la é pro­fes­sor da Facul­da­de de Letras da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, onde diri­ge o Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to em Mate­ri­a­li­da­des da Lite­ra­tu­ra (Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to FCT). É mem­bro do Cen­tro de Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, sen­do o inves­ti­ga­dor res­pon­sá­vel pelo Arqui­vo LdoD (https://ldod.uc.pt/), um arqui­vo digi­tal dedi­ca­do ao Livro do Desas­sos­se­go, a publi­car em 2017. O seu últi­mo­li­vro inti­tu­la-se Scrip­ting Rea­ding Moti­ons: The Codex and the Com­pu­ter as Self-Refle­xi­ve Machi­nes (MIT Press, 2013).

 

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Filme do Desassossego de João Botelho

A acção decor­re em três dias e três noi­tes, num quar­to de uma casa na Rua dos Dou­ra­do­res, em Lis­boa. Ber­nar­do Soa­res, aju­dan­te de guar­da-livros, é um homem soli­tá­rio e ator­men­ta­do que vai ano­tan­do os seus pen­sa­men­tos e angús­ti­as num livro, que inti­tu­la de “Livro do desas­sos­se­go”…
Rea­li­za­do por João Bote­lho, uma adap­ta­ção cine­ma­to­grá­fi­ca da mais auto­bi­o­grá­fi­ca obra de Fer­nan­do Pes­soa, teve o apoio do Minis­té­rio da Cultura/Ica, Câma­ra Muni­ci­pal de Lis­boa, Fun­da­ção Calous­te Gul­ben­ki­an e Rádio e Tele­vi­são de Por­tu­gal.

É exi­bi­do no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha no pró­xi­mo dia 2 de Novem­bro às 22:00. A entra­da é livre.

Introdução Histórica

João Bote­lho rodou em Lis­boa «O fil­me do desas­sos­se­go», a sua ver­são para cine­ma de «O livro do desas­sos­se­go», de Fer­nan­do Pes­soa, uma «teo­ria sobre os sonhos» que pri­vi­le­gia a pala­vra.

No Arqui­vo His­tó­ri­co do Exér­ci­to, em Lis­boa, por entre lon­gos e aper­ta­dos cor­re­do­res, João Bote­lho recria o escri­tó­rio de Ber­nar­do Soa­res, aju­dan­te de guar­da-livros, semi-hete­ró­ni­mo de Fer­nan­do Pes­soa e autor de «O livro do Desas­sos­se­go».

Sen­ta­do a uma mesa está o actor Cláu­dio da Sil­va, pro­ta­go­nis­ta nes­te fil­me intem­po­ral sobre um homem com­ple­xo, soli­tá­rio, que ano­tou os seus pen­sa­men­tos no frag­men­ta­do livro do desas­sos­se­go.

Dada a com­ple­xi­da­de do tex­to de Pes­soa, um livro em aber­to, dis­per­so, João Bote­lho sabia que tinha pela fren­te um pro­jec­to difí­cil.

«É demen­te, toda a gen­te diz que é impos­sí­vel adap­tar O Livro do Desassossego. É um dis­pa­ra­te lou­co, mas é sobre­tu­do uma coi­sa que ten­tei pre­ser­var: o tex­to é mais impor­tan­te que tudo», dis­se João Bote­lho.

Ape­sar da com­ple­xi­da­de, João Bote­lho encon­trou no tex­to algu­mas indi­ca­ções cine­ma­to­grá­fi­cas.

«Este tex­to só fun­ci­o­na lido em voz alta. Tem uma cama­da de músi­ca por cima da cama­da do sen­ti­do» e Pes­soa escre­veu ain­da que «devem ilu­mi­nar-se os sapa­tos das pes­so­as nor­mais com a mes­ma luz com que se ilu­mi­na a cara dos san­tos», refe­riu.

Meti­cu­lo­so com o jogo de luz e som­bra, João Bote­lho reve­lou que para «O fil­me do desas­sos­se­go» pro­cu­rou pin­to­res con­tem­po­râ­ne­os, como Ghe­rard Rich­ter e Luci­an Freud, e man­te­ve-se fiel ao con­tras­te claro/escuro.

«Acho que o cine­ma é luz e som­bras e as pes­so­as à ras­ca no meio delas, sem­pre», defen­deu.

 

Fil­me sobre a pala­vra, que João Bote­lho man­tém pra­ti­ca­men­te inal­te­ra­da a par­tir do tex­to ori­gi­nal, «O fil­me do desas­sos­se­go» é tam­bém sobre um homem, Ber­nar­do Soa­res.

«Não tem data de nas­ci­men­to nem de mor­te, tinha a mes­ma pro­fis­são do Fer­nan­do Pes­soa, aju­dan­te de guar­da-livros, vivia num quar­to modes­to, podia ter escri­to tudo sem sair do quar­to».

O fil­me, que con­ta com as par­ti­ci­pa­ções de Cláu­dio Sil­va, Rita Blan­co, Ale­xan­dra Len­cas­tre, Miguel Gui­lher­me, Cata­ri­na Wal­lens­tein, Cae­ta­no Velo­so, Lula Pena e a fadis­ta Car­mi­nho; não será exi­bi­do, por exi­gên­cia do rea­li­za­dor, em qual­quer sala de cine­ma nos cen­tros comer­ci­ais.

A Instalação do Medo, um filme de Ricardo Leite

Dia 31 de Outu­bro ás 00h00, o Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha/AAC irá abrir por­tas para a apre­sen­ta­ção da cur­ta-metra­gem A ins­ta­la­ção do medo (2017), tra­ba­lho cine­ma­to­grá­fi­co de Ricar­do Lei­te galar­do­a­do em Feve­rei­ro com o Pré­mio Sophia Estu­dan­te atrí­bui­do pela Aca­de­mia Por­tu­gue­sa de Cine­ma.
A entra­da é gra­tui­ta e estão todos con­vi­da­dos.

Sinopse
A mulher escon­de o seu filho na casa de banho, quan­do ouve a bate­rem à por­ta.

Abre a Por­ta vê dois homens, “Bom dia, minha senho­ra, vie­mos para ins­ta­lar o medo.”

Elenco

Mar­ga­ri­da Morei­ra, Nuno Janei­ro, Cân­di­do Fer­rei­ra e Ber­nar­do Morei­ra.

Rea­li­za­ção: Ricar­do Lei­te

Ass. De Rea­li­za­ção: Bru­no Medei­ros

Ano­ta­ção: Sara Sil­va

Argu­men­to: (Guião) Ricar­do Lei­te, (Livro) Rui Zink.

Pro­du­ção: Arman­da Oli­vei­ra

Ass. De Pro­du­ção: Andreia Ribei­ro

Pro­du­tor exe­cu­ti­vo: Edu­ar­do Lel­lo

Pro­du­tor super­vi­sor: Ricar­do Lei­te

Direc­ção de Foto­gra­fia: Cláu­dio Oli­vei­ra

Estive em Lisboa e Lembrei de Você um Filme de José Barahona

Sér­gio, um modes­to fun­ci­o­ná­rio da Com­pa­nhia Indus­tri­al de Cata­gua­ses, Minas Gerais (Bra­sil), sofre uma revi­ra­vol­ta na sua vida: a sua mulher enlou­que­ce, ele per­de o empre­go e a cus­tó­dia do filho.
Deci­de emi­grar para Lis­boa, a con­se­lho dos ami­gos, em bus­ca de opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho para recom­por a sua vida. Ao che­gar, Sér­gio é con­fron­ta­do com a dura rea­li­da­de da imi­gra­ção; o dia-a-dia e o con­tras­te cul­tu­ral vão reve­lar um lugar dife­ren­te daque­le com que sonha­ra.
Este fil­me cujo argu­men­to foi adap­ta­do do roman­ce homó­ni­mo do pre­mi­a­do escri­tor bra­si­lei­ro Luiz Ruf­fa­to será exi­bi­do no dia 26 de Outu­bro às 22:00. A entra­da no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha é livre. 

Introdução Histórica

Sér­gio de Sou­za Sam­paio (Pau­lo Aze­ve­do) nas­ceu em Minas Gerais, quan­do, por for­ça das cir­cuns­tân­ci­as, se vê sem empre­go, sem a mulher e sem o filho, resol­ve dar uma vol­ta à sua vida e emi­grar para Por­tu­gal. É assim que che­ga a Lis­boa, em bus­ca de opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho e cheio de espe­ran­ça numa vida melhor. Mas o que ele vai encon­trar é algo mui­to dife­ren­te do ide­a­li­za­do: os empre­gos escas­sei­am e as pou­cas vagas que sobram são mal remu­ne­ra­das. Lon­ge da famí­lia e do país que o viu nas­cer, vai ter de enfren­tar a soli­dão, o des­pre­zo e a estra­nhe­za de um povo mui­to dife­ren­te do seu.

Co-pro­du­ção entre Bra­sil e Por­tu­gal, “Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você” é a adap­ta­ção cine­ma­to­grá­fi­ca do roman­ce homó­ni­mo de Luiz Ruf­fa­to. A rea­li­za­ção e argu­men­to fica a car­go de José Baraho­na (“Bue­nos Aires Hora Zero”, “O Manus­cri­to Per­di­do”), cine­as­ta por­tu­guês radi­ca­do no Bra­sil.

SOBRE O REALIZADOR

Nas­ceu em Lis­boa em 1969 e resi­de atu­al­men­te no Rio de Janei­ro, Bra­sil. José Baraho­na rea­li­zou diver­sos docu­men­tá­ri­os e cur­tas-metra­gens des­de 1995, altu­ra em que se for­mou em Lis­boa na Esco­la Supe­ri­or de Tea­tro e Cine­ma, ten­do con­cre­ti­za­do os seus estu­dos em Cuba e em Nova Ior­que. Como rea­li­za­dor o seu tra­ba­lho tran­si­ta num ter­ri­tó­rio híbri­do em que docu­men­tá­rio e fic­ção se mis­tu­ram: os seus docu­men­tá­ri­os têm, mui­tas vezes, dis­po­si­ti­vos fic­ci­o­nais, e as suas fic­ções uma rela­ção mui­to estrei­ta com o docu­men­tal. Nes­se sen­ti­do des­ta­cam-se o docu­men­tá­rio lon­ga-metra­gem O Manus­cri­to Per­di­do (2010), ven­ce­dor, entre outros, do Pré­mio TV Bra­sil de Melhor Lon­ga-metra­gem na 15ª Mos­tra Inter­na­ci­o­nal do Fil­me Etno­grá­fi­co (RJ). Foi publi­ca­do um livro sobre o fil­me com a chan­ce­la Selo Tor­de­si­lhas, com pre­fá­cio de Nel­son Perei­ra dos San­tos e o docu­men­tá­rio Milho (Pré­mio Cine­E­co
em Movi­men­to, Cine­E­co, Seia, Por­tu­gal, 2009). Rea­li­zou tam­bém a cur­ta-metra­gem
Pas­to­ral (2004), con­quis­tan­do os pré­mi­os de Melhor Cur­ta-Metra­gem no Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês (Coim­bra, 2005) e a Men­ção Hon­ro­sa no Fan­tas­por­to (Por­to, 2005).
Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você é a sua pri­mei­ra lon­ga-metra­gem de fic­ção.

ENTREVISTA A JOSÉ BARAHONA

Foi após a lei­tu­ra do livro de Luiz Rufat­to que deci­dis­te fazer o fil­me Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você? O que mais te cati­vou e ins­pi­rou no livro?


Hou­ve vári­os aspe­tos que me cati­va­ram assim que li o livro. Pri­mei­ro o fac­to de o livro ser apre­sen­ta­do, na intro­du­ção, como um depoi­men­to dado por Sér­gio de Sou­za Sam­paio, o pro­ta­go­nis­ta, ao autor em Lis­boa e de o livro ser dedi­ca­do a um ami­go de Ruf­fa­to que lhe apre­sen­tou o Sér­gi­nho. Depois des­sa nota intro­du­tó­ria, o que se segue é uma supos­ta trans­cri­ção da entre­vis­ta dada por Sér­gio na
pri­mei­ra pes­soa. Isso dá ao rela­to um “selo” de vero­si­mi­lhan­ça. Mas … tra­ta-se de um roman­ce. Sér­gio
é uma pes­soa real? Não sei. Não impor­ta. Ele é um per­so­na­gem de um livro. Ora em cine­ma isso seria,
se fizés­se­mos uma trans­po­si­ção lite­ral, aqui­lo que cha­ma­mos de “fal­so docu­men­tá­rio”. Pode­ría­mos ima­gi­nar uma entre­vis­ta fei­ta por alguém, num pla­no clás­si­co de depoi­men­to de docu­men­tá­rio em
que um ator repre­sen­ta­ria esse rela­to. Ima­gi­nei ime­di­a­ta­men­te que esse rela­to seria entre­cor­ta­do com a recons­ti­tui­ção fic­ci­o­nal de algu­mas das cenas do livro cri­an­do assim um híbri­do entre o “fal­so docu­men­tá­rio” e a fic­ção. Tal­vez até mes­mo encon­trar alguém em Cata­gua­ses, cida­de natal de Sér­gi­nho, que qui­ses­se vir para Lis­boa e usar a sua vin­da, suas moti­va­ções e sonhos como ânco­ra do fil­me. Isso não veio a acon­te­cer pois a cri­se esta­va à por­ta em 2010/11, e o que acon­te­cia era que os bra­si­lei­ros que esta­vam em Lis­boa come­ça­vam a pen­sar no seu regres­so.

Depois o fac­to de eu, e mui­tos por­tu­gue­ses, sem­pre con­vi­ver­mos com pes­so­as com his­tó­ri­as de vida seme­lhan­tes: a imi­gra­ção de pes­so­as menos qua­li­fi­ca­das que tra­ba­lham em Lis­boa e nou­tras cida­des de Por­tu­gal em res­tau­ran­tes, bares, cafés, na cons­tru­ção civil, etc. Mas eu tinha mui­ta curi­o­si­da­de de saber como era a vida deles antes de che­ga­rem a Lis­boa. Dis­so eu pou­co sabia. Se por um lado hou­ve mui­tos bra­si­lei­ros que vie­ram para Lis­boa já com tra­ba­lho asse­gu­ra­do como publi­ci­tá­ri­os, arqui­te­tos ou outras pro­fis­sões, inclu­si­ve no audi­o­vi­su­al, estas pes­so­as mais humil­des sonha­vam com um Por­tu­gal e uma Lis­boa onde pode­ri­am cons­truir uma vida melhor. Isso intri­ga­va-me des­de há mui­to. Foi pre­ci­so come­çar a tra­ba­lhar no Bra­sil e a conhe­cer mais de per­to a sua rea­li­da­de para per­ce­ber que a misé­ria no Bra­sil é mui­to mais pro­fun­da e desu­ma­na que em Por­tu­gal. Quan­do esta­mos em Por­tu­gal temos ten­dên­cia a pen­sar que as coi­sas estão mui­to mal, que a vida é mui­to difí­cil eco­no­mi­ca­men­te, que é o pior país do mun­do. Não é. Mes­mo com a cri­se em Por­tu­gal, e mes­mo com todos os pro­gres­sos alcan­ça­dos pelas polí­ti­cas soci­ais dos últi­mos gover­nos no Bra­sil, infe­liz­men­te a misé­ria no Bra­sil é infi­ni­ta­men­te supe­ri­or à exis­ten­te em Por­tu­gal. O grau de pobre­za, de escra­vi­dão, de fome e de explo­ra­ção do homem pelo homem, as desi­gual­da­des e o abis­mo soci­al entre ricos e pobres é mui­to mai­or!
E final­men­te eu quis fazer des­te livro um fil­me por­que ele é de cer­ta for­ma um espe­lho de mim pró­prio. Dadas todas as dis­tân­ci­as que refe­ri ante­ri­or­men­te, eu esta­va nes­se momen­to a che­gar ao Bra­sil

como imi­gran­te por cau­sa da cri­se por­tu­gue­sa e por cau­sa da para­li­sia total na pro­du­ção de cine­ma que se deu nes­sa épo­ca. Essa des­lo­ca­ção, o estar fora do meu lugar é algo com que me iden­ti­fi­ca­va.
Eu pode­ria des­co­brir o pas­sa­do do pro­ta­go­nis­ta no Bra­sil, e retra­tar o estra­nha­men­to dele na cida­de onde vivi qua­se toda a minha vida.

Dizes que ao che­gar a Lis­boa a per­so­na­gem se deba­teu com uma rea­li­da­de dife­ren­te daque­la que sonha­ra. Com que Lis­boa sonha­va ele?

Não sei bem… não sei bem com o que sonha­mos quan­do par­ti­mos do nos­so lugar para um lugar que não o nos­so. Há um mito de Lis­boa, “a mag­ní­fi­ca” no ima­gi­ná­rio bra­si­lei­ro. O lugar onde tudo come­çou, as ori­gens, a arqui­te­tu­ra dos velhos pré­di­os lis­bo­e­tas que se pare­ce com as cida­des colo­ni­ais no Bra­sil. A Euro­pa, em geral, como um lugar mais tran­qui­lo, paci­fi­co. Para os indí­ge­nas o come­ço do fim.
O que che­ga ao Bra­sil não é a deca­dên­cia soci­al, eco­nó­mi­ca e polí­ti­ca que está a acon­te­cer em Por­tu­gal. Isso é uma coi­sa que acon­te­ce mui­to. O “quin­tal do vizi­nho é sem­pre melhor que o meu”. É pre­ci­so
viver num deter­mi­na­do lugar para per­ce­ber­mos os pro­ble­mas que aí exis­tem. Mas para os bra­si­lei­ros e por­tu­gue­ses, em geral, acho que exis­te a sen­sa­ção que, por cau­sa da lín­gua e das rela­ções his­tó­ri­cas,
será mais fácil encon­trar o nos­so lugar ao fazer essa tro­ca de país. Os bra­si­lei­ros, por terem sem­pre rece­bi­do e até sido inva­di­dos pelos por­tu­gue­ses, por terem graus de paren­tes­co fami­li­ar (qua­se todos
os bra­si­lei­ros têm algu­ma ascen­dên­cia por­tu­gue­sa pró­xi­ma), pen­sam que serão bem rece­bi­dos em Por­tu­gal. De algu­ma for­ma Por­tu­gal para os bra­si­lei­ros é um lugar onde tam­bém podem per­ten­cer. O que mui­tas vezes não é tão sim­ples assim. Além dis­so quan­do se vai para fora do nos­so país per­de­mos as nos­sas refe­rên­ci­as. E falo no plu­ral, por mim, pelo Sér­gio e pelos mui­tos imi­gran­tes que encon­trei e
entre­vis­tei na pes­qui­sa para este e outros fil­mes. Os ami­gos, a famí­lia e a cul­tu­ra ficam para trás. Não é fácil… Nun­ca é mui­to fácil. E há toda uma série de pro­ble­mas que podem acon­te­cer… No fun­do todos pro­cu­ra­mos uma vida melhor. Poder tra­ba­lhar e sus­ten­tar as nos­sas famí­li­as. Esse é o pon­to cen­tral daqui­lo que se pro­cu­ra, um sonho de uma vida melhor, num novo lugar onde se pos­sa per­ten­cer.

Pro­cu­ras­te pes­so­as que tinham his­tó­ri­as seme­lhan­tes às des­cri­tas no livro. Como foi essa pes­qui­sa?
Na ver­da­de eu fiz o cami­nho inver­so que o Luiz Ruf­fa­to fez. Ele deve ter encon­tra­do essas pes­so­as e trans­for­mou-as em per­so­na­gens do seu livro. Ou jun­tou his­tó­ri­as e cons­truiu as per­so­na­gens a par­tir
de vári­as pes­so­as com vidas seme­lhan­tes. Eu pro­cu­rei pes­so­as que tives­sem his­tó­ri­as de vida pare­ci­das com as que Ruf­fa­to des­cre­ve e trans­for­mei-as em per­so­na­gens do fil­me. Na ver­da­de, eu não que­ria que isso fos­se notó­rio no fil­me, mas isso vem um pou­co da minha expe­ri­ên­cia no docu­men­tá­rio.
A úni­ca dife­ren­ça é que em cena, mui­tas vezes, essas pes­so­as que repre­sen­tam elas pró­pri­as em vez de falar para mim, fora do qua­dro, falam para o Sér­gio. Por isso tam­bém ele é um espe­lho de mim
pró­prio. Por vezes, eu fica­va com o lugar do Pau­lo Aze­ve­do, o actor que inter­pre­ta o Sér­gio, e fica­va per­to dele e per­gun­ta­va coi­sas, ou segre­da­va ao seu ouvi­do as per­gun­tas que ele pode­ria fazer. Enfim,
o fil­me é mui­to híbri­do por­que mis­tu­ra mui­tas téc­ni­cas do docu­men­tá­rio e da fic­ção, ence­nan­do o docu­men­tá­rio como sem­pre fiz nos meus outros fil­mes. Não é mui­to impor­tan­te o pro­ces­so. Impor­ta que o resul­ta­do final é um tra­ba­lho con­jun­to para o qual todos con­tri­buí­ram. Não tem nada a ver com uma apro­xi­ma­ção à rea­li­da­de. A rea­li­da­de de um fil­me é o fil­me quan­do é vis­to.


Come­ças­te a tua pro­cu­ra em Cata­gua­ses, no entan­to não encon­tras­te nin­guém que tives­se par­ti­do.
Qual foi o pas­so seguin­te?

Encon­trar o ator per­fei­to para encar­nar o Sér­gio: o Pau­lo Aze­ve­do.

No iní­cio pen­sas­te em fazer um docu­men­tá­rio sobre o livro. O que te levou a mudar de ideia?


No iní­cio, pen­sei que iria usar mais a lin­gua­gem do que habi­tu­al­men­te cha­ma­mos docu­men­tá­rio. No entan­to, fui aban­do­nan­do a ideia a meio do pro­ces­so. Mas ape­nas apa­ren­te­men­te, como dis­se antes.
O fil­me pare­ce fic­ção, mas tem mui­to de docu­men­tal. Há um momen­to em que os fil­mes se liber­tam dos seus auto­res. Pelo menos, isso acon­te­ce comi­go e acon­te­ceu-me nes­te fil­me. O fil­me toma vida pró­pria, como se pedis­se para ser fei­to de uma deter­mi­na­da manei­ra, com uma deter­mi­na­da lin­gua­gem que já não somos nós que con­tro­la­mos. Ape­nas vamos atrás do fil­me e do que e
deman­da. Não sei expli­car… é como se cri­as­se a sua pró­pria dinâ­mi­ca da qual já não se pode esca­par. Isso é bom, por­que sig­ni­fi­ca que estás a tra­ba­lhar em algo con­sis­ten­te, algo que tomou um rumo mui­to deter­mi­na­do no qual as esco­lhas do rea­li­za­dor são de for­ma a seguir um rumo tra­ça­do. É o fil­me, são as ima­gens e os sons que ao serem mani­pu­la­dos na fil­ma­gem e na mon­ta­gem tomam for­ma que para o meu olhar só pode­ria ser aque­la.

Tra­ta-se de uma his­tó­ria bas­tan­te atu­al. A ida dos pobres para a Euro­pa. Que para­le­lis­mo fazes com a recen­te ques­tão dos refu­gi­a­dos?


Os refu­gi­a­dos, mais do que uma vida melhor, pro­cu­ram a sobre­vi­vên­cia. É um caso ain­da mais extre­mo. Uma guer­ra é algo sem expli­ca­ção e jus­ti­fi­ca­ção. No entan­to, sei ago­ra que mui­tas pes­so­as no Bra­sil vivem em luga­res de “qua­se-guer­ra”, que é o que acon­te­ce nas fave­las con­tro­la­das pelo trá­fi­co no Rio de Janei­ro, por exem­plo. Quan­do o trá­fi­co proí­be as pes­so­as de sair de casa num deter­mi­na­do dia, quan­do as pes­so­as não vão tra­ba­lhar num outro dia por cau­sa dos tiro­tei­os entre as vári­as fações rivais, isso é viver debai­xo de uma guer­ra. Conhe­ço pes­so­as que vivem essa situ­a­ção.
Então pode não ser tão dife­ren­te assim. E nós devía­mos ter essa cons­ci­ên­cia ao rece­ber os bra­si­lei­ros em Por­tu­gal. Todos os paí­ses deve­ri­am estar de bra­ços aber­tos uns para os outros em situ­a­ções de catás­tro­fe como a que se pas­sa ago­ra na Síria e com a che­ga­da de milha­res de pes­so­as à Euro­pa São ver­go­nho­sas as bar­rei­ras que se cri­am! Mas é uma rea­li­da­de. O que exis­te em comum é que, ao che­ga­rem e ao serem aco­lhi­dos (o que nem sem­pre acon­te­ce), eles vão pas­sar pelas mes­mas difi­cul­da­des que todos os outros imi­gran­tes pas­sam. Estes movi­men­tos de pes­so­as entre paí­ses (o Bra­sil rece­beu mui­tos por­tu­gue­ses por cau­sa da cri­se em Por­tu­gal) devem ensi­nar-nos algo que já deve­ría­mos ter apren­di­do, mas que mui­tas pes­so­as pare­cem ain­da não saber: que o mun­do é um só lugar, e que os homens tra­çam linhas ima­gi­ná­ri­as a que cha­mam fron­tei­ras. Deve­mos apren­der a ser tole­ran­tes, a rece­ber quem pre­ci­sa de aju­da. Mas isto pare­ce um dis­cur­so tão bási­co e tão óbvio que por esta altu­ra não deve­ria neces­si­tar de ser fei­to.

Infe­liz­men­te, a into­le­rân­cia reli­gi­o­sa e cul­tu­ral, o pre­con­cei­to e a xeno­fo­bia ain­da exis­tem nes­te nos­so
mun­do. Acho que isso é bem paten­te nes­te fil­me. Eu pude viven­ci­ar isso em Por­tu­gal com ami­gos e fami­li­a­res bra­si­lei­ros. Era tam­bém sobre isso que que­ria falar. Se nos vir­mos nes­se espe­lho que é o
cine­ma, se nos rir­mos de nós pró­pri­os, tal­vez na pró­xi­ma opor­tu­ni­da­de em que nos defron­te­mos com deter­mi­na­das situ­a­ções se pos­sa agir de manei­ra dife­ren­te. Mui­tas vezes o pre­con­cei­to é incons­ci­en­te, está enrai­za­do. E uma coi­sa é brin­car com as dife­ren­ças cul­tu­rais com um sor­ri­so nos lábi­os, outra é a
des­cri­mi­na­ção fei­ta de uma for­ma mais vio­len­ta.
Estes pro­ble­mas já devi­am estar ultra­pas­sa­dos no Séc. XXI. Temos ques­tões mais impor­tan­tes para resol­ver, como a fome, a misé­ria, a pobre­za, a guer­ra e um pla­ne­ta à bei­ra de uma catás­tro­fe ambi­en­tal!

EQUIPA

Rea­li­za­ção e Argu­men­to – JOSÉ BARAHONA

Foto­gra­fia – DANIEL COSTA NEVES

Som – PEDRO EARP

Mon­ta­gem – JOSÉ BARAHONA e PATRÍCIA SARAMAGO

Edi­ção de som e mis­tu­ras – TIAGO MATOS

Músi­ca – FELIPE AYRES

Pro­du­ção – CAROLINA DIAS (Refi­na­ria Fil­mes – Bra­sil)

Co-Pro­du­ção – FERNANDO VENDRELL (David & Goli­as – Por­tu­gal) e MÔNICA BOTELHO (Mutu­ca Fil­mes – Bra­sil)