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Estive em Lisboa e Lembrei de Você um Filme de José Barahona

Sér­gio, um modes­to fun­ci­o­ná­rio da Com­pa­nhia Indus­tri­al de Cata­gua­ses, Minas Gerais (Bra­sil), sofre uma revi­ra­vol­ta na sua vida: a sua mulher enlou­que­ce, ele per­de o empre­go e a cus­tó­dia do filho.
Deci­de emi­grar para Lis­boa, a con­se­lho dos ami­gos, em bus­ca de opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho para recom­por a sua vida. Ao che­gar, Sér­gio é con­fron­ta­do com a dura rea­li­da­de da imi­gra­ção; o dia-a-dia e o con­tras­te cul­tu­ral vão reve­lar um lugar dife­ren­te daque­le com que sonha­ra.
Este fil­me cujo argu­men­to foi adap­ta­do do roman­ce homó­ni­mo do pre­mi­a­do escri­tor bra­si­lei­ro Luiz Ruf­fa­to será exi­bi­do no dia 26 de Outu­bro às 22:00. A entra­da no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha é livre. 

Introdução Histórica

Sér­gio de Sou­za Sam­paio (Pau­lo Aze­ve­do) nas­ceu em Minas Gerais, quan­do, por for­ça das cir­cuns­tân­ci­as, se vê sem empre­go, sem a mulher e sem o filho, resol­ve dar uma vol­ta à sua vida e emi­grar para Por­tu­gal. É assim que che­ga a Lis­boa, em bus­ca de opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho e cheio de espe­ran­ça numa vida melhor. Mas o que ele vai encon­trar é algo mui­to dife­ren­te do ide­a­li­za­do: os empre­gos escas­sei­am e as pou­cas vagas que sobram são mal remu­ne­ra­das. Lon­ge da famí­lia e do país que o viu nas­cer, vai ter de enfren­tar a soli­dão, o des­pre­zo e a estra­nhe­za de um povo mui­to dife­ren­te do seu.

Co-pro­du­ção entre Bra­sil e Por­tu­gal, “Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você” é a adap­ta­ção cine­ma­to­grá­fi­ca do roman­ce homó­ni­mo de Luiz Ruf­fa­to. A rea­li­za­ção e argu­men­to fica a car­go de José Baraho­na (“Bue­nos Aires Hora Zero”, “O Manus­cri­to Per­di­do”), cine­as­ta por­tu­guês radi­ca­do no Bra­sil.

SOBRE O REALIZADOR

Nas­ceu em Lis­boa em 1969 e resi­de atu­al­men­te no Rio de Janei­ro, Bra­sil. José Baraho­na rea­li­zou diver­sos docu­men­tá­ri­os e cur­tas-metra­gens des­de 1995, altu­ra em que se for­mou em Lis­boa na Esco­la Supe­ri­or de Tea­tro e Cine­ma, ten­do con­cre­ti­za­do os seus estu­dos em Cuba e em Nova Ior­que. Como rea­li­za­dor o seu tra­ba­lho tran­si­ta num ter­ri­tó­rio híbri­do em que docu­men­tá­rio e fic­ção se mis­tu­ram: os seus docu­men­tá­ri­os têm, mui­tas vezes, dis­po­si­ti­vos fic­ci­o­nais, e as suas fic­ções uma rela­ção mui­to estrei­ta com o docu­men­tal. Nes­se sen­ti­do des­ta­cam-se o docu­men­tá­rio lon­ga-metra­gem O Manus­cri­to Per­di­do (2010), ven­ce­dor, entre outros, do Pré­mio TV Bra­sil de Melhor Lon­ga-metra­gem na 15ª Mos­tra Inter­na­ci­o­nal do Fil­me Etno­grá­fi­co (RJ). Foi publi­ca­do um livro sobre o fil­me com a chan­ce­la Selo Tor­de­si­lhas, com pre­fá­cio de Nel­son Perei­ra dos San­tos e o docu­men­tá­rio Milho (Pré­mio Cine­E­co
em Movi­men­to, Cine­E­co, Seia, Por­tu­gal, 2009). Rea­li­zou tam­bém a cur­ta-metra­gem
Pas­to­ral (2004), con­quis­tan­do os pré­mi­os de Melhor Cur­ta-Metra­gem no Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês (Coim­bra, 2005) e a Men­ção Hon­ro­sa no Fan­tas­por­to (Por­to, 2005).
Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você é a sua pri­mei­ra lon­ga-metra­gem de fic­ção.

ENTREVISTA A JOSÉ BARAHONA

Foi após a lei­tu­ra do livro de Luiz Rufat­to que deci­dis­te fazer o fil­me Esti­ve em Lis­boa e Lem­brei de Você? O que mais te cati­vou e ins­pi­rou no livro?


Hou­ve vári­os aspe­tos que me cati­va­ram assim que li o livro. Pri­mei­ro o fac­to de o livro ser apre­sen­ta­do, na intro­du­ção, como um depoi­men­to dado por Sér­gio de Sou­za Sam­paio, o pro­ta­go­nis­ta, ao autor em Lis­boa e de o livro ser dedi­ca­do a um ami­go de Ruf­fa­to que lhe apre­sen­tou o Sér­gi­nho. Depois des­sa nota intro­du­tó­ria, o que se segue é uma supos­ta trans­cri­ção da entre­vis­ta dada por Sér­gio na
pri­mei­ra pes­soa. Isso dá ao rela­to um “selo” de vero­si­mi­lhan­ça. Mas … tra­ta-se de um roman­ce. Sér­gio
é uma pes­soa real? Não sei. Não impor­ta. Ele é um per­so­na­gem de um livro. Ora em cine­ma isso seria,
se fizés­se­mos uma trans­po­si­ção lite­ral, aqui­lo que cha­ma­mos de “fal­so docu­men­tá­rio”. Pode­ría­mos ima­gi­nar uma entre­vis­ta fei­ta por alguém, num pla­no clás­si­co de depoi­men­to de docu­men­tá­rio em
que um ator repre­sen­ta­ria esse rela­to. Ima­gi­nei ime­di­a­ta­men­te que esse rela­to seria entre­cor­ta­do com a recons­ti­tui­ção fic­ci­o­nal de algu­mas das cenas do livro cri­an­do assim um híbri­do entre o “fal­so docu­men­tá­rio” e a fic­ção. Tal­vez até mes­mo encon­trar alguém em Cata­gua­ses, cida­de natal de Sér­gi­nho, que qui­ses­se vir para Lis­boa e usar a sua vin­da, suas moti­va­ções e sonhos como ânco­ra do fil­me. Isso não veio a acon­te­cer pois a cri­se esta­va à por­ta em 2010/11, e o que acon­te­cia era que os bra­si­lei­ros que esta­vam em Lis­boa come­ça­vam a pen­sar no seu regres­so.

Depois o fac­to de eu, e mui­tos por­tu­gue­ses, sem­pre con­vi­ver­mos com pes­so­as com his­tó­ri­as de vida seme­lhan­tes: a imi­gra­ção de pes­so­as menos qua­li­fi­ca­das que tra­ba­lham em Lis­boa e nou­tras cida­des de Por­tu­gal em res­tau­ran­tes, bares, cafés, na cons­tru­ção civil, etc. Mas eu tinha mui­ta curi­o­si­da­de de saber como era a vida deles antes de che­ga­rem a Lis­boa. Dis­so eu pou­co sabia. Se por um lado hou­ve mui­tos bra­si­lei­ros que vie­ram para Lis­boa já com tra­ba­lho asse­gu­ra­do como publi­ci­tá­ri­os, arqui­te­tos ou outras pro­fis­sões, inclu­si­ve no audi­o­vi­su­al, estas pes­so­as mais humil­des sonha­vam com um Por­tu­gal e uma Lis­boa onde pode­ri­am cons­truir uma vida melhor. Isso intri­ga­va-me des­de há mui­to. Foi pre­ci­so come­çar a tra­ba­lhar no Bra­sil e a conhe­cer mais de per­to a sua rea­li­da­de para per­ce­ber que a misé­ria no Bra­sil é mui­to mais pro­fun­da e desu­ma­na que em Por­tu­gal. Quan­do esta­mos em Por­tu­gal temos ten­dên­cia a pen­sar que as coi­sas estão mui­to mal, que a vida é mui­to difí­cil eco­no­mi­ca­men­te, que é o pior país do mun­do. Não é. Mes­mo com a cri­se em Por­tu­gal, e mes­mo com todos os pro­gres­sos alcan­ça­dos pelas polí­ti­cas soci­ais dos últi­mos gover­nos no Bra­sil, infe­liz­men­te a misé­ria no Bra­sil é infi­ni­ta­men­te supe­ri­or à exis­ten­te em Por­tu­gal. O grau de pobre­za, de escra­vi­dão, de fome e de explo­ra­ção do homem pelo homem, as desi­gual­da­des e o abis­mo soci­al entre ricos e pobres é mui­to mai­or!
E final­men­te eu quis fazer des­te livro um fil­me por­que ele é de cer­ta for­ma um espe­lho de mim pró­prio. Dadas todas as dis­tân­ci­as que refe­ri ante­ri­or­men­te, eu esta­va nes­se momen­to a che­gar ao Bra­sil

como imi­gran­te por cau­sa da cri­se por­tu­gue­sa e por cau­sa da para­li­sia total na pro­du­ção de cine­ma que se deu nes­sa épo­ca. Essa des­lo­ca­ção, o estar fora do meu lugar é algo com que me iden­ti­fi­ca­va.
Eu pode­ria des­co­brir o pas­sa­do do pro­ta­go­nis­ta no Bra­sil, e retra­tar o estra­nha­men­to dele na cida­de onde vivi qua­se toda a minha vida.

Dizes que ao che­gar a Lis­boa a per­so­na­gem se deba­teu com uma rea­li­da­de dife­ren­te daque­la que sonha­ra. Com que Lis­boa sonha­va ele?

Não sei bem… não sei bem com o que sonha­mos quan­do par­ti­mos do nos­so lugar para um lugar que não o nos­so. Há um mito de Lis­boa, “a mag­ní­fi­ca” no ima­gi­ná­rio bra­si­lei­ro. O lugar onde tudo come­çou, as ori­gens, a arqui­te­tu­ra dos velhos pré­di­os lis­bo­e­tas que se pare­ce com as cida­des colo­ni­ais no Bra­sil. A Euro­pa, em geral, como um lugar mais tran­qui­lo, paci­fi­co. Para os indí­ge­nas o come­ço do fim.
O que che­ga ao Bra­sil não é a deca­dên­cia soci­al, eco­nó­mi­ca e polí­ti­ca que está a acon­te­cer em Por­tu­gal. Isso é uma coi­sa que acon­te­ce mui­to. O “quin­tal do vizi­nho é sem­pre melhor que o meu”. É pre­ci­so
viver num deter­mi­na­do lugar para per­ce­ber­mos os pro­ble­mas que aí exis­tem. Mas para os bra­si­lei­ros e por­tu­gue­ses, em geral, acho que exis­te a sen­sa­ção que, por cau­sa da lín­gua e das rela­ções his­tó­ri­cas,
será mais fácil encon­trar o nos­so lugar ao fazer essa tro­ca de país. Os bra­si­lei­ros, por terem sem­pre rece­bi­do e até sido inva­di­dos pelos por­tu­gue­ses, por terem graus de paren­tes­co fami­li­ar (qua­se todos
os bra­si­lei­ros têm algu­ma ascen­dên­cia por­tu­gue­sa pró­xi­ma), pen­sam que serão bem rece­bi­dos em Por­tu­gal. De algu­ma for­ma Por­tu­gal para os bra­si­lei­ros é um lugar onde tam­bém podem per­ten­cer. O que mui­tas vezes não é tão sim­ples assim. Além dis­so quan­do se vai para fora do nos­so país per­de­mos as nos­sas refe­rên­ci­as. E falo no plu­ral, por mim, pelo Sér­gio e pelos mui­tos imi­gran­tes que encon­trei e
entre­vis­tei na pes­qui­sa para este e outros fil­mes. Os ami­gos, a famí­lia e a cul­tu­ra ficam para trás. Não é fácil… Nun­ca é mui­to fácil. E há toda uma série de pro­ble­mas que podem acon­te­cer… No fun­do todos pro­cu­ra­mos uma vida melhor. Poder tra­ba­lhar e sus­ten­tar as nos­sas famí­li­as. Esse é o pon­to cen­tral daqui­lo que se pro­cu­ra, um sonho de uma vida melhor, num novo lugar onde se pos­sa per­ten­cer.

Pro­cu­ras­te pes­so­as que tinham his­tó­ri­as seme­lhan­tes às des­cri­tas no livro. Como foi essa pes­qui­sa?
Na ver­da­de eu fiz o cami­nho inver­so que o Luiz Ruf­fa­to fez. Ele deve ter encon­tra­do essas pes­so­as e trans­for­mou-as em per­so­na­gens do seu livro. Ou jun­tou his­tó­ri­as e cons­truiu as per­so­na­gens a par­tir
de vári­as pes­so­as com vidas seme­lhan­tes. Eu pro­cu­rei pes­so­as que tives­sem his­tó­ri­as de vida pare­ci­das com as que Ruf­fa­to des­cre­ve e trans­for­mei-as em per­so­na­gens do fil­me. Na ver­da­de, eu não que­ria que isso fos­se notó­rio no fil­me, mas isso vem um pou­co da minha expe­ri­ên­cia no docu­men­tá­rio.
A úni­ca dife­ren­ça é que em cena, mui­tas vezes, essas pes­so­as que repre­sen­tam elas pró­pri­as em vez de falar para mim, fora do qua­dro, falam para o Sér­gio. Por isso tam­bém ele é um espe­lho de mim
pró­prio. Por vezes, eu fica­va com o lugar do Pau­lo Aze­ve­do, o actor que inter­pre­ta o Sér­gio, e fica­va per­to dele e per­gun­ta­va coi­sas, ou segre­da­va ao seu ouvi­do as per­gun­tas que ele pode­ria fazer. Enfim,
o fil­me é mui­to híbri­do por­que mis­tu­ra mui­tas téc­ni­cas do docu­men­tá­rio e da fic­ção, ence­nan­do o docu­men­tá­rio como sem­pre fiz nos meus outros fil­mes. Não é mui­to impor­tan­te o pro­ces­so. Impor­ta que o resul­ta­do final é um tra­ba­lho con­jun­to para o qual todos con­tri­buí­ram. Não tem nada a ver com uma apro­xi­ma­ção à rea­li­da­de. A rea­li­da­de de um fil­me é o fil­me quan­do é vis­to.


Come­ças­te a tua pro­cu­ra em Cata­gua­ses, no entan­to não encon­tras­te nin­guém que tives­se par­ti­do.
Qual foi o pas­so seguin­te?

Encon­trar o ator per­fei­to para encar­nar o Sér­gio: o Pau­lo Aze­ve­do.

No iní­cio pen­sas­te em fazer um docu­men­tá­rio sobre o livro. O que te levou a mudar de ideia?


No iní­cio, pen­sei que iria usar mais a lin­gua­gem do que habi­tu­al­men­te cha­ma­mos docu­men­tá­rio. No entan­to, fui aban­do­nan­do a ideia a meio do pro­ces­so. Mas ape­nas apa­ren­te­men­te, como dis­se antes.
O fil­me pare­ce fic­ção, mas tem mui­to de docu­men­tal. Há um momen­to em que os fil­mes se liber­tam dos seus auto­res. Pelo menos, isso acon­te­ce comi­go e acon­te­ceu-me nes­te fil­me. O fil­me toma vida pró­pria, como se pedis­se para ser fei­to de uma deter­mi­na­da manei­ra, com uma deter­mi­na­da lin­gua­gem que já não somos nós que con­tro­la­mos. Ape­nas vamos atrás do fil­me e do que e
deman­da. Não sei expli­car… é como se cri­as­se a sua pró­pria dinâ­mi­ca da qual já não se pode esca­par. Isso é bom, por­que sig­ni­fi­ca que estás a tra­ba­lhar em algo con­sis­ten­te, algo que tomou um rumo mui­to deter­mi­na­do no qual as esco­lhas do rea­li­za­dor são de for­ma a seguir um rumo tra­ça­do. É o fil­me, são as ima­gens e os sons que ao serem mani­pu­la­dos na fil­ma­gem e na mon­ta­gem tomam for­ma que para o meu olhar só pode­ria ser aque­la.

Tra­ta-se de uma his­tó­ria bas­tan­te atu­al. A ida dos pobres para a Euro­pa. Que para­le­lis­mo fazes com a recen­te ques­tão dos refu­gi­a­dos?


Os refu­gi­a­dos, mais do que uma vida melhor, pro­cu­ram a sobre­vi­vên­cia. É um caso ain­da mais extre­mo. Uma guer­ra é algo sem expli­ca­ção e jus­ti­fi­ca­ção. No entan­to, sei ago­ra que mui­tas pes­so­as no Bra­sil vivem em luga­res de “qua­se-guer­ra”, que é o que acon­te­ce nas fave­las con­tro­la­das pelo trá­fi­co no Rio de Janei­ro, por exem­plo. Quan­do o trá­fi­co proí­be as pes­so­as de sair de casa num deter­mi­na­do dia, quan­do as pes­so­as não vão tra­ba­lhar num outro dia por cau­sa dos tiro­tei­os entre as vári­as fações rivais, isso é viver debai­xo de uma guer­ra. Conhe­ço pes­so­as que vivem essa situ­a­ção.
Então pode não ser tão dife­ren­te assim. E nós devía­mos ter essa cons­ci­ên­cia ao rece­ber os bra­si­lei­ros em Por­tu­gal. Todos os paí­ses deve­ri­am estar de bra­ços aber­tos uns para os outros em situ­a­ções de catás­tro­fe como a que se pas­sa ago­ra na Síria e com a che­ga­da de milha­res de pes­so­as à Euro­pa São ver­go­nho­sas as bar­rei­ras que se cri­am! Mas é uma rea­li­da­de. O que exis­te em comum é que, ao che­ga­rem e ao serem aco­lhi­dos (o que nem sem­pre acon­te­ce), eles vão pas­sar pelas mes­mas difi­cul­da­des que todos os outros imi­gran­tes pas­sam. Estes movi­men­tos de pes­so­as entre paí­ses (o Bra­sil rece­beu mui­tos por­tu­gue­ses por cau­sa da cri­se em Por­tu­gal) devem ensi­nar-nos algo que já deve­ría­mos ter apren­di­do, mas que mui­tas pes­so­as pare­cem ain­da não saber: que o mun­do é um só lugar, e que os homens tra­çam linhas ima­gi­ná­ri­as a que cha­mam fron­tei­ras. Deve­mos apren­der a ser tole­ran­tes, a rece­ber quem pre­ci­sa de aju­da. Mas isto pare­ce um dis­cur­so tão bási­co e tão óbvio que por esta altu­ra não deve­ria neces­si­tar de ser fei­to.

Infe­liz­men­te, a into­le­rân­cia reli­gi­o­sa e cul­tu­ral, o pre­con­cei­to e a xeno­fo­bia ain­da exis­tem nes­te nos­so
mun­do. Acho que isso é bem paten­te nes­te fil­me. Eu pude viven­ci­ar isso em Por­tu­gal com ami­gos e fami­li­a­res bra­si­lei­ros. Era tam­bém sobre isso que que­ria falar. Se nos vir­mos nes­se espe­lho que é o
cine­ma, se nos rir­mos de nós pró­pri­os, tal­vez na pró­xi­ma opor­tu­ni­da­de em que nos defron­te­mos com deter­mi­na­das situ­a­ções se pos­sa agir de manei­ra dife­ren­te. Mui­tas vezes o pre­con­cei­to é incons­ci­en­te, está enrai­za­do. E uma coi­sa é brin­car com as dife­ren­ças cul­tu­rais com um sor­ri­so nos lábi­os, outra é a
des­cri­mi­na­ção fei­ta de uma for­ma mais vio­len­ta.
Estes pro­ble­mas já devi­am estar ultra­pas­sa­dos no Séc. XXI. Temos ques­tões mais impor­tan­tes para resol­ver, como a fome, a misé­ria, a pobre­za, a guer­ra e um pla­ne­ta à bei­ra de uma catás­tro­fe ambi­en­tal!

EQUIPA

Rea­li­za­ção e Argu­men­to – JOSÉ BARAHONA

Foto­gra­fia – DANIEL COSTA NEVES

Som – PEDRO EARP

Mon­ta­gem – JOSÉ BARAHONA e PATRÍCIA SARAMAGO

Edi­ção de som e mis­tu­ras – TIAGO MATOS

Músi­ca – FELIPE AYRES

Pro­du­ção – CAROLINA DIAS (Refi­na­ria Fil­mes – Bra­sil)

Co-Pro­du­ção – FERNANDO VENDRELL (David & Goli­as – Por­tu­gal) e MÔNICA BOTELHO (Mutu­ca Fil­mes – Bra­sil)

LONGE DOS HOMENS de David Oelhoffen

Argé­lia, 1954. Enquan­to a revol­ta ribom­ba no vale, dois homens mui­to dife­ren­tes, reu­ni­dos por um mun­do em con­vul­são, são obri­ga­dos a fugir em con­jun­to pelas mon­ta­nhas do Atlas. A meio de
um inver­no gela­do, Daru, o pro­fes­sor soli­tá­rio, tem de escol­tar Moha­med, um aldeão acu­sa­do de homi­cí­dio. Per­se­gui­dos por homens a cava­lo que pro­cu­ram jus­ti­ça sumá­ria e colo­nos vin­ga­ti­vos,
os dois homens deci­dem enfren­tar o des­co­nhe­ci­do. Jun­tos, lutam para obter a sua liber­da­de.
  É exi­bi­do no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha no pró­xi­mo dia 19 de Outu­bro às 22:00. Entra­da Livre

Daru (Vig­go Mor­ten­sen) é um pro­fes­sor ide­a­lis­ta que ape­nas dese­ja aju­dar os seus jovens alu­nos a cres­cer e ter uma vida melhor. Um dia é obri­ga­do a escol­tar Moha­med (Reda Kateb), um aldeão acu­sa­do de homi­cí­dio, até à cida­de de Tin­guit, onde terá de ser entre­gue à polí­cia para jul­ga­men­to. Ape­sar da recu­sa ini­ci­al, Daru acei­ta a mis­são. Porém, per­se­gui­dos por homens que pro­cu­ram fazer jus­ti­ça pelas suas pró­pri­as mãos, os dois vêem-se per­di­dos no deser­to. Sem esco­lha, eles sabem que têm de con­ti­nu­ar o cami­nho, mes­mo cien­tes das pou­cas hipó­te­ses de sobre­vi­ver aos peri­gos da jor­na­da…

LONGE DOS HOMENS, do rea­li­za­dor fran­cês David Oelhof­fen, uma adap­ta­ção de um con­to, L’hôte, do filó­so­fo fran­co-arge­li­no Albert Camus – é um wes­tern inte­li­gen­te e de com­bus­tão len­ta,
com uma ban­da sono­ra atmos­fé­ri­ca de Nick Cave e War­ren Ellis e uma inter­pre­ta­ção excep­ci­o­nal de Vig­go Mor­ten­sen. (…) Mor­ten­sen faz o papel de Daru, um pro­fes­sor san­to que tra­ba­lha na Argé­lia, em 1954, no come­ço da sua luta pela inde­pen­dên­cia dos fran­ce­ses. Daru ensi­na miú­dos numa esco­la minús­cu­la, no alto das mon­ta­nhas do Atlas, mas este homem tem cla­ra­men­te mais qual­quer coi­sa. O seu ros­to cur­ti­do pare­ce reti­ra­do das mon­ta­nhas por trás da esco­la e
sabe mane­jar uma arma quan­do sol­da­dos fran­ce­ses lhe tra­zem um arge­li­no local, Moha­med (Reda Kateb), que con­fes­sou ter mor­to um pri­mo, numa dis­cus­são sobre tri­go rou­ba­do. Sem mãos a medir com a luta con­tra os com­ba­ten­tes da liber­da­de arge­li­nos, os sol­da­dos pedem a Daru para entre­gar Moha­med ao tri­bu­nal, que fica a um dia de via­gem. Daru recu­sa, argu­men­tan­do que esta­ria a levar o pri­si­o­nei­ro para a sua mor­te. Mas quan­do os sol­da­dos par­tem e Moha­med se recu­sa a fugir, ele não tem mui­ta esco­lha.

O REALIZADOR

David Oelhof­fen nas­ceu em Fran­ça. Rea­li­zou as cur­tas-metra­gens LE MUR (1996), BIG BANG (1997), EN MON ABSENCE (2001), ECHAFAUDAGES (2004) e SOUS LE BLEU (2004) e a lon­ga-metra­gem NOS RETROUVAILLES (2007). LOIN DES HOMMES / LONGE DOS HOMENS (2014) é o seu últi­mo fil­me.

DECLARAÇÃO DO REALIZADOR

Des­de a pri­mei­ra lei­tu­ra do con­to de Camus, L’hôte, visu­a­li­zei um wes­tern. Um wes­tern não con­ven­ci­o­nal, é cer­to, impreg­na­do de his­tó­ria euro­peia e ten­do como fun­do as ter­ras altas do nor­te de Áfri­ca, mas ain­da assim um wes­tern. Fiel aos códi­gos, há colo­ni­za­do­res e colo­ni­za­dos, um pri­si­o­nei­ro a escol­tar e uma tra­ma que desa­gua em vio­lên­cia. No cen­tro da his­tó­ria e dos seus per­so­na­gens encon­tra-se uma coli­são entre dois sis­te­mas jurí­di­cos. Tes­te­mu­nha­mos duas cul­tu­ras e duas morais for­ça­das a coe­xis­tir pela his­tó­ria. Tinha sonha­do com ir bus­car o Vig­go Mor­ten­sen.
A sua sin­gu­la­ri­da­de encai­xa­va per­fei­ta­men­te no papel. Reda Kateb – mis­te­ri­o­so, opa­co e com os pés no chão – fun­ci­o­na­va como con­tra­pon­to per­fei­to. A pai­sa­gem desér­ti­ca assu­me o papel de per­so­na­gem, na his­tó­ria. Sob a luz radi­an­te do nor­te de Áfri­ca, cons­ti­tuía uma com­pa­nhia bela mas impre­vi­sí­vel para o fil­me.

Adap­tar esta his­tó­ria ao cine­ma impli­ca­va dotar os per­so­na­gens de mais subs­tân­cia e tor­nar a nar­ra­ti­va mais den­sa. Uma das for­mas de o fazer foi incluir o con­tex­to arge­li­no e o come­ço da guer­ra. Mas a mai­or mudan­ça foi alte­rar a natu­re­za da rela­ção entre Daru e o jovem arge­li­no, que resul­tou num fnal cla­ra­men­te dife­ren­te para a his­tó­ria de Camus.
Sem­pre com a ideia de con­ser­var o espí­ri­to de , cujas pre­o­cu­pa­ções me pare­cem mui­to actu­ais: pre­o­cu­pa­ções acer­ca da huma­ni­da­de, a denún­cia da injus­ti­ça e, aci­ma de tudo, a dif­cul­da­de do com­pro­mis­so moral.
A tra­jec­tó­ria de Daru é tam­bém a de um homem que quer sal­var outro, ape­sar de ele ser um cri­mi­no­so, mas eu que­ria inten­si­fi­car a ener­gia que Daru des­pen­de a con­ven­cer o pri­si­o­nei­ro a não obe­de­cer à lei da sua comu­ni­da­de, nem a entre­gar-se à igual­men­te injus­ta lei dos colo­ni­za­do­res.

Tam­bém ima­gi­nei um per­so­na­gem mais ator­men­ta­do e mal­tra­ta­do do que no ori­gi­nal, um homem que tinha vivi­do a guer­ra e que que­ria fugir à vio­lên­cia, um homem car­re­ga­do de pesar, que o impe­le a abri­gar-se da vida. E, por últi­mo, um homem com uma iden­ti­da­de dolo­ro­sa: filho de espa­nhóis, é um euro­peu e vis­to como tal pelos aldeões, mas não se esque­ceu de que, uma gera­ção antes, os seus pais anda­lu­zes eram con­si­de­ra­dos “ára­bes”.

No caso de Moha­med, eu sobre­tu­do não que­ria que o per­so­na­gem fos­se a figu­ra do ára­be per­tur­ban­te, tão mis­te­ri­o­so e opa­co como na his­tó­ria ori­gi­nal, mas antes um homem com as suas razões, a sua pró­pria moral e que se abre gra­du­al­men­te ao que Daru pro­põe – a pos­si­bi­li­da­de de agir por si, enquan­to indi­ví­duo.

Notas da Crítica

LONGE DOS HOMENS des­car­na a nar­ra­ti­va, fica-lhe só com o osso, e esse “osso” é uni­ver­sal: um ter­ri­tó­rio não domi­na­do, qua­se sel­va­gem.” — Públi­co

Fiel, não à letra, mas ao espí­ri­to de Albert Camus, do qual adap­ta um con­to, L’hôte, o cine­as­ta diri­ge os acto­res com uma deli­ca­de­za rara.” — Télé­ra­ma

É, sim­ples­men­te, um gran­de wes­tern tra­di­ci­o­nal: a lín­gua e os deta­lhes cul­tu­rais podem ser dife­ren­tes, mas a ele­gân­cia espar­sa e os dile­mas morais são fami­li­a­res e tão suges­ti­vos como sem­pre (…). LONGE DOS HOMENS é, de for­ma dis­cre­ta, um fil­me gran­di­o­so e belo.” — Indi­ewi­re

O que faz com que fun­ci­o­ne é a efi­ci­ên­cia sole­ne com que o rea­li­za­dor David Oelhof­fen con­ta a his­tó­ria e a inten­si­da­de silen­ci­o­sa dos dois pro­ta­go­nis­tas: a ter­nu­ra rude do olhar de Mor­ten­sen con­tra­põe-se bem ao com­por­ta­men­to con­fli­tu­an­te de Kateb.” — New York Maga­zi­ne

Camus esta­be­le­ce o rumo ini­ci­al do fil­me, mas Oelhof­fen leva-o fir­me­men­te a bom por­to com con­tex­to polí­ti­co, aná­li­se his­tó­ri­ca retros­pec­ti­va, um impe­ra­ti­vo moral inequí­vo­co e um par de inter­pre­ta­ções bem empa­re­lha­das. Dito de outra for­ma, apro­pria-se da his­tó­ria. — New York Times

Ficha Técnica

Títu­lo ori­gi­nal
Loin des Hom­mes (Fran­ça, 2014, 101 min.)
Rea­li­za­ção
David Oelhof­fen
Inter­pre­ta­ção
Vig­go Mor­ten­sen, Reda Kateb, Dje­mel Barek
Argu­men­to
David Oelhof­fen, a par­tir da obra O Hós­pe­de de Albert Camus
Foto­gra­fia
Guil­lau­me Def­fon­tai­nes
Mon­ta­gem
Juli­et­te Wel­fling
Musi­ca
Nick Cave e War­ren Ellis
Pro­du­ção
Marc du Pon­ta­vi­ce, Matthew Gledhill
Clas­si­fi­ca­ção
M/12
Estreia em Por­tu­gal
6 de Agos­to de 2015
Dis­tri­bui­ção
Alam­bi­que

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Comboio de Sal e Açúcar” de Licínio Azevedo

Com­boio de Sal e Açú­car é um wes­tern afri­ca­no que che­ga às salas por­tu­gue­sas a 28 de setem­bro. Roda­do em Moçam­bi­que numa co-pro­du­ção inter­na­ci­o­nal lide­ra­da por Por­tu­gal, o fil­me já pas­sou por mais de 20 fes­ti­vais, ten­do estre­a­do em Locar­no e arre­ca­da­do pré­mi­os em Joa­nes­bur­go e Cai­ro, nas cate­go­ri­as de Melhor Fil­me e Melhor Rea­li­za­dor. Vai estre­ar ain­da este ano nos Esta­dos Uni­dos, Suí­ça e Fran­ça. É exi­bi­do no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha no pró­xi­mo dia 12 de Outu­bro às 22:00. A entra­da é livre.

Um Wes­tern Afri­ca­no

Um com­boio. 400 qui­ló­me­tros em linhas sabo­ta­das. Dois capi­tães lutam pelo amor de Rosa. Entre fei­ti­ça­ria e ata­ques cons­tan­tes, um com­boio com cen­te­nas de pes­so­as é obri­ga­do a inú­me­ras para­gens até che­gar ao seu des­ti­no. Uma via­gem que decor­re a 5km/h atra­vés de luxu­ri­an­tes pai­sa­gens afri­ca­nas, onde o peri­go esprei­ta antes da pró­xi­ma esta­ção.

Introdução Histórica

1964, em Moçam­bi­que, então uma coló­nia por­tu­gue­sa, as for­ças da guer­ri­lha da FRELIMO — Fren­te de Liber­ta­ção de Moçam­bi­que — ini­ci­am uma guer­ra pela auto­de­ter­mi­na­ção do país. Dez anos depois, a FRELIMO assu­miu o gover­no do país. O novo gover­no, sob a pre­si­dên­cia de Samo­ra Machel, esta­be­le­ceu um Esta­do uni­par­ti­dá­rio base­a­do em prin­cí­pi­os mar­xis­tas. Come­ça pou­co depois uma lon­ga guer­ra civil, sus­ten­ta­da pela Rodé­sia e pela Áfri­ca do Sul, paí­ses vizi­nhos com gover­nos de mino­ri­as bran­cas, que na altu­ra não que­ri­am que o gover­no revo­lu­ci­o­ná­rio moçam­bi­ca­no ser­vis­se de exem­plo na região. As for­ças opo­si­ci­o­nis­tas ao Gover­no inti­tu­lam-se Resis­tên­cia Naci­o­nal Moçam­bi­ca­na (RENAMO). Esta guer­ra leva o país à rui­na com a qua­se total des­trui­ção da agri­cul­tu­ra e das infra-estru­tu­ras ter­res­tres. É só no iní­cio dos anos 90 que o país ini­cia refor­mas estru­tu­rais e vol­ta a ter paz. Actu­al­men­te, Moçam­bi­que vol­ta a ser asso­la­do pela vio­lên­cia, ten­do havi­do vári­os con­fron­tos arma­dos no cen­tro e no nor­te do país.

Esti­ve em Lichin­ga, capi­tal da Pro­vín­cia do Nias­sa, últi­mo pon­to onde os com­boi­os para­vam antes da fron­tei­ra com o Malawi, seu des­ti­no final.

A cida­de esta­va iso­la­da do res­to do país por via rodo­viá­ria. A che­ga­da dos com­boi­os era cada vez mais espa­ça­da e uma enor­me mul­ti­dão reu­nia-se na esta­ção para os rece­ber.

Tive a opor­tu­ni­da­de de ver uma des­sas che­ga­das e o esta­do ter­rí­vel daque­les que desem­bar­ca­vam, sema­nas depois do iní­cio da via­gem em que arris­ca­vam as suas vidas.

— Licí­nio Aze­ve­do

ENTREVISTA COM LICÍNIO AZEVEDO

O Com­boio de Sal e Açú­car exis­tiu real­men­te?

Duran­te a guer­ra civil em Moçam­bi­que, que aca­bou em ‘92, eu ouvia mui­tas his­tó­ri­as sobre este com­boio, no nor­te do país, his­tó­ri­as mara­vi­lho­sas. Não havia nada no país, nem mes­mo açú­car para o chá, sen­do que antes Moçam­bi­que era um gran­de pro­du­tor de açú­car. Nes­sa épo­ca, che­ga­vas a um café, pedi­as um chá, e dizi­am-te: “Há chá… Mas não há açú­car.” Então as mulhe­res, no nor­te do país, des­co­bri­ram uma manei­ra astu­ta para sus­ten­tar as suas famí­li­as. Com­pra­vam sal no lito­ral moçam­bi­ca­no e depois via­ja­vam 700 km até ao Malawi, no inte­ri­or do con­ti­nen­te. Uma via­gem que hoje leva menos de um dia, na épo­ca podia levar até três meses. Leva­vam sal para ven­der no Malawi e com o resul­ta­do com­pra­vam açú­car, depois regres­sa­vam e ven­di­am o açú­car, e com isso sus­ten­ta­vam a famí­lia por vári­os meses. Depois, toca de via­jar outra vez.

Este com­boio leva­va pas­sa­gei­ros?

Duran­te a guer­ra não era supos­to, mas as pes­so­as via­ja­vam volun­ta­ri­a­men­te, sem pagar bilhe­te, em vagões aber­tos, com uma anti­aé­rea e com uma escol­ta mili­tar. Era um com­boio que par­tia uma vez de três em três meses, quan­do as con­di­ções per­mi­ti­am. Depois há uma par­te de fic­ção, a exis­tên­cia de um bar­co de pes­ca gigan­te…

Se a acção se pas­sa no nor­te do país, por­que não fil­mar lá?

O nor­te do país está total­men­te modi­fi­ca­do, moder­ni­za­do e, actu­al­men­te, em guer­ra. Por isso optá­mos pelo sul de Moçam­bi­que, onde as linhas fér­re­as e esta­ções ain­da cor­res­pon­dem ao perío­do da his­tó­ria, tal como as loco­mo­ti­vas que nelas cir­cu

lam… Fil­má­mos na linha que vai de Mapu­to para a Sua­zi­lân­dia e para a Áfri­ca do Sul mas tive­mos um gran­de tra­ba­lho de deco­ra­ção para dar outros tons às esta­ções tal como recu­pe­rar as máqui­nas e vagões de escol­ta que já esta­vam desac­ti­va­dos.

Por­que não fizes­te um docu­men­tá­rio?

Na épo­ca ain­da ten­tei mas os pro­du­to­res dizi­am “Você é malu­co! Quem é que vai colo­car dinhei­ro para equi­pa­men­to e tudo mais, para fazer uma via­gem de três meses? Ain­da mor­rem, e depois não há fil­me.” Logo que a guer­ra aca­bou, a pri­mei­ra coi­sa que fiz foi apa­nhar esse com­boio. Fiz a via­gem vári­as vezes, entre­vis­tan­do os tra­ba­lha­do­res dos Cami­nhos-de-Fer­ro, as mulhe­res que tro­ca­vam o sal pelo açú­car, os mili­ta­res… E escre­vi um livro — Com­boio de Sal e Açú­car. Para mim, tudo o que não é fei­to no momen­to, em cine­ma, dei­xa de ser docu­men­tá­rio. Não gos­to de fazer docu­men­tá­ri­os sobre o pas­sa­do, gos­to de fazer sobre o que está a acon­te­cer. Para mim, tudo o que já acon­te­ceu, pas­sa a ser fic­ção.

O teu livro come­ça com uma fra­se: “Aque­les que nos ata­ca­vam eram ter­rí­veis, mas aque­les que nos pro­te­gi­am por vezes eram pio­res”. Qual é o sig­ni­fi­ca­do sim­bó­li­co do com­boio?

É como um micro­cos­mos onde coe­xis­tem muçul­ma­nos, cris­tãos e ani­mis­tas, numa atmos­fe­ra de trai­ções, ata­ques e mor­te, mas tam­bém de espe­ran­ça reno­va­da. “Quan­do o sol nas­ce todas as espe­ran­ças se reno­vam”, já dizia o meu velho Hemingway. E assim se vai man­ten­do o equi­lí­brio, por­que den­tro do com­boio todos os pas­sa­gei­ros arris­cam as suas vidas. Duran­te a guer­ra temos ten­dên­cia a dife­ren­ci­ar os bons dos maus, mas isso nem sem­pre é fácil. Aque­les que ata­cam o com­boio são ter­rí­veis mas por vezes, aque­les que o deve­ri­am pro­te­ger, são mui­to pio­res. No fil­me a Rosa tes­te­mu­nha a dura rea­li­da­de da guer­ra e por isso ouvi­mo-la dizer essa fra­se…

Estes per­so­na­gens são reais?

Alguns são leve­men­te base­a­dos em per­so­na­gens reais, outros são com­ple­ta­men­te fic­ci­o­nais, como o per­so­na­gem prin­ci­pal, Tai­ar. Nes­te fil­me há três gru­pos de per­so­na­gens: os mili­ta­res que pro­te­gem e con­tro­lam o com­boio, entre os quais há os bons e os maus; os tra­ba­lha­do­res dos cami­nhos-de-fer­ro que per­mi­tem que o com­boio siga o seu cami­nho e que são a intel­li­gent­sia; e os civis, sobre­tu­do mulhe­res, que via­jam e que repre­sen­tam a luta huma­na mais bási­ca: a sobre­vi­vên­cia.

Como defi­nes a rela­ção entre Tai­ar e Salo­mão?

O Tai­ar é um tenen­te com uma men­ta­li­da­de moder­na, cien­tí­fi­ca, que estu­dou numa aca­de­mia mili­tar na Ucrâ­nia, ex-União Sovié­ti­ca e que tem um pen­sa­men­to dife­ren­te por ser jovem, tenen­te e ter rece­bi­do for­ma­ção fora do país. O seu anta­go­nis­ta é o alfe­res Salo­mão que ganhou a sua paten­te na guer­ra. É um gran­de com­ba­ten­te mas tem uma visão mais fecha­da. Sen­te-se dono do mun­do, dono das mulhe­res, do com­boio…

Exis­te um lado mági­co nes­ta guer­ra?

Exis­te na guer­ra como exis­te na pró­pria vida quo­ti­di­a­na dos moçam­bi­ca­nos. Não diria exac­ta­men­te magia mas uma rela­ção com os ante­pas­sa­dos, com os espí­ri­tos…. Em Moçam­bi­que, duran­te a guer­ra civil, hou­ve uma ter­cei­ra for­ça arma­da, que esta­va ao lado do gover­no da FRELIMO, que eram os Napa­ra­mas, um exér­ci­to de homens à pro­va de balas, invul­ne­rá­veis, que luta­vam nus e usa­vam armas tra­di­ci­o­nais, arco e fle­cha, cata­nas, não usa­vam armas de fogo. Bas­ta­va que o ini­mi­go sou­bes­se da apro­xi­ma­ção dos Napa­ra­mas e reti­ra­va. Até que um dia mata­ram Manu­el Antó­nio, o coman­dan­te dos Napa­ra­mas, com 150 tiros. E aí dis­se­ram: “Viram, não é à pro­va de bala.” Mas logo apa­re­ceu uma jus­ti­fi­ca­ção: o ini­mi­go havia envi­a­do uma fei­ti­cei­ra, uma mulher lin­dís­si­ma, que o sedu­ziu, levan­do-o a fazer amor com ela antes de com­ba­ter. Eles tinham de cum­prir um ritu­al, não podi­am comer comi­da com sal duran­te três dias antes de ir para com­ba­te, e não podi­am fazer amor. Ele fez amor e por isso foi mor­to. Esta foi a expli­ca­ção dada pela popu­la­ção. A magia faz assim par­te da vida quo­ti­di­a­na, e em Áfri­ca, não há guer­ra sem magia.

E algum per­so­na­gem encar­na essa magia?

Sete Manei­ras, o coman­dan­te res­pon­sá­vel pela pro­tec­ção do com­boio, é um fei­ti­cei­ro à pro­va de bala que na sua juven­tu­de teve a ini­ci­a­ção tra­di­ci­o­nal dos makon­des no nor­te de Moçam­bi­que. Para ser adul­to tem que se matar um leão com arco e fle­cha. Sete Manei­ras, como pas­sou por essa ini­ci­a­ção, con­se­gue falar com os pás­sa­ros, trans­for­man­do-se mes­mo num para fazer reco­nhe­ci­men­to. Já o coman­dan­te ini­mi­go, Xipo­co (“fan­tas­ma” em lín­gua xan­ga­na), tam­bém se trans­for­ma em maca­co para fazer o mes­mo.

Como foi rodar todos os dias com 13 vagões?

Fan­tás­ti­co e infer­nal. Impos­sí­vel sem o apoio incon­di­ci­o­nal dos Cami­nhos de Fer­ro de Moçam­bi­que. Duran­te a roda­gem, o enge­nhei­ro de som fez um tra­ba­lho extra­or­di­ná­rio com ele, com os sons das rodas a ran­ger, da loco­mo­ti­va a tra­ba­lhar… Naque­le tem­po nun­ca podi­am des­li­gar o motor da loco­mo­ti­va, por­que depois podia não pegar, então trans­por­tá­mos essa rea­li­da­de para o fil­me. O som do com­boio é um som per­ma­nen­te, uma ban­da sono­ra fun­da­men­tal que foi pon­tu­a­da pelo Schwal­ba­ch com ins­tru­men­tos tra­di­ci­o­nais afri­ca­nos, tam­bo­res e com a mbi­ra para pon­tu­ar as cenas de amor.

Por­que dizes que este fil­me é um wes­tern?

Eu ado­ro wes­tern, é o meu géne­ro pre­fe­ri­do, e o fil­me tem um pou­co essa estru­tu­ra. Nos fil­mes de cow­boy o ban­di­do sem­pre anda em qua­dri­lha, então Salo­mão tem os seus segui­do­res, e Tai­ar tam­bém tem os seus. É como o Zor­ro e o Ton­to, tem o Tai­ar que é o Zor­ro e tem o Ton­to que é o índio de lado, que é o adjun­to dele e que no final assu­me o papel do Tai­ar. O Ton­to pas­sa a ser o Zor­ro. Sem­pre com­pa­ro os dois com o meu wes­tern pre­fe­ri­do, Sha­ne, fil­me do Geor­ge Ste­vens, de 1951. Tam­bém há o fac­to de ter­mos roda­do nas pai­sa­gens do sul de Moçam­bi­que, que são mag­ní­fi­cas e que nes­ta épo­ca do ano cor­res­pon­dem tam­bém aos fil­mes como os de John Ford, em que o cow­boy apa­re­ce naque­la pla­ní­cie com o capim alto, ama­re­lo… e que na pós-pro­du­ção ain­da lhe con­fe­ri­mos uma tem­pe­ra­tu­ra de cor mais quen­te. É o pri­mei­ro wes­tern afri­ca­no moder­no. Quem gos­ta de fil­mes wes­tern vai-se encon­trar nes­te fil­me.

LICÍNIO AZEVEDO

Licí­nio Aze­ve­do é cine­as­ta e escri­tor moçam­bi­ca­no. Faz par­te da gera­ção de cine­as­tas for­ma­da no Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Cine­ma de Moçam­bi­que, nos anos que se segui­ram à Inde­pen­dên­cia, com a inter­ven­ção de dife­ren­tes rea­li­za­do­res, entre eles Ruy Guer­ra, Godard e Jean Rou­ch. Como escri­tor e como cine­as­ta, a sua obra é estrei­ta­men­te liga­da à rea­li­da­de do país e aos diver­sos momen­tos da sua con­tur­ba­da evo­lu­ção. Entre o docu­men­tá­rio e a fic­ção, Licí­nio mis­tu­ra ambos os géne­ros, ins­pi­ran­do-se sem­pre em acon­te­ci­men­tos nar­ra­ti­vos e per­so­na­gens cati­van­tes.

Filmografia Seleccionada

2016
COMBOIO DE SAL E AÇÚCAR
93’, Fic­ção

2012
VIRGEM MARGARIDA
90’, Fic­ção

2010
A ILHA DOS ESPÍRITOS
63’, Docu­men­tá­rio

2007
HÓSPEDES DA NOITE
53’, Docu­men­tá­rio

2006
O GRANDE BAZAR
56’, Fic­ção

2005
ACAMPAMENTO DE DESMINAGEM
60’, Docu­men­tá­rio

2003
MÃOS DE BARRO52’,
Docu­men­tá­rio

2002
DESOBEDIÊNCIA
92’, Ficção/Documentário

2001
A PONTE
52’, Docu­men­tá­rio

ELENCO

Tai­ar
Matam­ba Joa­quim

Rosa
Mela­nie de Vales Rafa­el

Salo­mão
Thi­a­go Jus­ti­no

Sete Manei­ras
Antó­nio Nipi­ta

Mari­a­mu
Sabi­na Fon­se­ca

Jose­fi­no
Horá­cio Gui­am­ba

Pure­za
Celes­te Baloi

Amé­lia
Her­me­lin­da Sime­la

Adri­a­no Gil
Mário Mab­jaia

Celes­te Cara­ve­la
Vic­tor Rapo­so

Omar Ima­ni
Abdil Juma

Ascên­cio
Absa­lão Nar­du­e­la

Her­cu­la­no
Tune­cas Xavi­er

Dan­ger Man
Mário Valen­te

Bai­o­ne­ta
Absa­lão Maci­el

Cani­ve­te
Car­los Nove­la

Calis­to Con­fi­an­ça
Abdul Satar

Coman­dan­te Xipo­co
Alvim Cos­sa

 

EQUIPA

Direc­tor de Foto­gra­fia
Fré­dé­ric Ser­ve

Enge­nhei­ro de Som
Phi­lip­pe Fab­bri

Sound Design & Mis­tu­ras
Matthew James
Kiko Fer­raz

Mon­ta­gem
Wil­lem Dias

Direc­ção de Arte
Andrée du Pre­ez

Figu­ri­nis­ta
Isa­bel Peres

Ban­da Sono­ra Ori­gi­nal de
Joni Schwal­ba­ch

Adap­ta­do do livro homó­ni­mo por
Luis Car­los Patra­quim

Argu­men­to de
Licí­nio Aze­ve­do
Tere­sa Perei­ra

Um fil­me de
Licí­nio Aze­ve­do

Pro­du­zi­do por
Pan­do­ra da Cunha Tel­les & Pablo Ira­o­la

Co-pro­du­zi­do por
Licí­nio Aze­ve­do , Phi­lip­pe Avril , Beto Rodri­gues, Tati­a­na Sager , Eli­as Ribei­ro & John Tren­go­ve

Júris irão atribuir 25 prémios

 

Os ​Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês” regres­sam no final do pró­ximo mês de Novem­bro para a sua 23.ª edi­ção. Des­de 1988 que em Coim­bra é orga­ni­zado o úni­co fes­ti­val dedi­cado ao cine­ma naci­o­nal, pro­mo­vendo todos os géne­ros e metra­gens de auto­res aspi­ran­tes ou con­sa­gra­dos. Os Cami­nhos são plu­rais e neles se encon­tra a diver­si­dade de regis­tos, olha­res e rea­li­da­des pro­mo­vi­das pelo Cine­ma Por­tu­guês. De 27 de Novem­bro a 3 de Dezem­bro o fes­ti­val ini­ci­ará a úni­ca com­pe­ti­ção cine­ma­to­grá­fica do país que além dos fil­mes, irá tam­bém pro­mo­ver e pre­miar a inter­ven­ção téc­nica e artís­tica que con­ju­ga­das trans­for­ma­ram o cine­ma na séti­ma arte. Este fes­ti­val con­ta com duas sec­ções com­pe­ti­ti­vas; a Sele­ção Cami­nhos, aber­ta a todas as obras pro­du­zi­das des­de a edi­ção tran­sata do fes­ti­val; e a Sele­ção Ensai­os, sec­ção inter­na­ci­o­nal dedi­cada ao cine­ma pro­du­zido em con­texto aca­dé­mico ou de for­ma­ção profissional.Os pré­mios que se apre­sen­tam em regu­la­mento pode­rão pare­cer vas­tos, mas são a res­posta cla­ra de um fes­ti­val, que na sua 23.ª edi­ção, alme­ja pre­miar mais uma vez ​todo o cine­ma por­tu­guês”. Assim, os fil­mes inte­gran­tes da Selec­ção Cami­nhos pro­­põem-se ao Pré­mio do Júri de Impren­sa, ao Pré­mio D. Qui­jote da Fede­ra­ção Inter­na­ci­o­nal de Cine­clu­bes, bem como, à ava­li­a­ção do Júri Selec­ção Cami­nhos que atri­buirá quin­ze pré­mios téc­ni­cos, qua­tro pré­mios ofi­ci­ais para os três géne­ros, ani­ma­ção, docu­men­tá­rio e fic­ção, em com­pe­ti­ção e por fim o Gran­de Pré­mio do Fes­ti­val.

Ver, clas­si­fi­car e pre­miar esta diver­si­dade de cate­go­rias será o resul­tado da con­ju­ga­ção de um leque alar­gado de sabe­res espe­ci­a­li­za­dos que , de for­ma aná­loga à pro­du­ção cine­ma­to­grá­fica, fun­ci­o­nam como um todo. Pro­cu­rá­mos na cons­ti­tui­ção dos vári­os júris res­pon­der ao desa­fio de ver e com­pre­en­der a ima­gem em movi­mento, atra­vés de múl­ti­plos pris­mas, ora intrin­se­ca­mente cine­ma­to­grá­fi­cos, como aná­lo­gos à pre­sença dos fil­mes nas nos­sas vidas enquan­to mar­cas vivas, ora pela for­ma como os mei­os e con­tex­tos em que são pro­du­zi­dos são tam­bém par­te inte­grante das nar­ra­ti­vas.

Assim, o Júri do Pré­mio de Impren­sa é cons­ti­tuído pelos jor­na­lis­tas Cláu­dia Mar­ques San­tos Fer­nando Mou­ra e pelo crí­tico de cine­ma Luís Miguel de Oli­veira. Este júri terá o obje­to de dar uma mai­or visi­bi­li­dade e reco­nhe­ci­mento públi­co da cine­ma­to­gra­fia naci­o­nal, pre­mi­ando o rigor e a ousa­dia esté­tica, tan­to no pla­no nar­ra­tivo, como a nível da ima­gem cine­ma­to­grá­fica. Pre­­ten­de-se, assim, valo­ri­zar a pro­du­ção naci­o­nal numa pers­pec­tiva artís­tica, que é uma das suas valên­cias mais expres­si­vas.

JÚRI DO PRÉMIO DE IMPRENSA

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    Cláudia Marques Santos

    CLÁUDIA MARQUES SANTOSJORNALISTA

    Licen­ci­ada em Ciên­cias da Comu­ni­ca­ção e Mes­tre em Cul­tura con­tem­po­râ­nea e Novas Tec­no­lo­gias pela FCSH/​Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa, Cláu­dia Mar­ques San­tos é uma jor­na­lista fre­e­lan­cer que tra­ba­lha na área da cul­tura. Tem arti­gos publi­ca­dos em impren­sa – come­çou a car­reira no sema­ná­rio O Inde­pen­dente, pas­sou pela Notí­cias Maga­zine (DN/​JN) e Vogue Por­tu­gal, cola­bora actu­al­mente com as revis­tas Máxi­ma, UP Inflight Mag, Visão – e tem um vas­to know how edi­to­rial em maga­zi­nes de cul­tura para tele­vi­são (Pop Up/​RTP 2, Blitz TV/​SIC Notí­cias, Fuzz/​SIC Radi­cal, Lis­boa Mis­tura TV/​SIC Notí­cias) e em docu­men­tá­rios (‘Não Me Obri­guem a Vir Para a Rua Gri­tar’, sobre Zeca Afon­so, RTP). Tem tam­bém um pro­jecto de entre­vis­tas onli­ne cha­mado If You Walk the Gala­xies (.com).

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    Fernando Moura

    FERNANDO MOURAJORNALISTA

    Exer­ce a sua acti­vi­dade pro­fis­si­o­nal nas áre­as da comu­ni­ca­ção soci­al, publi­ci­dade e redes soci­ais. Foi res­pon­sá­vel pela cri­a­ção e desen­vol­vi­mento de vári­os órgãos de comu­ni­ca­ção soci­al, sobre­tudo nas áre­as da impren­sa e radi­o­di­fu­são, ten­do alguns des­tes sido adqui­ri­dos por mul­ti­na­ci­o­nais. Tem ain­da uma vas­ta expe­ri­ên­cia no sec­tor da comu­ni­ca­ção empre­sa­rial e ins­ti­tu­ci­o­nal, publi­ci­dade e soci­al media, ten­do fun­dado e diri­gido vári­os pro­jec­tos nes­tes sec­to­res. É direc­tor de Notí­cias de Coim­bra e Diá­rio da Saú­de. 

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    Luís Miguel Oliveira

    LUÍS MIGUEL OLIVEIRACRÍTICO

    Nas­ceu em Setem­bro de 1970, em Tomar. Licen­­ci­ou-se em Comu­ni­ca­ção Soci­al pela Facul­dade de Ciên­cias Soci­ais e Huma­nas da Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa. Inte­gra o depar­ta­mento de pro­gra­ma­ção da Cine­ma­teca des­de 1993, ten­do sido seu direc­tor entre 20092015. É crí­tico de cine­ma do Públi­co des­de 1994. Cola­bo­rou com vári­as publi­ca­ções espe­ci­a­li­za­das, naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais, e cum­priu o papel de jura­do em diver­sos fes­ti­vais de cine­ma (Indi­e­Lis­boa, Fes­ti­val de Cine­ma Luso-Bra­­si­­lei­ro, Play­Doc, entre outros).

A cons­ti­tui­ção do Júri da Selec­ção Cami­nhos pro­cu­rou res­pon­der aos desa­fios inter­dis­ci­pli­na­res que cons­ti­tuem a pro­du­ção cine­ma­to­grá­fica pro­­mo­­ven­do-se o diá­logo de dife­ren­tes olha­res do que é o Cine­ma Por­tu­guês. Este júri é cons­ti­tuído pela actriz Ana Padrão, pelo peda­gogo Antó­nio Dias Figuei­redo, pelo Espe­ci­a­lista em Cri­a­ção e Ges­tão de Mar­cas Car­los Coe­lho, pelo Direc­tor de Arte João C. Tor­res, pela pro­du­tora Maria João Mayer, pelo escri­tor Pedro Cha­gas Frei­tas, pelo escul­tor Pedro Figuei­redo, pela rea­li­za­dora Rita Aze­vedo Gomese pela Sty­list Susa­na Jaco­betty.

JÚRI SELEÇÃO CAMINHOS

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    Ana Padrão

    ANA PADRÃOATRIZ

    Actriz com uma invul­gar bele­za, é um dos ros­tos refe­rên­cia no pano­rama da cul­tura e do cine­ma por­tu­guês. For­mada na Esco­la Supe­rior de Tea­tro e Cine­ma, depres­sa se afir­mou como actriz, flu­ente em vári­os idi­o­mas em 1993 teve o pri­vi­lé­gio de fazer par­te do elen­co do fil­me Der Bli­er Fami­lien de Susan­ne Biera pri­meira mulher rea­li­za­dora que mais tar­de vem a rece­ber o Oscar para melhor fil­me estran­geiro. Par­ti­cipa em mui­tos outros fil­mes com elen­cos de diver­sas naci­o­na­li­da­des, trabalhando​com rea­li­za­do­res como Geor­ge Slui­zer Joa­quim Lei­tão, Jor­ge Sil­va Melo, João César Mon­teiro, José Fon­seca e Cos­ta, Fer­nando d´Almeida e Sil­va, Antó­­nio-Pedro Vas­con­ce­los, Fer­nando Lopes, Raoul Ruiz, Car­los Coe­lho da Sil­va, Mário Bar­roso, Car­los Sabo­ga, Cristè­le Alves Mei­ra, Patrí­cia Sequei­ra e Bru­no de Almei­da, entre mui­tos outros. Em simul­tâ­neo, é uma pre­sença cons­tante no elen­co de vári­os canais naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais, par­ti­ci­pando em séri­es, mini-séri­es, nove­las e tele­fil­mes. Com o suces­so do tele­filme da SIC Amo-te Tere­sa (2000), no qual foi pro­ta­go­nista, segui­­ram-se mui­tos outros pro­jec­tos na TV, como se pode cons­ta­tar no seu vas­to cur­rí­cu­lo. 

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    António Dias Figueiredo

    ANTÓNIO DIAS FIGUEIREDOPEDAGOGO

    Antó­nio Dias de Figuei­redo é pro­fes­sor cate­drá­tico apo­sen­tado de Enge­nha­ria Infor­má­tica e inves­ti­ga­dor do Cen­tro de Infor­má­tica e Sis­te­mas da Uni­ver­si­dade de Coim­bra. Foi vice-pre­­si­­den­te do Pro­grama Inter­go­ver­na­men­tal de Infor­má­tica da UNESCO, Paris, e mem­bro do NATO Spe­cial Pro­gram Panel on Advan­ced Edu­ca­ti­o­nal Tech­no­logy, Bru­xe­las. Par­ti­ci­pou em vári­os pro­jec­tos euro­peus e atu­ou em vári­as oca­siões como con­sul­tor da Comis­são Euro­peia para ques­tões de edu­ca­ção. Rece­beu o grau de Dou­tor Hono­ris Cau­sa pela Uni­ver­si­dade Aber­ta e o Sigil­lum Mag­num da Uni­ver­si­dade de Bolo­nha. É autor e coau­tor de cer­ca de três cen­te­nas de arti­gos e capí­tu­los de livros publi­ca­dos no país e no estran­geiro e mem­bro dos con­se­lhos edi­to­ri­ais de vári­as revis­tas naci­o­nais e estran­gei­ras. Tem em cur­so pro­je­tos do âmbi­to das rela­ções mutu­a­mente gene­ra­ti­vas entre tec­no­lo­gias e soci­e­dade, com des­ta­que para as peda­go­gias, retó­ri­cas e epis­te­mo­lo­gias de nova gera­ção.

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    Carlos Coelho

    CARLOS COELHOESPECIALISTA EM CRIAÇÃOGESTÃO DE MARCAS

    Car­los Coe­lho, uma das gran­des refe­rên­cias por­tu­gue­sas no domí­nio da cons­tru­ção e ges­tão de mar­cas, , ao lon­go de 32anos, con­du­ziu cen­te­nas de pro­jec­tos de algu­mas das mar­cas mais rele­van­tes em Por­tu­gal, como o Mul­ti­banco, Telecel/​Vodafone, Yorn, Galp Ener­gia, RTP, Tv Cabo, CTT Cor­reios, Sumol, TAP Por­tu­gal, Sata , Leya, Sonae, Del­ta, Fide­li­dade, Sogra­pe, The Navi­ga­tor Com­pany, Por­tu­gal Sou Eu, entre mui­tas outras. É autor de diver­sos estu­dos sobre ten­dên­cias e mode­los teó­ri­cos de mar­cas. É acti­vista sobre as cau­sas e as mar­cas de Por­tu­gal e autor do livro ​Por­tu­gal Geni­al’’. É co-autor do livro ​Brand Tabo­os” e tem par­ti­ci­pado com ensai­os em diver­sos livros tais como: ​Ges­tão sus­ten­tada”, ​Por­tu­gal Vale a Pena”, “TAP, a ima­gem de um povo.” É pro­fes­sor, colu­nista, comen­ta­dor de tele­vi­são , foi autor e apre­sen­ta­dor do pro­grama de TV Ima­gi-Nação e cola­bo­ra­dor de inú­me­ras publi­ca­ções naci­o­nais e estran­gei­ras, sen­do reco­nhe­cido pelas suas múl­ti­plas abor­da­gens ino­va­do­ras e desa­fi­an­tes sobre estas maté­rias. Como con­fe­ren­cista pro­fe­riu nos últi­mos cin­co anos mais de 200 pales­tras, a con­vite de diver­sas ins­ti­tui­ções: Gover­nos, Uni­ver­si­da­des, Asso­ci­a­ções empre­sa­ri­ais e Empre­sas, em diver­sos Paí­ses.

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    João Torres

    JOÃO TORRESDIRECTOR DE ARTE

    Licen­ci­ado em Enge­nha­ria Civil na F.C.T. da Uni­ver­si­dade de Coim­bra, João Tor­res desen­vol­veu acti­vi­dade nos domí­nios das artes plás­ti­cas, tea­tro, per­for­mance, poe­sia visu­al, foto­gra­fia e cine­ma. A sua acti­vi­dade pro­fis­si­o­nal tem inci­dido pre­fe­ren­ci­al­mente nas áre­as de con­cep­ção e pro­du­ção de cená­rios para cine­ma e audi­o­vi­su­ais. Como Direc­tor de Arte tra­ba­lhou na pro­du­ção de fil­mes, tele­fil­mes e fil­mes publi­ci­tá­rios de diver­sos paí­ses. Desen­vol­veu pro­jec­tos com rea­li­za­do­res como Alain Tan­ner, Raoul Ruiz, Ric­cardo Fre­da, Ber­trand Taver­nier, Jean Louis Ber­tou­celli, Jean Clau­de Mis­sien, Ser­ge Moa­ti, Denys Gra­­ni­er-Defer­re, Micha­ela Wat­te­aux, Ser­ge Kor­ber, Pao­lo Mari­nou Blan­co, Joa­quim Lei­tão, Rai­ner Eur­ler, Billy August, Antó­nio Pedro Vas­con­ce­los, Patrick Tim­sit, Ima­nol Ari­as, Zezé Gam­boa, Tom Cairns, Tom Don­nely, Bru­no de Almei­da, entre mui­tos outros. Foi Sub­di­rec­tor do Tea­tro Naci­o­nal S. João e Direc­tor Exe­cu­tivo do fes­ti­val inter­na­ci­o­nal de tea­tro Po.N.T.I., (ed.1997/1999/2001). Tem cola­bo­rado com diver­sas estru­tu­ras de pro­du­ção artís­tica no desen­vol­vi­mento de pro­jec­tos e espo­ra­di­ca­mente em jor­nais e revis­tas sobre temas da actu­a­li­da­de. 

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    Maria João Mayer

    MARIA JOÃO MAYERPRODUTORA

    Maria João Mayer é pro­du­tora cine­ma­to­grá­fica há mais de 10 anos e já tra­ba­lhou com alguns dos cine­as­tas mais reco­nhe­ci­dos em Por­tu­gal — casos de Mano­el de Oli­veira, Fer­nando Lopes, Mar­ga­rida Car­doso, entre mui­tos outros. Em rela­ção às obras mais recen­tes, des­­ta­­cam-se Mon­ta­nha e Rafa, de João Sala­viza, Yvo­ne Kane, de Mar­ga­rida Car­doso, e Um Dia Frio, de Cláu­dia Vare­jão. Em 2015 foi uma de cin­co mulhe­res dis­tin­gui­das nos Pré­mios ​Mulhe­res Cri­a­do­res de Cul­tura” pro­mo­vido pelo Gabi­nete de Estra­té­gia, Pla­ne­a­mento e Ava­li­a­ção Cul­tu­rais do Minis­té­rio da Cul­tu­ra. 

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    Pedro Chagas Freitas

    PEDRO CHAGAS FREITASESCRITOR

    Pedro Cha­gas Frei­tas escre­ve cenas vari­a­das. Roman­ces, nove­las, con­tos, cró­ni­cas, guiões, letras de músi­ca, tex­tos publi­ci­tá­rios e outras imbe­ci­li­da­des. Publi­cou mais de duas deze­nas de obras. Está na lis­ta dos mais ven­di­dos de 2014 em Por­tu­gal. Estu­dou lin­guís­tica e cri­ou jogos didác­ti­cos para esti­mu­lar a pro­du­ção escri­ta. Foi nada­­dor-sal­­va­­dor, bar­man, ope­rá­rio fabril, por­teiro de dis­co­teca, joga­dor de fute­bol. Acre­dita que o país per­feito é a Lame­cha­lân­dia. E vive por lá todos os dias.

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    Pedro Figueiredo

    PEDRO FIGUEIREDOESCULTOR

    Pedro Figuei­redo nas­ceu a 22 de Outu­bro do ano de 1974, na cida­de da Guar­da. Con­cluiu o cur­so pro­fis­si­o­nal de Cerâ­mica na Esco­la Artís­tica de Coim­bra – ARCA – E.A.C., a licen­ci­a­tura em Escul­tura, a pós-gra­­du­a­­ção em Comu­ni­ca­ção Esté­tica e o Mes­trado em Artes Plás­ti­cas na Esco­la Uni­ver­si­tá­ria das Artes de Coim­bra – ARCA – E.U.A.C.

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    Rita Azevedo Gomes

    RITA AZEVEDO GOMESREALIZADORS

    Nas­cida em Lis­boa, em 1952, Rita Aze­vedo Gomes tem um per­curso vari­ado, liga­do às artes visu­ais. Come­çou por estu­dar Belas Artes, ligan­do-se ao cine­ma a pou­co e pou­co. Este­ve envol­vida, ao lon­go dos anos, em inú­me­ros pro­je­tos em tea­tro, ópe­ra, artes plás­ti­cas e cine­ma, ten­do ain­da desen­vol­vido, com gran­de reco­nhe­ci­mento, tra­ba­lhos grá­fi­cos em diver­sas edi­ções de cine­ma da Cine­ma­teca e da Fun­da­ção Calous­te Gul­ben­kian. Em 1990, rea­li­zou o seu pri­meiro fil­me: ​O Som da Ter­ra a Tre­mer”, após o qual escre­veu e rea­li­zou vári­as cur­tas e lon­gas metra­gens inter­na­ci­o­nal­mente reco­nhe­ci­das em fes­ti­vais de todo o mun­do. Tra­ba­lha atu­al­mente na Cine­ma­teca Por­tu­guesa como pro­gra­ma­dora onde está tam­bém a car­go das expo­si­ções. 

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    Susana Jacobetty

    SUSANA JACOBETTYSTYLIST

    Susa­na Jaco­betty tra­ba­lha em Comu­ni­ca­ção e na indús­tria da Moda há mais de 15anos.Ganhou o Pré­mio de Melhor Guar­da Rou­pa na XVII edi­ção do Fes­ti­val ​Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês” com o fil­me Kino­tel. Cos­tu­mi­zou uma peça para a expo­si­ção Boomshirt no Esto­ril Fashi­on Art Fes­ti­val em con­junto com as Artis­tas Joa­na Vas­con­ce­los e Cata­rina Pes­tana. Foi Res­pon­sá­vel pela Comu­ni­ca­ção da 1ª visi­ta do Dalai Lama a Por­tu­gal. Cola­bo­rou nas obras da Expo­si­ção no Palá­cio Naci­o­nal de Mafra, do artis­ta João Bace­lar e na Cam­pa­nha ​O teu bair­ro é a tua cara” no MUDE. Foi Comen­ta­dora dos Pré­mios Aqui­la, Ceri­mó­nia de Tele­vi­são e Cine­ma Por­tu­guês, tra­ba­lhou como Comen­ta­dora tele­vi­siva e teve vári­as rubri­cas de Moda e Bele­za em diver­sos pro­gra­mas de Tele­vi­são. Foi Edi­tora de Moda e Bele­za da revis­ta de cul­tura Urba­na, DIF e Res­pon­sá­vel de Moda na revis­ta Cos­mo­po­li­tan, para além de cola­bo­rar com vári­as publi­ca­ções naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais. Há vári­os anos que cola­bora com o cur­so de Cine­ma­lo­gia, do Fes­ti­val dos Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês, onde leci­o­nou o módu­lo de Guar­da Rou­pa e Carac­te­ri­za­ção para Cine­ma.

A segun­da cate­go­ria com­pe­ti­tiva do fes­ti­val é a Selec­ção Ensai­os. Nes­ta com­pe­ti­ção inter­na­ci­o­nal as aca­de­mias naci­o­nais e estran­gei­ras com­pe­tem pelos pré­mios de Melhor Ensaio Naci­o­nal e Melhor Ensaio Inter­na­ci­o­nal. Por aqui pas­sa­ram hoje nomes mais ou menos con­sa­gra­dos como Leo­nor Teles, Vas­co Men­des, André Gui­o­mar ou Vicen­te Nirō (Dani­el Vicen­te Roque). Colo­cando em com­pe­ti­ção o cine­ma de esco­la, esta sec­ção per­mite a mui­tos dos jovens cine­as­tas a pro­jec­ção públi­ca dos seus fil­mes fora do ambi­ente aca­dé­mico e de onde se pode­rão reti­rar ila­ções direc­tas sobre as reais con­di­ções de ensi­no e pro­du­ção de cine­ma em Por­tu­gal e no mun­do. Sob a mes­ma filo­so­fia com que cons­ti­tuí­mos o Júri da Selec­ção Cami­nhos, o Júri da Sele­ção Ensai­os terá a mis­são de atri­buir os pré­mios des­ta cate­go­ria. Este é inte­grado por vári­as per­so­na­li­da­des de reco­nhe­cido méri­to cul­tu­ral e artís­tico. Des­ta for­ma o Júri da Sele­ção Ensai­os é cons­ti­tuído pela dire­tora de pro­du­ção Ânge­la Cer­veira, a atriz Car­la Cham­bel, o músi­co David San­tos (tam­bém conhe­cido por Noi­serv), o rea­li­za­dor e pro­du­tor Jeró­nimo Rocha e a atriz Sara Bar­ros Lei­tão.

JÚRI SELEÇÃO ENSAIOS

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    Ângela Cerveira

    ÂNGELA CERVEIRADIRECTORA DE PRODUÇÃO

    Ânge­la Cer­veira encon­­tra-se nes­te momen­to a tra­ba­lhar no novo pro­jecto de Joa­quim Pin­to e Nuno Leo­nel. Come­çou a tra­ba­lhar em cine­ma em 1986. Des­de 1990, como Direc­tora de Pro­du­ção tra­ba­lhou com rea­li­za­do­res como João César Mon­teiro, Manu­el Mozos, José Álva­ro Morais, Miguel Gomes, Jean­ne Waltz, Leão Lopes, Flo­ra Gomes, Jor­ge Sil­va Melo, João Cani­jo, Chris­tine Lau­rent, João Sala­viza entre outros. Pro­du­tora exe­cu­tiva da 9ª edi­ção do Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal de Cine­ma Inde­pen­dente de Lis­boa – Indi­e­lis­boa.
    Direc­tora de pro­du­ção dos con­teú­dos audi­o­vi­su­ais do Pavi­lhão de Por­tu­gal na EXPO98, e Direc­tora téc­nica de Monu­men­tal’95/Mistérios de Lis­boa. Foi ain­da direc­tora de pro­du­ção da sema­na de moda ​Moda­Lis­boa” entre 19972001.
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    Carla Chambel

    CARLA CHAMBELATRIZ

    Car­la Cham­bel nas­ceu em 1976 na Ama­dora. Fez For­ma­ção de Ato­res na Esco­la Supe­rior de Tea­tro e Cine­ma. Estre­ou-se no tea­tro, em 1995, com A Dis­puta de Mari­vaux, ence­na­ção de João Per­ry, no Tea­tro da Trin­dade, em Lis­boa, e des­de aí tem tra­ba­lhado com diver­sas com­pa­nhias e rea­li­za­do­res por­tu­gue­ses e estran­gei­ros. Des­­ta­­cam-se Amá­lia, o Fil­me de Car­los Coe­lho da Sil­va e Quar­ta Divi­são de Joa­quim Lei­tão. Rece­beu pré­mio Sophia de Melhor Atriz Secun­dá­ria pelo fil­me Se Eu Fos­se Ladrão Rou­bava de Pau­lo Rocha. É locu­tora de publi­ci­dade, e tem pre­sença regu­lar na tele­vi­são, enquan­to atriz. Pode­mos vê-la, atu­al­mente, em Espe­lho d’Água, na SIC. Fez dire­ção de ato­res na nove­la Laços de San­gue, da SIC, que ganhou o EMMY em 2011, e dá for­ma­ção de ato­res em diver­sas esco­las e workshops. É coo­pe­ra­dora e vogal da GDA . É vice-pre­­si­­den­te da Aca­de­mia Por­tu­guesa de Cine­ma des­de 2014, onde pro­duz anu­al­mente a par­ti­ci­pa­ção por­tu­guesa no EFA YOUNGAUDIENCE AWARD

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    David Santos

    DAVID SANTOSCOMPOSITOR/​MÚSICO

    Noi­serv, a quem já cha­ma­ram ​o homem-orques­­tra” ou ​ban­da de um homem só”, tem um per­curso mar­cado pela com­po­si­ção e inter­pre­ta­ção musi­cal de temas que via­jam entre a memó­ria, sonho e a rea­li­dade. Con­ta com o bem suce­dido dis­co de estreia ​One Hun­dred Miles from Though­tles­s­ness” em 2008, o EPA Day in the Day of the Days” em 2010 e em Outu­bro de 2013 edi­tou ​Almost Visi­ble Orches­tra”, dis­tin­guido em 2014 como ​Melhor Dis­co de 2013“pela Soci­e­dade Por­tu­guesa de Auto­res. Em 2016 edi­tou o seu dis­co mais recen­te de nome “00:00:00:00”. Com mais de 500 con­cer­tos em Por­tu­gal e no estran­geiro, inte­gra uma série de outras cola­bo­ra­ções musi­cais, nome­a­da­mente como os You Can’t win Char­lie Brown, dos quais é mem­bro fun­da­dor. Con­tri­bui tam­bém para o pano­rama do cine­ma e tea­tro naci­o­nal, a des­ta­car as cola­bo­ra­ções em tea­tro com Mar­co Mar­tins, Nuno M. Car­doso e Rui Hor­ta, e em cine­ma com Miguel Gon­çal­ves Men­des e Pau­lo Bran­co, entre outros.

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    Jerónimo Rocha

    JERÓNIMO ROCHAREALIZADOR/​PRODUTOR

    Jeró­nimo Rocha nas­ceu no Por­to em 81e des­de miú­do, por não gos­tar de jogar fute­bol, arqui­teta estó­rias com quem o qui­ser acom­pa­nhar. Tra­ba­lha em Lis­boa na pro­du­tora de fil­mes TAKE IT EASYdes­de 2005, onde rea­liza e diri­ge o labo­ra­tó­rio cri­a­tivo EASYLAB. Com mais de uma deze­na de cur­tas metra­gens – entre as quais Breu (2010), Les Pay­sa­ges (2012), Déda­lo (2013), Maca­bre (2015), Arca­na (2015) – sele­ci­o­na­das e pre­mi­a­das nos mais diver­sos fes­ti­vais do pano­rama naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal (Motelx, Cina­nima, Indie Lis­boa, Annecy, Gua­da­la­jara, Mor­bido, PiFan, Leeds, TIFF, entre outros), Jeró­nimo tem um par­ti­cu­lar fas­cí­nio pelo lado mais obs­curo daqui­lo que nos rodeia. Foi o direc­tor de ani­ma­ção e edi­tor da série da RTP, Odis­seia (2013). É o pri­meiro por­tu­guês a rece­ber o pré­mio Bri­ga­doon no Fes­ti­val Inter­na­ci­o­nal de Cine­ma de Sit­ges

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    Sara Barros Leitão

    SARA BARROS LEITÃOATRIZ

    Sara Bar­ros Lei­tão, nas­ceu no Por­to em 1990 e for­­mou-se em Inter­pre­ta­ção pela Aca­de­mia Con­tem­po­râ­nea do Espe­tá­culo. Tra­ba­lha regu­lar­mente em Tele­vi­são, e o seu tra­ba­lho na mini-série ​Mulhe­res de Abril” valeu-lhe, em 2014, a nome­a­ção para Melhor Atriz Secun­dá­ria nos Pré­mios Áqui­la e Pré­mios Fan­tas­tic Tele­vi­são.

O der­ra­deiro júri é o Públi­co. A ele cabe­rá a deci­são de esco­lher o melhor fil­me da Selec­ção Cami­nhos. Faça par­te da deci­são do Pré­mio do Públi­coCha­ma Ama­rela’ e venha conhe­cer todo o cine­ma por­tu­guês”.

 

+ em: Júris irão atri­buir 25 pré­mi­os

Cinema Conimbricense volta a dar cartas

Após a sua exi­bi­ção na 6ª edi­ção do Fes­ti­val “Pri­ma­ve­ra do Cine” no pas­sa­do mês de maio em Vigo, a cur­ta-metra­gem “Banho de Para­gem” foi sele­ci­o­na­da para a 9ª edi­ção do “Inter­na­ti­o­nal Inter Uni­ver­sity Short Film Fes­ti­val” em Ban­gla­desh.
O Fes­ti­val orga­ni­za­do pela “Dha­ka Uni­ver­sity Film Soci­ety” que teve iní­cio no pre­sen­te mês decor­re até dia 13 de setem­bro, data em que serão entre­gues os pré­mi­os para melhor cur­ta e melhor Rea­li­za­dor.

A cur­ta, rea­li­za­da no âmbi­to da 5ª edi­ção do cur­so de Cine­ma “Cine­ma­lo­gia” e da 18ª Sema­na Cul­tu­ral da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, é uma das 200 obras sele­ci­o­na­das para o fes­ti­val sen­do que, segun­do dados for­ne­ci­dos pela orga­ni­za­ção, foram sub­me­ti­dos no total 1700 fil­mes ori­gi­ná­ri­os de 96 paí­ses dife­ren­tes.

+ em: Cine­ma Conim­bri­cen­se vol­ta a dar car­tas