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Meu Querido Mês de Agosto” exibido em Nova Iorque

O fil­me «Aque­le Que­ri­do Mês de Agos­to», do cine­as­ta por­tu­guês Miguel Gomes, estre­ou este mês em Nova Ior­que, depois de ter rece­bi­do vári­os elo­gi­os na impren­sa nova-ior­qui­na que o con­si­de­rou um ino­va­dor “pós-docu­men­tá­rio”. A 17 de Setem­bro será exi­bi­do em Bos­ton, no Har­vard Film Archi­ves, jun­ta­men­te com outros fil­mes de Miguel Gomes.

Na edi­ção da sema­na pas­sa­da da revis­ta «The New Yor­ker», o crí­ti­co Richard Brody des­cre­ve a segun­da lon­ga-metra­gem de Miguel Gomes como “dis­tin­ta­men­te moder­na, com um popu­lis­mo sin­ce­ro e cla­ri­vi­den­te”. “A sua paci­ên­cia e aten­ção ter­na aos hábi­tos, tra­di­ções e saber mis­tu­ram-se com uma soci­o­lo­gia da migra­ção e da xeno­fo­bia e um olhar de gra­vu­ris­ta para a pai­sa­gem cir­cun­dan­te”, escre­veu a «New Yor­ker».
Tam­bém o suple­men­to de artes do jor­nal «New York Times» dedi­cou uma pági­na aos “pós-docu­men­tá­ri­os” de Gomes e outros rea­li­za­do­res den­tro do mes­mo géne­ro, como C.W. Win­ter. “Aque­le Que­ri­do Mês de Agos­to é ao mes­mo tem­po um musi­cal, um diá­rio de bor­do, um melo­dra­ma fami­li­ar qua­se inces­tu­o­so, um retra­to etno­grá­fi­co das tra­di­ções popu­la­res por­tu­gue­sas e das suas pró­pri­as sua pró­pria pro­du­ção caó­ti­ca”, refe­re o arti­go de Den­nis Lim.
A 17 de Setem­bro o fil­me será exi­bi­do mais a nor­te, em Bos­ton, no Har­vard Film Archi­ves, jun­ta­men­te com outros fil­mes de Miguel Gomes, como «A Cara Que Mere­ces» e «Entre­tan­to». Para este ciclo na cine­ma­te­ca de Har­vard, cha­ma­do “A Ima­gi­na­ção Musi­cal de Miguel Gomes”, está anun­ci­a­da a pre­sen­ça do jovem rea­li­za­dor, nas­ci­do em 1972, que irá dar uma “mas­ter class”.
O direc­tor da cine­ma­te­ca, Haden Guest, afir­ma que Gomes é “um dos rea­li­za­do­res mais bri­lhan­te­men­te ino­va­do­res den­tro do géne­ro pós-docu­men­tá­rio”.
“Nos últi­mos anos, Por­tu­gal rea­pa­re­ceu como um esti­mu­lan­te novo des­ti­no no cam­bi­an­te e sem­pre impre­vi­sí­vel mapa do cine­ma mun­di­al, um impor­tan­te cen­tro de algu­mas das cor­ren­tes mais ino­va­do­ras den­tro da rea­li­za­ção con­tem­po­râ­nea”, refe­re. Jun­ta­men­te com Pedro Cos­ta e João Pedro Rodri­gues, adi­an­ta, estão a explo­rar a tra­di­ção por­tu­gue­sa de “cine­ma radi­cal”, como antes o fize­ram Pau­lo Rocha ou João César Mon­tei­ro, que recen­te­men­te foi alvo de um ciclo em Bos­ton em Nova Ior­que.
Gomes foi crí­ti­co de cine­ma, antes de diri­gir uma série de cur­tas-metra­gens. «Aque­le Que­ri­do Mês de Agos­to», roda­do na aldeia de Arga­nil, com­bi­na a his­tó­ria fic­ci­o­na­da de uma famí­lia de músi­cos com um docu­men­tá­rio sobre os fes­ti­vais de verão de músi­ca popu­lar e outros hábi­tos da região, e ain­da com um rela­to das difi­cul­da­des de pro­du­ção do fil­me.
“No cora­ção de Por­tu­gal, ser­ra­no, o mês de Agos­to mul­ti­pli­ca os popu­la­res e as acti­vi­da­des. Regres­sam à ter­ra, lan­çam fogue­tes, con­tro­lam fogos, can­tam kara­o­ke, ati­ram-se da pon­te, caçam java­lis, bebem cer­ve­ja, fazem filhos. Se o rea­li­za­dor e a equi­pa do fil­me tives­sem ido direc­ta­men­te ao assun­to, resis­tin­do aos bai­la­ri­cos, redu­zir-se-ia a sinop­se: «Aque­le Que­ri­do Mês de Agos­to acom­pa­nha as rela­ções sen­ti­men­tais entre pai, filha e o pri­mo des­ta, músi­cos numa ban­da de bai­le»”, lê-se na sinop­se do fil­me.

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