Destaques Gerais

Na sua 25.ª edi­ção os Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês refor­çam a ofer­ta e a pro­mo­ção do Cine­ma Por­tu­guês. É nes­se sen­ti­do que o fes­ti­val afir­ma que há “cine­ma por­tu­guês para todos”. Cur­tas e Lon­gas Metra­gens na ani­ma­ção, docu­men­tá­rio e fic­ção par­ti­lham a tela do Tea­tro Aca­dé­mi­co de Gil Vicen­te, do Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha e dos Cine­mas NOS do Alma Shop­ping.

Reno­van­do a sua ofer­ta pro­gra­má­ti­ca, o fes­ti­val apre­sen­ta-se ago­ra com três Sec­ções Com­pe­ti­ti­vas; Cami­nhos, com­pe­ti­ção que jun­ta cine­as­tas con­sa­gra­dos e novos valo­res; Ensai­os, cine­ma aca­dé­mi­co de ori­gem naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal; e Outros Olha­res, uma nova sec­ção que pro­mo­ve o der­ru­be do câno­ne e o cine­ma enquan­to arte sen­so­ri­al e expe­ri­ên­cia pes­so­al.

Nes­ta edi­ção tra­ze­mos para gran­de tela e para a expe­ri­ên­cia imer­si­va cine­ma­to­grá­fi­ca reco­nhe­ci­dos auto­res como Pedro Cos­ta (“Vita­li­na Vare­la”), Tere­sa Vil­la­ve­re­de (“Où en êtes-vous, Tere­sa Vil­la­ver­de?”), Susa­na de Sou­sa Dias (“For­dlan­dia Malai­se”) ou mes­mo a nova estreia de Tia­go Gue­des (“Tris­te­za e Ale­gria na Vida das Gira­fas”). Des­ta­que ain­da para uma novís­si­ma vaga de rea­li­za­do­res como Sofia Bost (“Dia de Fes­ta”) e Car­los Con­cei­ção (“Ser­pen­tá­rio”), que mar­cam uma nova lin­gua­gem da abor­da­gem do ínti­mo e do bio­grá­fi­co.

Num géne­ro de home­na­gem às pri­mei­ras expe­ri­ên­ci­as cine­ma­to­grá­fi­cas, que roça­vam deli­ci­o­sa­men­te entre o riso e o hor­ror, tere­mos “Mutant Blast” (Fer­nan­do Alle) no “Tur­no da Noi­te”, pelas 23:59 no dia 23 de Novem­bro no Mini-Audi­tó­rio Sal­ga­do Zenha.

Refe­rên­cia ain­da para a já habi­tu­al ses­são de temá­ti­ca Que­er, que con­ta­rá com “Gol­pe de Sol” de Vicen­te Alves do Ó e cur­tas-metra­gem LGBTQ (Ale­xan­dre Siquei­ra na ani­ma­ção e Artur Ser­ra Araú­jo na fic­ção), que decor­re­rá sex­ta-fei­ra, dia 29, pelas 21h45 no TAGV.

A ava­li­ar os fil­mes selec­ci­o­na­dos estão seis equi­pas de júri. Na Selec­ção Cami­nhos par­ti­ci­pam as actri­zes Car­la Vas­con­ce­los e Lucin­da Lou­rei­ro, o ence­na­dor João Tel­mo, o rea­li­za­dor Pau­lo Car­nei­ro, ven­ce­dor do Pré­mio de Impren­sa CISION na edi­ção tran­sac­ta, e Hugo Van Der Ding, car­to­o­nis­ta, ator e apre­sen­ta­dor de rádio-tele­vi­são.

Este júri tem a com­pli­ca­da mis­são de deci­dir quem são os prin­ci­pais inter­ve­ni­en­tes téc­ni­cos e artís­ti­cos do Cine­ma Por­tu­guês, bem como os pré­mi­os Reve­la­ção, Ani­ma­ção, Docu­men­tá­rio ‘Uni­ver­si­da­de de Coim­bra’, Fic­ção ‘ Ford / Ges­mo’, Melhor Cur­ta-Metra­gem e ain­da o Gran­de Pré­mio do Fes­ti­val. A Selec­ção Cami­nhos é ava­li­a­da ain­da pelos Júri da Fede­ra­ção Inter­na­ci­o­nal de Cine­clu­bes e de Impren­sa CISION. Há ain­da espa­ço para o Pré­mio do Públi­co ‘Cha­ma Ama­re­la’ refor­çan­do os laços entre espec­ta­do­res e cri­a­do­res, algo que só um fes­ti­val de cine­ma pode ofe­re­cer de for­ma inten­sa como acon­te­ce nos Cami­nhos.

Olhan­do ao futu­ro e a outras for­mas do cine­ma naci­o­nal, cons­ti­tuí­ram-se o Júri Ensai­os, cons­ti­tuí­do por Cata­ri­na Neves Ric­ci, rea­li­za­do­ra, Pedro Ribei­ro, mon­ta­dor, e Tia­go Afon­so, rea­li­za­dor, deci­din­do o Melhor Ensaio Naci­o­nal e o Melhor Ensaio Inter­na­ci­o­nal; e o Júri Outros Olha­res, cons­ti­tuí­do por Antó­nio Pedro Pita, inves­ti­ga­dor, Cris­ti­na Jani­cas, pro­fes­so­ra, e Rita Alcai­re, docu­men­ta­ris­ta, que deci­di­rão quem será o pri­mei­ro ven­ce­dor do Pré­mio Outros Olha­res.

O des­ta­que prin­ci­pal des­ta edi­ção vai para a atri­bui­ção do Pré­mio Ethos. Reto­ma-se a atri­bui­ção de um pré­mio car­rei­ra, Arden­ter Ima­gi­ne, olhan­do-se ao con­tri­bu­to para a cri­a­ção de novos cami­nhos da nos­sa cine­ma­to­gra­fia.

Isa­bel Ruth é uma figu­ra incon­tor­ná­vel do cine­ma por­tu­guês. Encar­na o acto ou a facul­da­de de ver e dá um olhar espe­cu­lar e auto-refle­xi­vo ao cine­ma por­tu­guês. As múl­ti­plas per­so­na­gens que atra­ves­sam e são cons­ti­tu­ti­vas da his­tó­ria do cine­ma por­tu­guês devol­vem-nos a tes­si­tu­ra das suas for­mas nar­ra­ti­vas, esté­ti­cas e dra­ma­túr­gi­cas. Isa­bel Ruth con­tri­buiu deci­si­va­men­te não só para cri­ar um cor­po de cine­ma, como tam­bém para afir­mar as potên­ci­as do cor­po no cine­ma.

É home­na­ge­a­da hoje às 21h45 no Tea­tro Aca­dé­mi­co de Gil Vicen­te, após o Momen­to Ver­des Anos. O tema “Ver­des Anos” (Car­los Pare­des) será inter­pre­ta­do por um gui­tar­ris­ta tra­di­ci­o­nal de Coim­bra e, em segui­da, Ste­re­os­sau­ro apre­sen­ta a sua ver­são con­tem­po­râ­nea com um remix. A unir este pas­sa­do com o pre­sen­te e futu­ro, será rea­li­za­da uma per­for­man­ce por bai­la­ri­nas do gru­po Flic Flac que intro­du­zi­rão cumu­la­ti­va­men­te ele­men­tos de dan­ça clás­si­ca e con­tem­po­râ­nea.

Na sala bran­ca do TAGV esta­rá paten­te uma expo­si­ção com o per­cur­so da actriz, estan­do paten­te até ao tér­mi­no do fes­ti­val.

E por­que o fes­ti­val Cami­nhos tem sido um pon­to de encon­tro entre os prin­ci­pais inter­ve­ni­en­tes da cena cine­ma­to­grá­fi­ca con­tem­po­râ­nea, pro­gra­ma­ram-se, entre os dias 22 e 30, fes­tas temá­ti­cas em tor­no do cine­ma no Odd (Aqui­ba­se­tan­go) e no CITAC (Cír­cu­lo de Ini­ci­a­ção Tea­tral da Aca­de­mia de Coim­bra).

O fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês tem cres­ci­do ao lon­go da últi­ma déca­da tan­to em audi­ên­cia, taxa média de vari­a­ção de 5%, que atin­giu os 9934 espec­ta­do­res. Na sua edi­ção actu­al apre­sen­ta 87 horas e 26 minu­tos de pro­gra­ma­ção em 177 obras selec­ci­o­na­das de um uni­ver­so de 739 (24% acei­ta­ção). A cine­ma­to­gra­fia naci­o­nal mos­tra-se mais uma vez dinâ­mi­ca ten­do-se apli­ca­do à selec­ção 317 fil­mes, estan­do selec­ci­o­na­dos 114 (36% acei­ta­ção) nas 3 Sec­ções Com­pe­ti­ti­vas.

Atrás des­tes núme­ros o fes­ti­val aca­ba por repre­sen­tar uma indús­tria cine­ma­to­grá­fi­ca naci­o­nal além das esta­tís­ti­cas naci­o­nais. 1912 metra­gens naci­o­nais foram ins­cri­tas entre 2007 e 2018. A expres­são da pro­du­ção pou­co cres­ceu ao lon­go de uma déca­da, 0,20% de TMV, sen­do notó­ria a pre­ca­ri­e­da­de que assom­bra a pro­du­ção naci­o­nal com os regis­tos a osci­lar entre os 280 e os 142 fil­mes rece­bi­dos por edi­ção, isto sem con­si­de­rar o refle­xo das polí­ti­cas públi­cas de apoio ao setor no ano de 2012, o ano zero.

Em 2019 demons­tra­mos a resi­li­ên­cia, cri­an­do pon­tes naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais, para con­ti­nu­ar­mos a ser o úni­co fes­ti­val dedi­ca­do à cine­ma­to­gra­fia naci­o­nal. Ape­sar da fran­ca fal­ta de apoi­os, prin­ci­pal­men­te por par­te de enti­da­des públi­cas e pri­va­das de Coim­bra, con­ti­nu­a­mos anu­al­men­te a tor­nar esta cida­de na prin­ci­pal capi­tal da cele­bra­ção e exi­bi­ção do cine­ma naci­o­nal.

Sai­ba mais na seguin­te liga­ção: Des­ta­ques Gerais.