Centro de Estudos Cinematográficos
Tres Dias sem Deus

Primeira longa-metragem realizada por uma mulher encerra Festival Caminhos

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Tres Dias sem Deus

Três Dias sem Deus”, rea­li­za­do por Bár­ba­ra Vir­gí­nia em 1946, será exi­bi­do na noi­te de 20 de novem­bro, no Tea­tro Aca­dé­mi­co de Gil Vicente

O fil­me “Três Dias sem Deus”, de Bár­ba­ra Vir­gí­nia, pri­mei­ra lon­ga-metra­gem de fic­ção rea­li­za­da por uma mulher em Por­tu­gal, será exi­bi­do na ses­são de encer­ra­men­to do Fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês, a 20 de novem­bro, às 21h45, no Tea­tro Aca­dé­mi­co de Gil Vicen­te, em Coim­bra. Os 27 minu­tos de fil­me que res­tam da cópia ori­gi­nal serão acom­pa­nha­dos musi­cal­men­te pelo gui­tar­ris­ta Mar­ce­lo dos Reis, numa noi­te que terá tam­bém a entre­ga de pré­mi­os do Festival.

Tra­ta-se de uma cópia res­tau­ra­da da pelí­cu­la que estre­ou em agos­to de 1946, no Cine­ma Giná­sio. Nes­se mes­mo ano, inte­grou a comi­ti­va da pri­mei­ra edi­ção do Fes­ti­val de Can­nes. Para além de rea­li­za­do­ra, Bár­ba­ra Vir­gí­nia é a pro­ta­go­nis­ta de um fil­me que con­ta ain­da com Lin­da Rosa, Maria Cle­men­ti­na, Antó­nio Sacra­men­to, Elvi­ra Velez, Joa­quim Miran­da, Lau­ra Fer­nan­des, Jor­ge Gen­til, Manu­el Mari­a­no, Casi­mi­ro Rodri­gues, Álva­ro Pires e Antó­nio Marques.

Bár­ba­ra Vir­gí­nia, nome artís­ti­co de Maria de Lour­des Dias Cos­ta, nas­ceu em Lis­boa a 15 de novem­bro de 1923, ten­do estu­da­do, como atriz, no Con­ser­va­tó­rio Naci­o­nal de Lis­boa. Come­çou a sua car­rei­ra artís­ti­ca e pro­fis­si­o­nal na Emis­so­ra Naci­o­nal como decla­ma­do­ra e can­to­ra líri­ca. Pou­co depois inte­grou o gru­po de bai­la­do do Tea­tro São Car­los. A 25 de outu­bro de 1946 estreia-se no Tea­tro Maria Vitó­ria, numa revis­ta à por­tu­gue­sa — na épo­ca era fre­quen­te par­ti­ci­pa­rem acto­res de for­ma­ção clás­si­ca, como decla­ma­do­ras — dizen­do ver­sos de Fer­nan­da de Cas­tro, Flor­be­la Espan­ca, Catul­lo da Pai­xão Cae­ren­se entre outros.

Em 1952 emi­gra para o Bra­sil, onde faz car­rei­ra na tele­vi­são, rádio e tea­tro. Reti­ra-se em 1963, aos 40 anos, dedi­can­do-se à escri­ta e a um negó­cio na res­tau­ra­ção. Bár­ba­ra Vir­gí­nia fale­ceu em 2015, em São Paulo.

Segun­do o dire­tor de cine­ma Ricar­do Viei­ra Lis­boa, o fil­me “Três Dias sem Deus” está par­ci­al­men­te per­di­do, res­tan­do dele ape­nas uma par­te de ban­da de ima­gem sem ban­da de som, num total de 26 minu­tos arqui­va­dos no ANIM, num total de 868 metros de pelí­cu­la de 35mm. Dos 102 minu­tos de fil­me que se estre­a­ram em 1946 só se con­ser­vou menos que a quar­ta parte.

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O acom­pa­nha­men­to musi­cal do fil­me será fei­to por Mar­ce­lo dos Reis. Nas­ci­do em Lis­boa em 1984, vive em Coim­bra, onde tem desen­vol­vi­do a sua car­rei­ra musi­cal no jazz, ten­do já toca­do com deze­nas de músi­cos naci­o­nais e internacionais.

fon­te: Pri­mei­ra lon­ga-metra­gem rea­li­za­da por uma mulher encer­ra Fes­ti­val Caminhos

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