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Pessoanos comentam o “Filme do Desassossego”

Na pró­xi­ma quin­ta-fei­ra, 2 de Novem­bro, o Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha irá rece­ber a exi­bi­ção do “Fil­me do Desas­sos­se­go” de João Bote­lho. Este fil­me é base­a­do no livro homó­ni­mo da auto­ria dos hete­ró­ni­mos, de Fer­nan­do Pes­soa, Ber­nar­do Soa­res e Vicen­te Gue­des. O livro ina­ca­ba­do de Fer­nan­do Pes­soa tem conhe­ci­do vári­as edi­ções com­pi­la­das atra­vés da inter­pre­ta­ção de vári­os edi­to­res dos manus­cri­tos e dac­ti­los­cri­tos ori­gi­nais e das inten­ções escri­tas de orga­ni­za­ção de Fer­nan­do Pes­soa. Cada edi­ção é uma nova pers­pec­ti­va sobre esta obra, o que pode­rá acres­cen­tar o fil­me?

Para res­pon­der a esta per­gun­ta con­ta­mos com a pre­sen­ça de três peri­tos na obra de Fer­nan­do Pes­soa; Antó­nio Apo­li­ná­rio Lou­ren­ço, Bru­no Fon­tes e Manu­el Por­te­la.

António Apolinário Lourenço

Antó­nio Apo­li­ná­rio Lou­ren­ço é pro­fes­sor de lite­ra­tu­ra na Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, onde coor­de­na a sec­ção de Estu­dos Espa­nhóis. Inte­gra a Comis­são Exe­cu­ti­va do Cen­tro de Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa da mes­ma uni­ver­si­da­de. É autor ou edi­tor de vári­os livros publi­cados em Por­tu­gal, Espa­nha e Bra­sil, entre os quais uma His­tó­ria da Lite­ra­tu­ra Espa­nho­la (1994, em cola­bo­ra­ção com Eloí­sa Álva­rez), uma His­to­ria de la Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa (2000, coe­di­tor, com José Luis Gavi­la­nes), Iden­ti­da­de e alte­ri­da­de em Fer­nan­do Pes­soa e Anto­nio Macha­do (1995; com edi­ção espa­nho­la de 1997), Eça de Quei­rós e o Natu­ra­lis­mo na Penín­su­la Ibé­ri­ca (2005), Estu­dos de lite­ra­tu­ra com­pa­ra­da luso-espa­nho­la (2005), Fer­nan­do Pes­soa (2009), Guia de lei­tu­ra. Men­sa­gem de Fer­nan­do Pes­soa (2011), Lite­ra­tu­ra, Espa­ço, Car­to­gra­fi­as (2011, coe­di­tor, com Osval­do Manu­el Sil­ves­tre), Pode­res y Auto­ri­da­des en el Siglo de Oro: Rea­li­dad y Repre­sen­ta­ción (2012, coe­di­tor com Jesús M. Usu­ná­riz), O Sécu­lo do Roman­ce. Rea­lis­mo e Natu­ra­lis­mo na Fic­ção Oito­cen­tis­ta (2013, coe­di­tor com Maria Hele­na San­ta­na e Maria João Simões) e O Moder­nis­mo (2015, em cola­bo­ra­ção com Car­los Reis). A sua edi­ção comen­ta­da da Men­sa­gem de Fer­nan­do Pes­soa foi lan­ça­da no Bra­sil em 2015, na cole­ção de clás­si­cos da Ate­liê Edi­to­ri­al.

Bruno Fontes

Bru­no Fon­tes licen­ci­ou-se em Estu­dos Por­tu­gue­ses e Lusó­fo­nos na Facul­da­de de Letras da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, e con­cluiu, na mes­ma ins­ti­tui­ção, o Mes­tra­do em Estu­dos Artís­ti­cos, na área de estu­dos fíl­mi­cos. Tem desen­vol­vi­do ati­vi­da­des em con­jun­to com diver­sas asso­ci­a­ções cul­tu­rais em Coim­bra, no Por­to e na Figuei­ra da Foz. As suas áre­as de inte­res­se cen­tram-se no diá­lo­go do cine­ma com as outras artes, das quais se des­ta­cam a lite­ra­tu­ra e a músi­ca, e na aná­li­se da arte e da cul­tu­ra de mas­sas na soci­e­da­de con­tem­po­râ­nea. Está nes­te momen­to a fre­quen­tar o Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to em Mate­ri­a­li­da­des da Lite­ra­tu­ra na Uni­ver­si­da­de de Coim­bra.

Manuel Portela

Manu­el Por­te­la é pro­fes­sor da Facul­da­de de Letras da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, onde diri­ge o Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to em Mate­ri­a­li­da­des da Lite­ra­tu­ra (Pro­gra­ma de Dou­to­ra­men­to FCT). É mem­bro do Cen­tro de Lite­ra­tu­ra Por­tu­gue­sa da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, sen­do o inves­ti­ga­dor res­pon­sá­vel pelo Arqui­vo LdoD (https://ldod.uc.pt/), um arqui­vo digi­tal dedi­ca­do ao Livro do Desas­sos­se­go, a publi­car em 2017. O seu últi­mo­li­vro inti­tu­la-se Scrip­ting Rea­ding Moti­ons: The Codex and the Com­pu­ter as Self-Refle­xi­ve Machi­nes (MIT Press, 2013).

 

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Filme do Desassossego de João Botelho

A acção decor­re em três dias e três noi­tes, num quar­to de uma casa na Rua dos Dou­ra­do­res, em Lis­boa. Ber­nar­do Soa­res, aju­dan­te de guar­da-livros, é um homem soli­tá­rio e ator­men­ta­do que vai ano­tan­do os seus pen­sa­men­tos e angús­ti­as num livro, que inti­tu­la de “Livro do desas­sos­se­go”…
Rea­li­za­do por João Bote­lho, uma adap­ta­ção cine­ma­to­grá­fi­ca da mais auto­bi­o­grá­fi­ca obra de Fer­nan­do Pes­soa, teve o apoio do Minis­té­rio da Cultura/Ica, Câma­ra Muni­ci­pal de Lis­boa, Fun­da­ção Calous­te Gul­ben­ki­an e Rádio e Tele­vi­são de Por­tu­gal.

É exi­bi­do no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha no pró­xi­mo dia 2 de Novem­bro às 22:00. A entra­da é livre.

Introdução Histórica

João Bote­lho rodou em Lis­boa «O fil­me do desas­sos­se­go», a sua ver­são para cine­ma de «O livro do desas­sos­se­go», de Fer­nan­do Pes­soa, uma «teo­ria sobre os sonhos» que pri­vi­le­gia a pala­vra.

No Arqui­vo His­tó­ri­co do Exér­ci­to, em Lis­boa, por entre lon­gos e aper­ta­dos cor­re­do­res, João Bote­lho recria o escri­tó­rio de Ber­nar­do Soa­res, aju­dan­te de guar­da-livros, semi-hete­ró­ni­mo de Fer­nan­do Pes­soa e autor de «O livro do Desas­sos­se­go».

Sen­ta­do a uma mesa está o actor Cláu­dio da Sil­va, pro­ta­go­nis­ta nes­te fil­me intem­po­ral sobre um homem com­ple­xo, soli­tá­rio, que ano­tou os seus pen­sa­men­tos no frag­men­ta­do livro do desas­sos­se­go.

Dada a com­ple­xi­da­de do tex­to de Pes­soa, um livro em aber­to, dis­per­so, João Bote­lho sabia que tinha pela fren­te um pro­jec­to difí­cil.

«É demen­te, toda a gen­te diz que é impos­sí­vel adap­tar O Livro do Desassossego. É um dis­pa­ra­te lou­co, mas é sobre­tu­do uma coi­sa que ten­tei pre­ser­var: o tex­to é mais impor­tan­te que tudo», dis­se João Bote­lho.

Ape­sar da com­ple­xi­da­de, João Bote­lho encon­trou no tex­to algu­mas indi­ca­ções cine­ma­to­grá­fi­cas.

«Este tex­to só fun­ci­o­na lido em voz alta. Tem uma cama­da de músi­ca por cima da cama­da do sen­ti­do» e Pes­soa escre­veu ain­da que «devem ilu­mi­nar-se os sapa­tos das pes­so­as nor­mais com a mes­ma luz com que se ilu­mi­na a cara dos san­tos», refe­riu.

Meti­cu­lo­so com o jogo de luz e som­bra, João Bote­lho reve­lou que para «O fil­me do desas­sos­se­go» pro­cu­rou pin­to­res con­tem­po­râ­ne­os, como Ghe­rard Rich­ter e Luci­an Freud, e man­te­ve-se fiel ao con­tras­te claro/escuro.

«Acho que o cine­ma é luz e som­bras e as pes­so­as à ras­ca no meio delas, sem­pre», defen­deu.

 

Fil­me sobre a pala­vra, que João Bote­lho man­tém pra­ti­ca­men­te inal­te­ra­da a par­tir do tex­to ori­gi­nal, «O fil­me do desas­sos­se­go» é tam­bém sobre um homem, Ber­nar­do Soa­res.

«Não tem data de nas­ci­men­to nem de mor­te, tinha a mes­ma pro­fis­são do Fer­nan­do Pes­soa, aju­dan­te de guar­da-livros, vivia num quar­to modes­to, podia ter escri­to tudo sem sair do quar­to».

O fil­me, que con­ta com as par­ti­ci­pa­ções de Cláu­dio Sil­va, Rita Blan­co, Ale­xan­dra Len­cas­tre, Miguel Gui­lher­me, Cata­ri­na Wal­lens­tein, Cae­ta­no Velo­so, Lula Pena e a fadis­ta Car­mi­nho; não será exi­bi­do, por exi­gên­cia do rea­li­za­dor, em qual­quer sala de cine­ma nos cen­tros comer­ci­ais.

Ciclo “Fusões no Cinema” dedicado à Literatura

O Ciclo de Cine­ma — Fusões no Cine­ma — orga­ni­za­do pelo Cen­tro de Estu­dos Cine­ma­to­grá­fi­cos e os Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês irá reto­mar na pró­xi­ma sema­na e será dedi­ca­do ago­ra à Lite­ra­tu­ra.

Come­ça quin­ta-fei­ra dia 12 de Outu­bro às 22h00 no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha da AAC, com a estreia em Coim­bra do fil­me Com­boio de Sal e Açú­car de Licí­nio Aze­ve­do, rea­li­za­dor e escri­tor que adap­ta a sua pró­pria obra lite­rá­ria ao cine­ma. Depois ire­mos via­jar até à lite­ra­tu­ra fran­ce­sa com Albert Camus, autor que alguns clas­si­fi­cam como um apai­xo­na­do pela exis­tên­cia, cuja obra adap­ta­da Lon­ge dos homens tem ban­da sono­ra ori­gi­nal com­pos­ta por Nick Cave e War­ren Ellis.

O Ciclo que terá lugar todas as quin­tas-fei­ras de 12 de Outu­bro a 9 de Novem­bro, inclui­rá tam­bém obras adap­ta­das ao cine­ma de Luiz Ruf­fa­to, Fer­nan­do Pes­soa e José Sara­ma­go. Além dis­so, terá uma ses­são espe­ci­al para o dia das bru­xas, dia 31 de Outu­bro à 00h00, com A Ins­ta­la­ção do Medo de Ricar­do Lei­te e o fil­me pro­ta­go­ni­za­do por Nuno Melo, O Barão de Edgar Pêra que explo­ra a obra de Bran­qui­nho da Fon­se­ca num regis­to que res­sus­ci­ta o expres­si­o­nis­mo ale­mão dos anos 1920.

Programação

12 de Outu­bro — 22h00
Com­boio de Sal e Açú­car de Licí­nio Aze­ve­do

19 de Outu­bro — 22h00
Lon­ge dos homens de David Oelhof­fen

26 de Outu­bro — 22h00
Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você de José Baraho­na

31 de Outu­bro — 00h00
A Ins­ta­la­ção do Medo de Ricar­do Lei­te
O Barão de Edgar Pêra

 

2 de Novem­bro — 22h00
Fil­me do Desas­sos­se­go de João Bote­lho
Ses­são comen­ta­da por Manu­el Por­te­la (FLUC)

9 de Novem­bro — 22h00
Ensaio sobre a Ceguei­ra de Fer­nan­do Mei­rel­les

Entra­da Livre

A Literatura no Cinema

Vir­gí­lio Fer­rei­ra, ao con­trá­rio daqui­lo que era defen­di­do por Ing­mar Berg­man, con­si­de­ra­va que o Fil­me pode­ria ser um meio de pro­jec­ção das idei­as lite­rá­ri­as de um escri­tor. Do livro ao fil­me, pou­co se per­de quan­to ao con­cei­to que fun­da­men­ta a Obra, mudan­do ape­nas o seu for­ma­to e meio para apre­en­são do lei­tor-espec­ta­dor.

Con­si­de­ra­mos que o que une a Lite­ra­tu­ra ao Cine­ma é a par­ti­ci­pa­ção acti­va daque­le que lê e que assis­te ao fil­me. Seja trans­for­mar pala­vras em qua­dros ima­gé­ti­co-ima­gi­ná­ri­os pela men­te do lei­tor, ou a trans­for­ma­ção de ima­gem fixa em movi­men­to pelo cére­bro do espec­ta­dor, há uma neces­si­da­de pre­men­te da men­te daque­le que se sub­me­te à recep­ção da Obra.

Mais que um meio de comu­ni­ca­ção de tex­to, atra­vés do argu­men­to por exem­plo, o Fil­me que se baseia no Livro é uma opor­tu­ni­da­de de mudan­ça de pers­pec­ti­va. O que o Fil­me con­se­gue for­ne­cer, é a capa­ci­da­de de ver com olhos aber­tos a for­ma como o Rea­li­za­dor mon­tou men­tal­men­te o tex­to que leu e assim o explo­rou. Na prá­ti­ca, o que o Rea­li­za­dor faz é des­vi­ar o olhar do lei­tor con­ven­ci­o­nal, que olha para bai­xo, levan­do-o a erguer os olhos para a tela, ouvin­do e ven­do o esque­le­to nar­ra­ti­vo dei­xa­do pelo Escri­tor, enri­que­ci­do com ele­men­tos téc­ni­cos e esté­ti­cos cine­ma­to­grá­fi­cos para uma apre­en­são do cer­ne argu­men­ta­ti­vo.

Nes­te ciclo, pre­ten­de-se que o típi­co espec­ta­dor seja arras­ta­do para o mun­do da Lite­ra­tu­ra, dei­xan­do-lhe a semen­te da curi­o­si­da­de lite­rá­ria, ao mes­mo tem­po que apro­xi­ma­mos os apai­xo­na­dos pelos clás­si­cos a uma nova for­ma de ver o tex­to em movi­men­to. Via­jan­do pelo mun­do cri­a­ti­vo de diver­sos auto­res, o espec­ta­dor terá a opor­tu­ni­da­de de ver o Tex­to e o Escri­tor em tela, dei­xan­do-se mar­car pela capa­ci­da­de cri­a­ti­va num sen­ti­do duplo: da Escri­ta e da Rea­li­za­ção. É a opor­tu­ni­da­de de jun­tar lei­to­res e ciné­fi­los, ambos com o dese­jo de assi­mi­la­ção da arte pela sua con­tri­bui­ção acti­va: sem lei­tor, o escri­to não ganha vida; sem espec­ta­dor, a tela apre­sen­ta meras ima­gens sem movi­men­to.

O Ciclo “Fusões no Cine­ma”  será comen­ta­do por Manu­el Por­te­la.

https://apps.uc.pt/mypage/faculty/mportela/

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Ciclo de Cinema “Fusões no Cinema” dedicado à Música

Os Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês e o Cen­tro de Estu­dos Cine­ma­to­grá­fi­cos reto­mam o seu ciclo de cine­ma “Fusões no Cine­ma” esta quin­ta-fei­ra dia 18 de Maio. O ciclo terá lugar todas as quin­tas-fei­ras às 22h00 no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha da Asso­ci­a­ção Aca­dé­mi­ca de Coim­bra. A pro­gra­ma­ção inclui obras espe­ci­al­men­te dedi­ca­das à músi­ca e per­cor­re o espí­ri­to da con­tra­cul­tu­ra naci­o­nal, des­de os anos 60 com o fil­me Meio Metro de Pedra, aos anos 80 com o gru­po Heróis do Mar retra­ta­do em Bra­va Dan­ça, até hoje, acom­pa­nhan­do a ban­da Huma­nos que reto­mou a obra de Antó­nio Vari­a­ções e tam­bém, David San­tos com os temas de Noi­serv. Depois nave­ga­mos até ao outro lado do oce­a­no Atlân­ti­co ao rit­mo do Tan­go com A mor­te de Car­los Gar­del, obra adap­ta­da de Antó­nio Lobo Antu­nes e por fim, che­ga­mos até à cida­de Sura­baia, onde nos encon­tra­mos com uma gera­ção de jovens indo­né­si­os que se jun­tam à vol­ta duma cul­tu­ra musi­cal con­tro­ver­sa, o black metal.

Entra­da gra­tui­ta e limi­ta­da à lota­ção da sala

Programação

18 de Maio

Meio Metro de Pedra de Edu­ar­do Morais / 68min / 2011

Boa noi­te, sejam bem-vin­dos a mais uma emis­são do Meio Metro de Pedra. O pro­gra­ma que todas as sema­nas vos con­ta as his­tó­ri­as que uma data de meni­nos e meni­nas anda­ram a fazer pelo rock do nos­so belo país.”

Assim arran­ca o docu­men­tá­rio sobre a con­tra­cul­tu­ra do rock’n’roll naci­o­nal des­de o seu sur­gi­men­to no fim da déca­da de 50 até aos nos­sos dias. Na déca­da de 60, ins­pi­ra­dos por ban­das como os Sha­dows, Bill Haley ou os Bea­tles, cer­ca de 3000 con­jun­tos de nor­te a sul de um país sob a alça­da de Oli­vei­ra Sala­zar aba­la­ram as edi­to­ras incons­ci­en­tes des­te som emer­gen­te. Um impul­so de espí­ri­to ousa­do que per­cor­reu o psi­ca­de­lis­mo dos Jets, o punk dos Aqui D’el Rock, e se esta­be­le­ceu em pon­tos nevrál­gi­cos como Bra­ga, Coim­bra ou Bar­rei­ro. Um peda­ço da his­tó­ria de Por­tu­gal que ten­de a ser ocul­ta­do sobre­vi­ve atra­vés do selo inde­pen­den­te da Ama Roman­ta, da Bee Kee­per, da Lux ou da Gro­o­vie Records, e tem nes­te docu­men­tá­rio de Edu­ar­do Morais, a sua mere­ci­da cele­bra­ção.

25 de Maio

Bra­va Dan­ça de Jor­ge Pires e José Pinhei­ro / 80min / 2007

Um docu­men­tá­rio de Jor­ge Pires e José Pinhei­ro que revi­si­ta a his­tó­ria do gru­po Heróis do Mar. Um con­fron­to entre as ima­gens de um Por­tu­gal anti­go e de um Por­tu­gal moder­no. As idei­as, os ide­ais e as dinâ­mi­cas da músi­ca popu­lar por­tu­gue­sa da déca­da de 80, pela voz dos músi­cos e não-músi­cos envol­vi­dos.

1 de Junho

Huma­nos — A Vida em Vari­a­ções de Antó­nio Fer­rei­ra / 35min / 2006

Um dia, inad­ver­ti­da­men­te, é des­co­ber­ta uma cai­xa de sapa­tos esque­ci­da numa pra­te­lei­ra de uma edi­to­ra dis­co­grá­fi­ca. Den­tro des­ta, estão cas­se­tes con­ten­do gra­va­ções iné­di­tas de Antó­nio Vari­a­ções, que ele fazia num peque­no gra­va­dor no seu quar­to, regis­tan­do os mais inti­mos momen­tos de ins­pi­ra­ção. Ao escu­tar estas gra­va­ções, onde Vari­a­ções can­ta­va na mais pura das situ­a­ções — sem acom­pa­nha­men­to musi­cal, às vezes mes­mo sus­sur­ran­do para não acor­dar os vizi­nhos — per­ce­beu-se que este tesou­ro não podia ficar por reve­lar. Assim nas­ce­ram os HUMANOS. Uma super-ban­da, cons­ti­tui­da por super-músi­cos, onde Manu­e­la Aze­ve­do, David Fon­se­ca e Cama­né dão voz às músi­cas e letras de Antó­nio Vari­a­ções. Este fil­me acom­pa­nha o pro­ces­so de pre­pa­ra­ção dos espec­tá­cu­los ao vivo nos Coli­seus de Lis­boa e Por­to no Verão de 2005, bem como nos reve­la de que for­ma os músi­cos abor­da­ram estes esbo­ços de can­ções, que ape­sar de des­pi­dos, con­ti­nham toda a vibra­ção e ener­gia que Antó­nio Vari­a­ções nos dei­xou.

Noi­serv {Ses­são Dupla} de Pau­lo Dias / 25min / 2011

A par­tir dos temas de Noi­serv, um pro­jec­to musi­cal por­tu­guês inter­pre­ta­do por David San­tos, con­ta-se a his­tó­ria de três per­so­na­gens com dife­ren­tes ambi­ções. Numa via­gem entre memó­ri­as e sonhos, a fic­ção é inter­ca­la­da num fil­me con­cer­to que pode­ria ser a ban­da-sono­ra para o dia-a-dia.

8 de Junho

A mor­te de Car­los Gar­del de Sol­veig Nor­dlund / 85min / 2011

Um jovem (Car­los Mal­va­rez) toxi­co­de­pen­den­te está a mor­rer num hos­pi­tal. Jun­to a ele, à medi­da que vão viven­do a evo­lu­ção da sua ago­nia, cada um dos seus fami­li­a­res mais pró­xi­mos evo­ca uma teia de recor­da­ções, de memó­ri­as obses­si­vas e de vivên­ci­as actu­ais. Todos eles são por­ta­do­res de sonhos e desa­len­tos da vida. O pai do jovem (Rui Moris­son), apai­xo­na­do pelo tan­go e pela figu­ra de Car­los Gar­del, o mais famo­so dos can­to­res de tan­go argen­ti­no, per­cor­re sim­bo­li­ca­men­te um rosá­rio de situ­a­ções dolo­ro­sas. Deli­ran­te, con­fun­de-o com um can­tor pare­ci­do (Ruy de Car­va­lho).

15 de Junho

À l’est de l’enfer de Matthi­eu Cana­gui­er / 45min / 2013

Sura­baia. Caos urba­no, labi­rin­to de fer­ro e cimen­to. No cora­ção da cida­de toda uma gera­ção de jovens indo­né­si­os pro­cu­ram-se, revol­tam-se e jun­tam-se à vol­ta duma músi­ca under­ground e con­tro­ver­sa: O Black Metal.

Ciclo de Cinema “Paisagens Culturais”

O Cen­tro de Estu­dos Cine­ma­to­grá­fi­cos e o Museu Mono­grá­fi­co de Conim­bri­ga apre­sen­tam como pro­gra­ma­ção cul­tu­ral no âmbi­to do Dia Inter­na­ci­o­nal dos Museus, este ano sob a dire­triz “Museus e Pai­sa­gens Cul­tu­rais”, um Ciclo de Cine­ma.

Atra­vés da “Séti­ma Arte” pro­cu­ram-se redes­co­brir outras pai­sa­gens, outras estó­ri­as, cen­tra­das na cida­de de Coim­bra. Des­de a obra pri­ma “Capas Negras”, onde a fadis­ta Amá­lia Rodri­gues reve­lou o seu talen­to como atriz, pas­san­do tam­bém pelas lutas aca­dé­mi­cas dos anos 1969 em “Fute­bol de Cau­sas”. “O Ras­gan­ço”, “Quin­to Impé­rio” e “O Arqui­tec­to e a Cida­de Velha” são outras das obras que per­mi­ti­rão fazer uma via­gem pelo tem­po, per­cor­rer momen­tos his­tó­ri­cos, obser­var pano­ra­mas e ico­no­gra­fi­as diver­sas, retra­ta­das pelo olhar pecu­li­ar de rea­li­za­do­res por­tu­gue­ses.

Entre os dias 17 e 21 de Maio, a par­tir das 21h30, no Audi­tó­rio do Museu Mono­grá­fi­co de Conim­bri­ga. A Entra­da é Gra­tui­ta e limi­ta­da a 90 luga­res.

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Como com­ple­men­to a este ciclo de cine­ma há a pos­si­bi­li­da­de de se jan­tar no Res­tau­ran­te do Museu Mono­grá­fi­co de Conim­bri­ga. A reser­va para jan­tar asse­gu­ra auto­ma­ti­ca­men­te lugar na sala.

Emen­ta (10 € por pes­soa com tudo incluí­do):
Dia 17: Cal­do ver­de, Chur­ras­qui­nho de por­co pre­to, Pan­na-cot­ta.
Dia 18: Sopa de espi­na­fres, Lom­bi­nho reche­a­do com amei­xas, Bolo de cho­co­la­te com gela­do.
Dia 19: Sopa do mar, Sal­mão con­fi­ta­do, Bolo de ana­nás com gela­do.
Dia 20: Sopa de legu­mes, Tibor­na­da de baca­lhau, Tor­ta de laran­ja.
Dia 21: Duo de cenou­ra e cou­ve-flor, Perú reche­a­do com alhei­ra, Tira­mi­sú

Mais infor­ma­ção atra­vés do 239 941 177 / conimbriga@dgpc.pt