A Literatura no Cinema

fusoes
fusoesVir­gí­lio Fer­rei­ra, ao con­trá­rio daqui­lo que era defen­di­do por Ing­mar Berg­man, con­si­de­ra­va que o Fil­me pode­ria ser um meio de pro­jec­ção das idei­as lite­rá­ri­as de um escri­tor. Do livro ao fil­me, pou­co se per­de quan­to ao con­cei­to que fun­da­men­ta a Obra, mudan­do ape­nas o seu for­ma­to e meio para apre­en­são do leitor-espectador.

Con­si­de­ra­mos que o que une a Lite­ra­tu­ra ao Cine­ma é a par­ti­ci­pa­ção acti­va daque­le que lê e que assis­te ao fil­me. Seja trans­for­mar pala­vras em qua­dros ima­gé­ti­co-ima­gi­ná­ri­os pela men­te do lei­tor, ou a trans­for­ma­ção de ima­gem fixa em movi­men­to pelo cére­bro do espec­ta­dor, há uma neces­si­da­de pre­men­te da men­te daque­le que se sub­me­te à recep­ção da Obra.

Mais que um meio de comu­ni­ca­ção de tex­to, atra­vés do argu­men­to por exem­plo, o Fil­me que se baseia no Livro é uma opor­tu­ni­da­de de mudan­ça de pers­pec­ti­va. O que o Fil­me con­se­gue for­ne­cer, é a capa­ci­da­de de ver com olhos aber­tos a for­ma como o Rea­li­za­dor mon­tou men­tal­men­te o tex­to que leu e assim o explo­rou. Na prá­ti­ca, o que o Rea­li­za­dor faz é des­vi­ar o olhar do lei­tor con­ven­ci­o­nal, que olha para bai­xo, levando‑o a erguer os olhos para a tela, ouvin­do e ven­do o esque­le­to nar­ra­ti­vo dei­xa­do pelo Escri­tor, enri­que­ci­do com ele­men­tos téc­ni­cos e esté­ti­cos cine­ma­to­grá­fi­cos para uma apre­en­são do cer­ne argumentativo.

Nes­te ciclo, pre­ten­de-se que o típi­co espec­ta­dor seja arras­ta­do para o mun­do da Lite­ra­tu­ra, dei­xan­do-lhe a semen­te da curi­o­si­da­de lite­rá­ria, ao mes­mo tem­po que apro­xi­ma­mos os apai­xo­na­dos pelos clás­si­cos a uma nova for­ma de ver o tex­to em movi­men­to. Via­jan­do pelo mun­do cri­a­ti­vo de diver­sos auto­res, o espec­ta­dor terá a opor­tu­ni­da­de de ver o Tex­to e o Escri­tor em tela, dei­xan­do-se mar­car pela capa­ci­da­de cri­a­ti­va num sen­ti­do duplo: da Escri­ta e da Rea­li­za­ção. É a opor­tu­ni­da­de de jun­tar lei­to­res e ciné­fi­los, ambos com o dese­jo de assi­mi­la­ção da arte pela sua con­tri­bui­ção acti­va: sem lei­tor, o escri­to não ganha vida; sem espec­ta­dor, a tela apre­sen­ta meras ima­gens sem movimento.

Pro­gra­ma­ção

12 de Outu­bro – 22h00
Com­boio de Sal e Açú­car de Licí­nio Azevedo

19 de Outu­bro – 22h00
Lon­ge dos homens de David Oelhoffen

26 de Outu­bro – 22h00
Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você de José Barahona

31 de Outu­bro – 00h00
A Ins­ta­la­ção do Medo de Ricar­do Leite
O Barão de Edgar Pêra

2 de Novem­bro – 22h00
Fil­me do Desas­sos­se­go de João Botelho

9 de Novem­bro – 22h00
Ensaio sobre a Ceguei­ra de Fer­nan­do Meirelles

Entra­da Livre

Sai­ba mais na seguin­te liga­ção: A Lite­ra­tu­ra no Cine­ma.