DOCLISBOA 2018

O Doclisboa?18 dedi­ca a sua retros­pe­ti­va de autor ao cine­as­ta colom­bi­a­no Luis Ospi­na, cuja “visão aten­ta e bem-humo­ra­da do seu país, a sua for­te pai­xão pelo cine­ma e o seu empe­nho na pre­ser­va­ção do pas­sa­do fazem dele uma das figu­ras mais impor­tan­tes da his­tó­ria recen­te do cine­ma da Amé­ri­ca Lati­na?, refe­re a orga­ni­za­ção do fes­ti­val.

Antevisão da XXIV edição

A XXIV edi­ção do fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma está cada vez mais per­to. Entre os dias 23 de novem­bro a 1 de dezem­bro, Coim­bra vai ser, uma vez mais, tela de uma das artes mais subli­mes. Dia 23 de novem­bro os Cami­nhos arran­cam com o Sim­pó­sio – “Fusões no Cine­ma” – em São João da Madei­ra, come­çan­do no dia seguin­te as ses­sões com­pe­ti­ti­vas, a par da ceri­mó­nia de aber­tu­ra.

Des­de 1988, este é um fes­ti­val aber­to à cele­bra­ção da arte cine­ma­to­grá­fi­ca. O esta­be­le­cer de pon­tes e mar­cas cul­tu­rais na cida­de é um impe­ra­ti­vo, bem como além-fron­tei­ras. Este ano con­tou com um total de 762 ins­cri­ções, ultra­pas­san­do, em lar­ga esca­la, os núme­ros da edi­ção ante­ri­or (316 ins­cri­ções). Das can­di­da­tu­ras rece­bi­das, – des­de lon­gas a cur­tas, ani­ma­ções a docu­men­tá­ri­os -323 eram por­tu­gue­sas e as res­tan­tes 439 de outros 65 paí­ses. O Bra­sil é o segun­do país com mais can­di­da­tu­ras, pelo que a lín­gua de Camões é domi­nan­te. Para além da lín­gua, os Cami­nhos são um refle­xo plu­ral da pro­du­ção anu­al de cine­ma naci­o­nal, cui­dan­do e pro­mo­ven­do as obras fíl­mi­cas pro­du­zi­das fora do eixo – Lis­boa e Por­to. Per­so­na Non Gra­ta, Fil­mó­gra­fo, Zêze­re ou ain­da as pro­du­ções do Ban­do à Par­te são essen­ci­ais para esta diver­si­da­de cura­to­ri­al.

As expec­ta­ti­vas são ele­va­das, com a intro­du­ção de novas sec­ções para­le­las e, aci­ma de tudo, com o reno­var da pro­gra­ma­ção do fes­ti­val cuja temá­ti­ca pre­do­mi­nan­te, no iní­cio das can­di­da­tu­ras, é sem­pre impre­vi­sí­vel. Con­tu­do, esta edi­ção, o pro­gra­ma con­ta com mais vari­e­da­de de géne­ros, lin­gua­gens, metra­gens e ori­gens da fil­mo­gra­fia, ape­lan­do à ade­são do públi­co. Pode­rão espe­rar uma pro­gra­ma­ção vas­ta e diver­sa nas sec­ções, que con­ta­rão com: 26 lon­gas, 110 cur­tas, 17 docu­men­tá­ri­os e 21 ani­ma­ções – o que cor­res­pon­de a um total de 74 horas, 5 minu­tos e 55 segun­dos de novos cami­nhos!

Uma das gran­des novi­da­des do fes­ti­val é a nova sele­ção para­le­la – “Outros Olha­res”. É carac­te­ri­za­da por fil­mes de cará­ter ensaís­ti­co e expe­ri­men­tal. São pro­du­ções, que não se cin­gem ao argu­men­to, mas que o tra­ba­lham afin­ca­da­men­te no domí­nio sen­so­ri­al, esti­mu­la­do pelo con­jun­to da ima­gem e som. Os fil­mes, como “O Espec­ta­dor Espan­ta­do” (Edgar Pêra), “Cim­ba­li­no” (Jeró­ni­mo Rocha) ou mes­mo “Lupo” (Pedro Lino), ilus­tram uma nova vaga de cine­ma que está a sur­gir.

Em com­pe­ti­ção, na Sele­ção “Ensai­os” o públi­co vai poder obser­var como é que tra­ba­lham os estu­dan­tes do nos­so país, ao mes­mo tem­po que conhe­cem o tra­ba­lho que é fei­to lá fora. Os “Ensai­os” são uma cate­go­ria rica cul­tu­ral­men­te: pos­si­bi­li­tam uma pers­pe­ti­va com­pa­ra­ti­va do cine­ma naci­o­nal com as aca­de­mi­as do res­to do mun­do. Ao mes­mo tem­po que se com­pa­ra, tam­bém abre hori­zon­tes, pelas temá­ti­cas comuns a mui­tas das obras, mas a abor­da­gem apre­sen­ta­da é com­ple­ta­men­te dife­ren­te. A expe­ri­ên­cia artís­ti­ca será sem­pre enri­que­ce­do­ra.

Manu­el Casi­mi­ro: Pin­tar a Ideia” (Isa­bel Gomes) é um dos des­ta­ques da Sele­ção “Ensai­os”. Um docu­men­tá­rio que retra­ta o per­cur­so de 40 anos do artis­ta visu­al Manu­el Casi­mi­ro. Além dis­so, mere­cem des­ta­que “Rabo Negro” (Tia­go Sil­va) e “Onde o Verão Vai (epi­só­di­os da juven­tu­de)” (David Pinhei­ro Vicen­te). Vin­dos de fora, fil­mes como “Son of A Dan­cer” (Geor­ges Hazim) e “Irony” (Radheya Jegathe­va) irão abri­lhan­tar as telas de Coim­bra.  Os Cami­nhos são um que­brar de fron­tei­ras e dos limi­tes da lín­gua, pois a Arte ser­ve como tra­du­to­ra uni­ver­sal.

Nes­ta edi­ção, a temá­ti­ca da cri­se é uma cons­tan­te. Não obs­tan­te, ao con­trá­rio dos anos ante­ri­o­res, é tra­ta­da uma cri­se român­ti­ca ou fami­li­ar: “Pedro e Inês” (Antó­nio Fer­rei­ra) ou “Os dois irmãos” (Fran­cis­co Man­so). Por outro lado, há um res­ga­te das temá­ti­cas por­tu­gue­sas – um redes­co­brir do pas­sa­do – atra­vés de clás­si­cos como “A Apa­ri­ção” (Fer­nan­do Ven­drell). Tam­bém há espa­ço, por exem­plo, para um cine­ma dire­ci­o­na­do a um públi­co mais amplo – “Caba­ret Maxi­me” (Bru­no de Almei­da), que cru­za refe­ren­tes esté­ti­cos por­tu­gue­ses e americanos.As pro­du­ções naci­o­nais pro­cu­ram, mui­tas vezes, ir ao encon­tro das esté­ti­cas vigen­tes pelos mer­ca­dos cine­ma­to­grá­fi­cos domi­nan­tes. Cria-se uma dico­to­mia entre uma lin­gua­gem visu­al pró­pria, de lei­tu­ra mais len­ta e apro­fun­da­da, e uma padro­ni­za­ção esté­ti­ca, pró­xi­ma dos hábi­tos de con­su­mo audi­o­vi­su­ais das mas­sas.

Via­jan­do da fic­ção, é no regis­to docu­men­tal que se encon­trou a mai­or com­pe­ti­ti­vi­da­de nas esco­lhas des­ta edi­ção, devi­do às for­tes temá­ti­cas e qua­li­da­des esté­ti­cas demons­tra­das pelas can­di­da­tu­ras – “Vidas Cin­zas” (Leo­nar­do Mar­ti­nel­li) é uma das pro­vas. Pela fuga­ci­da­de que os nos­sos direi­tos fun­da­men­tais podem ter, os docu­men­tá­ri­os pro­vam o incre­men­to da qua­li­da­de da pro­gra­ma­ção des­te ano, tan­to na com­pe­ti­ção dos “Cami­nhos”, como dos “Ensai­os”.

No pro­gra­ma, há ain­da espa­ço para a emo­ção do ter­ror, na pri­mei­ra ses­são da Sele­ção Cami­nhos, bem como para a comé­dia, o dra­ma da guer­ra – “Sol­da­do Milhões” (Gon­ça­lo Gal­vão Teles, Jor­ge Pai­xão da Cos­ta) – e a nos­sa his­tó­ria. Esta con­fluên­cia de temas é curi­o­sa, uma vez que, sem se conhe­ce­rem, rea­li­za­do­res (pro­fis­si­o­nais ou aca­dé­mi­cos) de diver­sas par­tes do mun­do pos­su­em um cons­ci­en­te que se inter­re­la­ci­o­na. As 8 ani­ma­ções são a pro­va des­sa união incons­ci­en­te, pois abor­dam todos os temas, des­de os clás­si­cos por­tu­gue­ses até às cri­ses de famí­lia e das rela­ções.  “Agou­ro” (David Dou­tel, Vas­co Sá) é sinó­ni­mo da coe­rên­cia do esti­lo de tra­ço e ani­ma­ção – relem­bran­do aqua­re­la viva – de dois dos rea­li­za­do­res do géne­ro que mais pré­mi­os rece­be­ram e rece­bem nos últi­mos anos.

Os Cami­nhos são um per­cur­so con­tí­nuo da sua his­tó­ria, e, assim, nomes como o de Rita Aze­ve­do Gomes, João Sala­vi­za, Jor­ge Peli­ca­no, Leo­nor Teles, João Bote­lho e Edgar Pêra con­ti­nu­am a estar pre­sen­tes no fes­ti­val. A atri­bui­ção dos pré­mi­os é um dos pon­tos altos do fes­ti­val, sen­do que o do públi­co é um dos mais rele­van­tes por ser um reco­nhe­ci­men­to espe­ci­al para o cine­ma naci­o­nal. A deci­são de atri­bui­ção dos pré­mi­os com­pe­te a mais qua­tro equi­pas de júri: Cami­nhos, Ensai­os, FICC e ‘Impren­sa CISION’, con­tem­plan­do per­so­na­li­da­des como Vas­co Câma­ra (Ípsilon/Público), Mar­co Mar­tins (rea­li­za­dor) ou Joa­na Pais de Bri­to (atriz).

As ses­sões pre­ten­dem cha­mar a aten­ção de pes­so­as de todas as ida­des. A pro­gra­ma­ção é, nova­men­te, ambi­ci­o­sa, vas­ta e reple­ta de temá­ti­cas recor­ren­tes no nos­so dia-a-dia. Mano­el de Oli­vei­ra, rea­li­za­dor por­tu­guês, dis­se que “o tea­tro é mais hones­to que o cine­ma, por­que o cine­ma fil­ma sonhos”. Atre­va­mo-nos a sonhar e vamos cele­brar o cine­ma de 23 de novem­bro a 1 de dezem­bro!

por Cata­ri­na Maga­lhães

Reservas de Grupos

Olhan­do a uma melhor pro­mo­ção e refle­xão em tor­no do cine­ma por­tu­guês jun­to do públi­co juve­nil os Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês dis­po­ni­bi­li­zam, no seu site, ins­cri­ções espe­ci­ais para gru­pos esco­la­res. As ses­sões dedi­ca­das ao públi­co juve­nil serão rea­li­za­das no Tea­tro Aca­dé­mi­co de Gil Vicen­te (TAGV), em Coim­bra, de 26 a 30 de novem­bro às 15h00.

Com uma pro­gra­ma­ção espe­ci­al para os jovens, o fes­ti­val con­ta com obras que, gra­ças ao seu argu­men­to e har­mo­nia esté­ti­ca, des­per­tam a con­tem­pla­ção à cul­tu­ra por­tu­gue­sa, agin­do como fon­te de ins­pi­ra­ção aos mais novos.

Des­te modo, tra­ta-se de uma for­ma de fazer des­per­tar e cres­cer o inte­res­se pela séti­ma arte nos alu­nos do 3º Ciclo e Ensi­no Secun­dá­rio. Esta é tam­bém a opor­tu­ni­da­de de conhe­ce­rem, em gran­de tela, as mais recen­tes e rele­van­tes pro­du­ções por­tu­gue­sas e de favo­re­cer o diá­lo­go entre os inter­ve­ni­en­tes do fil­me, como o rea­li­za­dor e os ato­res. Todas as ses­sões serão acom­pa­nha­das, sem­pre que pos­sí­vel, por uma apre­sen­ta­ção com per­gun­tas e res­pos­tas sobre os fil­mes exi­bi­dos.

A polí­ti­ca de gru­pos imple­men­ta­da pelo fes­ti­val é igual­men­te alar­ga­da às res­tan­tes ses­sões e sec­ções des­tes Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês, haven­do de igual for­ma um espa­ço espe­ci­al dedi­ca­do aos públi­cos em ida­de pré-esco­las e do pri­mei­ro ciclo, os Cami­nhos Juni­o­res

Os Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês é um fes­ti­val de cine­ma gene­ra­lis­ta por­tu­guês que decor­re anu­al­men­te na cida­de de Coim­bra. Este ano, a XXIV Edi­ção decor­re­rá entre os dias 23 de novem­bro e 1 de dezem­bro.

Para mais infor­ma­ções: https://www.caminhos.info/programacao/politica-de-grupos/

 

 

Selecção Ensaios

O nos­so Fes­ti­val segue o mote de ser uma mon­tra de todo o cine­ma por­tu­guês, não poden­do ser igno­ra­das as obras pro­du­zi­das no seio das aca­de­mi­as e esco­las. Exis­te uma tor­ren­te anu­al cons­tan­te de estu­dan­tes com von­ta­de de cri­ar ou, mui­tas das vezes, rea­li­za­do­res que vol­tam ao mun­do aca­dé­mi­co para adqui­rir ou reno­var novas com­pe­tên­ci­as no domí­nio da lin­gua­gem cine­ma­to­grá­fi­ca. Come­ça a ser mui­to ténue a linha que desar­ti­cu­la aqui­lo que con­si­de­ra­mos cine­ma pro­du­zi­do em con­tex­to pro­fis­si­o­nal do que é pro­du­zi­do em con­tex­to aca­dé­mi­co, mas sabe­mos que aqui­lo que os une é, sem dúvi­da, uma qua­li­da­de e ori­gi­na­li­da­de sur­pre­en­den­tes.

Assis­tir às ses­sões da Selec­ção Ensai­os é sen­tir o san­gue novo que sem­pre pau­tou o cine­ma (inde­pen­den­te­men­te da ida­de do cri­a­dor), é ser con­fron­ta­do com téc­ni­cas e diá­lo­gos hete­ro­gé­ne­os, idei­as van­guar­dis­tas e inclu­si­va­men­te conhe­cer novos intér­pre­tes com per­for­man­ces ines­pe­ra­das e por isso mar­can­tes.
Para o espec­ta­dor e ciné­fi­lo em geral, estas ses­sões repre­sen­tam o ace­der a men­tes de jovens cri­a­do­res, dan­do-lhes uma real noção dos valo­res e idei­as que pau­tam actu­al­men­te este movi­men­to artís­ti­co por­tu­guês e inter­na­ci­o­nal e per­ce­ber as suas seme­lhan­ças e dife­ren­ças. É a opor­tu­ni­da­de úni­ca de ver a semen­te que ger­mi­na, as pri­mei­ras obras, as novas for­mas de olhar o cine­ma e o mun­do.

A Selec­ção Ensai­os é assim um cami­nhar pelo cine­ma por­tu­guês e inter­na­ci­o­nal desen­vol­vi­do aca­de­mi­ca­men­te. Esta apa­ren­te dua­li­da­de ser­ve de objec­to de dis­cus­são, for­ne­cen­do uma linha invi­sí­vel de lin­gua­gem cine­ma­to­grá­fi­ca que une os novos artis­tas por todo o mun­do. É um res­pon­der, por vezes qua­se em jei­to de mani­fes­to fíl­mi­co, do esta­do actu­al das coi­sas em Por­tu­gal e no mun­do.

Apre­sen­ta­mos a pro­gra­ma­ção da Selec­ção Ensai­os des­te ano, com obras pro­du­zi­das num con­tex­to aca­dé­mi­co naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal num cru­za­men­to inter-aca­de­mi­as pos­si­bi­li­ta­dor de um olhar com­pa­ra­ti­vo entre o futu­ro do cine­ma naci­o­nal e o seu posi­ci­o­na­men­to no mun­do.

Títu­lo Rea­li­za­dor Géne­ro Esco­la Dura­ção País
24 Memó­ri­as Por Segun­do Car­los Miran­da Cur­ta Docu­men­ta­rio Kino-Doc 0:20:33 Por­tu­gal
A Swe­et Story Cris­ti­na Marx Cur­ta Ani­ma­ção Film Uni­ver­sity Babels­berg KONRAD WOLF 0:07:20 Ale­ma­nha
A Cos­tu­rei­ri­nha coord. Tel­mo Mar­tins Cur­ta Fic­ção Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês & CEC 0:13:27 Por­tu­gal
Amor, Ave­ni­das Novas Duar­te Coim­bra Cur­ta Fic­ção ESTC 0:20:00 Por­tu­gal
Aula de Nata­ção Gon­ça­lo Via­na Cur­ta Fic­ção U. Lusó­fo­na 0:04:45 Por­tu­gal
Back Home Haru­ka Motohashi Cur­ta Docu­men­tá­rio The City of New York 0:12:50 Japão
Bru­ma Sofia Cachim Cur­ta Ani­ma­ção Cató­li­ca – Esco­la das Artes 0:06:00 Por­tu­gal
Casas Cai­a­das – 08/2017 Kyle Sou­sa Cur­ta Fic­ção Cató­li­ca – Esco­la das Artes 0:16:30 Por­tu­gal
Celes­te Fran­cis­co Perei­ra Cou­ti­nho Cur­ta Fic­ção Loyo­la Mary­mount Uni­ver­sity 0:10:00 EUA
Cin­zas Célia Fra­ga Cur­ta Fic­ção ESAP 0:15:00 Por­tu­gal
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Crab­Man Wally­son Mota, Ali­ne Pel­le­gri­ni Cur­ta Mock­men­tá­rio Aca­de­mia Inter­na­ci­o­nal de Cine­ma – São Paulo/Brasil 0:17:46 Bra­zil
Cre­a­ting Nep­tu­ne Sebas­tião Vare­la Cur­ta Exp Kings­ton Scho­ol of Art 0:06:38 Rei­no Uni­do
Drow­ning Pedro Har­res Cur­ta Ani­ma­ção Babels­berg Film Uni­ver­sity 0:05:00 Ale­ma­nha
FIFO Sasha Fer­bus Cur­ta Fic­ção Medi­a­dif­fu­si­on 0:12:00 Fran­ça
Flor do Gás João Cas­te­la Cur­ta Fic­ção Cató­li­ca – Esco­la das Artes 0:12:40 Por­tu­gal
For you Katary­na Wis­ni­ows­ka Cur­ta Fic­ção Polish Nati­o­nal Film Scho­ol in Lodz 0:17:23 Poló­nia
Give Me a Ligh­ter Gokhan Kaya Cur­ta fic­ção Docu­men­tal Dokuz Eylul Uni­ver­sity Film Design Depart­ment 0:30:00 Tur­quia
Him&Her Natha­lie Lamb Cur­ta Ani­ma­ção Fil­ma­ka­de­mie Baden-Würt­tem­berg 0:07:47 Ale­ma­nha
His­tó­ri­as de Lobos Agnes Meng Cur­ta Docu­men­ta­rio DocNomads/Lusofona 0:22:27 Por­tu­gal
Home­sick Hila Einy, Yoav Aluf, Noy Bar, Beza­lel Cur­ta Ani­ma­ção Aca­demy of Arts And Design 0:07:15 Isra­el
If the worlds spin­ned Backwards Leo­nar­do Mar­ti­nel­li Cur­ta Fic­ção Uni­ver­si­da­de Está­cio de Sá 0:05:00 Bra­zil
In Betwe­en Spa­ces Don Senoc Cur­ta Fic­ção Uni­ver­sity of the Phi­lip­pi­nes Film Ins­ti­tu­te 0:18:30 Fili­pi­nas
Irony Radheya Jegathe­va Cur­ta Ani­ma­ção Cur­tin Uni­ver­sity 0:07:53 Aus­tra­lia
Lau­ra Gui­lher­me Fran­co Cur­ta fic­ção Facul­da­de de Letras – UC 0:16:00 Por­tu­gal
Life In Gray Leo­nar­do Mar­ti­nel­li Cur­ta Docu­men­ta­rio Uni­ver­si­da­de Está­cio de Sá 0:15:00 Bra­zil
Man of the Veni­ce of the North Kos­tan­tin Ale­xan­drov Cur­ta Fic­ção St. Peters­burg Sta­te Uni­ver­sity of Film and Tele­vi­si­on 0:13:30 Rus­sia
Manu­el Casi­mi­ro: Pin­tar a Ideia Isa­bel Gomes Lon­ga Doc Colé­gio das Artes – UC 1:27:27 Por­tu­gal
Mar­gem Joel Bran­dão Cur­ta Fic­ção Cató­li­ca – Esco­la das Artes 0:23:00 Por­tu­gal
Mari­po­sas Adri­an Carey Cur­ta Fic­ção Aire­bedd Productions/ New York Uni­ver­sity Tis­ch 0:03:00 EUA
Mate­ria Mari­na Jiga­lo­va-Ozkan Cur­ta fic­ção High Cour­ses for Script­wri­ters and Film Direc­tors 0:15:16 Rús­sia
Mic­tlan Leon Lan­da­zu­ri Cur­ta fic­ção Uni­ver­si­dad Autó­no­ma de la Ciu­dad de Méxi­co 0:09:54 Mexi­co
No Sle­e­ping Emma­nu­el Levy Cur­ta fic­ção Waj­da Film Scho­ol, War­saw Poland 0:05:58 Poló­nia
Not Another War Movie Stepha­nie Kous­sa Cur­ta Docu­men­tá­rio Ins­ti­tut d’études scé­ni­ques, audi­o­vi­su­el­les et ciné­ma­to­graphi­ques à l’Université Saint-Joseph 0:20:00 Siria
O Cha­péu Ale­xan­dra Allen Cur­ta Ani­ma­ção I.P. Cáva­do e do Ave 0:04:50 Por­tu­gal
Obses­si­on Lusia Zhai Cur­ta Fic­ção Aca­demy of Art Uni­ver­sity 0:13:25 EUA
Onde o Verão Vai (epi­só­di­os da juven­tu­de) David Pinhei­ro Vicen­te Cur­ta Fic­ção Esco­la Supe­ri­or de Tea­tro e Cine­ma 0:21:00 Por­tu­gal
Oni­ku­ma Ales­sia Cec­chet Cur­ta Fic­ção Syra­cu­se Uni­ver­sity 0:12:02 Ita­lia
Os Estran­gei­ros Rita Al Cunha Cur­ta Docu­men­ta­rio Ao Nor­te / Pla­no Fron­tal Film Resi­dency 0:14:00 Por­tu­gal
Pri­mei­ra Noi­te André Rodri­gues Cur­ta Fic­ção Esco­la Téc­ni­ca de Ima­gem e Comu­ni­ca­ção 0:05:01 Por­tu­gal
Rabo Negro Tia­go Sil­va Cur­ta Doc ESAD Cal­das da Raí­nha 0:25:49 Por­tu­gal
Recep­tor Emma­no­el Ximen­des Cur­ta Expe­ri­men­tal Ofi­ci­na de Cine­ma Indie do IFRS 0:19:30 Bra­zil
Roots Den­nis Tsai Cur­ta Docu­men­tá­rio Mas­sa­chu­setts Col­le­ge of Art and Design 0:13:30 Taiwan, Chi­na
Satán Car­los Tapia Cur­ta Fic­ção Eco­le Can­to­na­le dárt de Lau­san­ne 0:17:14 Mexi­co
SHE.TEMA.OHA Cris­ti­a­na For­te Cur­ta Fic­ção Bal­tic Film and Media Scho­ol 0:24:50 Esto­nia
Sle­e­pless Nights… Maria Tei­xei­ra Cur­ta Ani­ma­ção Film Uni­ver­sity Babels­berg KONRAD WOLF 0:01:17 Ale­ma­nha
Slum­be­rous Sara Eus­ta­quio Cur­ta fic­ção CalArts 0:06:00 EUA
Son of A Dan­cer Geor­ges Hazim Cur­ta Fic­ção Leba­ne­se Uni­ver­sity 0:21:00 Ara­bia
Sou Miguel Sarai­va Bra­ga Cur­ta Doc World Aca­demy 0:13:02 Por­tu­gal
Soul­ke­e­per – 08/2017 Théo Hoch Cur­ta Mock­men­tá­rio Paris 1 Panthéon Sor­bon­ne Uni­ver­sity 0:10:11 Fran­ça
Suc­cess Valen­tin Sunt­sov Cur­ta Fic­ção The Boris Shchu­kin The­a­tre Ins­ti­tu­te 0:07:36 Rus­sia
The Black­God Grze­gorz Paprzyc­ki Cur­ta Docu­men­tá­rio Krzysz­tof Kieś­lows­ki Faculty of Radio and Tele­vi­si­on Uni­ver­sity of Sile­sia 0:30:00 Ucrâ­nia
The Dan­ce of Amal Rami Al Rabih Cur­ta Expe­ri­men­tal Uni­ver­sity Lumiè­re 2/ Pra­gue FIlm Scho­ol 0:07:30 Repu­bli­ca Che­ca
The The­ory of Evo­lu­ti­on Ting Hang Yip Cur­ta Fic­ção Tai­pei Nati­o­nal Uni­ver­sity of the Arts 0:24:55 Taiwan, Chi­na
The War of the Worlds Rober­to Gar­cia Cur­ta Expe­ri­emn­tal Tec­no­lo­gi­co de Mon­ter­rey 0:02:10 Mexi­co
The way of the sha­man drum -08/2017 João Mei­ri­nhos Cur­ta Doc U. OF MANCHESTER 0:12:24 Por­tu­gal
Um Mar­co no Fute­bol José Cae­ta­no Cur­ta Fic­ção Uni­ver­si­da­de da Bei­ra Inte­ri­or 0:10:00 Por­tu­gal
Wish­but­ton Vla­di­mir Kvet­noy Cur­ta Fic­ção High Cour­ses for Script Wri­ters and Film Direc­tors 0:25:00 Rus­sia
Without Water Ene­os Çar­ka Cur­ta Docu­men­tá­rio Uni­ver­sity of Arts of Alba­nia 0:07:11 Albâ­nia
Zeit­geist Oleg Kauz Cur­ta Ani­ma­ção Fil­ma­ka­de­mie Baden-Würt­tem­berg 0:08:57 Ale­ma­nha

Outros Olhares

Na sua céle­bre obra A Repú­bli­ca, Pla­tão des­cre­ve-nos uma caver­na onde seres huma­nos se encon­tram agri­lho­a­dos, não ten­do nun­ca viven­ci­a­do nada além des­se espa­ço con­cre­to. Nes­sa mes­ma caver­na encon­tra-se uma foguei­ra que pro­jec­ta som­bras da rea­li­da­de exte­ri­or. Assim, ten­do ape­nas tido con­tac­to com essas som­bras, os seres que se encon­tram na caver­na aca­bam por ter como garan­ti­do que estas sejam a pró­pria rea­li­da­de. Pode­mos afir­mar que esta des­cri­ção que o filó­so­fo gre­go faz na sua Ale­go­ria da Caver­na é seme­lhan­te àque­la que o públi­co fran­cês em 1895 sen­tiu quan­do os irmãos Lumiè­re fize­ram a sua pri­mei­ra exi­bi­ção do cine­ma­tó­gra­fo com a obra L’Arrivée d’un train en gare de La Cio­tat. Quan­do um com­boio fil­ma­do se apro­xi­mou das mar­gens do enqua­dra­men­to da câma­ra, o públi­co gri­tou cri­an­do uma como­ção: todos sen­ti­ram que iri­am ser atro­pe­la­dos. Não há então uma dis­tin­ção entre o que é a rea­li­da­de con­cre­ta e a repre­sen­ta­ção des­ta mes­ma rea­li­da­de. A par­tir daqui a ilu­são do cine­ma, e a cri­a­ção de uma supos­ta rea­li­da­de, é per­se­gui­da cons­tan­te­men­te, sen­do impul­si­o­na­da pelas ino­va­ções de cine­as­tas como o ame­ri­ca­no Grif­fith, o rus­so Eisens­tein ou mais tar­de com a intro­du­ção de téc­ni­cas de pro­cu­ra do natu­ra­lis­mo na repre­sen­ta­ção, como é o Méto­do de Sta­nis­lavsky.

Com o tem­po sur­gi­ram tam­bém movi­men­tos, géne­ros e esti­los cine­ma­to­grá­fi­cos que rom­pe­ram com esta ideia da pro­cu­ra do natu­ra­lis­mo e de uma rea­li­da­de ilu­só­ria do cine­ma. Pode­mos men­ci­o­nar como exem­plo o desen­vol­vi­men­to do ciné­ma veri­té e a sua pro­cu­ra de retra­tar a ver­da­de tal como ela é, sem qual­quer tipo de mani­pu­la­ção, um cine­ma livre de ence­na­ção. É de obser­var as cons­tan­tes que­bras da quar­ta pare­de, o fac­to de o rea­li­za­dor entrar no fil­me, não como Orson Wel­les ou Kea­ton fari­am no pas­sa­do repre­sen­tan­do uma per­so­na­gem, mas sim tal como é, ou o cap­tar dos meca­nis­mos do cine­ma (câma­ras, luzes, o staff etc), eli­mi­nan­do a trans­pa­rên­cia do cine­ma: o públi­co é dis­tan­ci­a­do da obra que assis­te, não crê ver a rea­li­da­de mas sim a repre­sen­ta­ção da rea­li­da­de. De igual modo, é impor­tan­te refe­ren­ci­ar o sur­gi­men­to do cine­ma expe­ri­men­tal com a sua pro­cu­ra da abs­trac­ção de uma rea­li­da­de con­cre­ta.

Nes­ta edi­ção do Fes­ti­val Cami­nhos do Cine­ma Por­tu­guês intro­du­zi­mos uma outra sec­ção: “Outros Olha­res”. Nes­ta cri­te­ri­o­sa selec­ção pro­cu­ra­re­mos obser­var obras sig­ni­fi­ca­ti­vas da pro­du­ção naci­o­nal nos parâ­me­tros do docu­men­tal e do expe­ri­men­tal, per­mi­tin­do assim, como a pró­pria nomen­cla­tu­ra indi­ca, que o públi­co encon­tre outros e novos olha­res que actu­al­men­te enca­ram o cine­ma e a rea­li­da­de.

Con­vi­da­mos todos a expe­ri­men­tar o Cine­ma sob a égi­de de um outro olhar,
Mar­ce­lo Ven­tu­ra,
Selec­ção Outros Olha­res

Títu­lo Rea­li­za­dor Géne­ro Pro­du­to­ra Ano Dura­ção
Antes que a noi­te venha – Falas de Antí­go­na Joa­quim Pavão Lon­ga Fic­ção Mares do Sul 2018 00:39:34
Antí­go­na Silly­Se­a­son Cur­ta Fic­ção Silly­Se­a­son 2018 00:13:44
Cim­ba­li­no Jeró­ni­mo Rocha Cur­ta Fic­ção take it easy film 2017 00:21:34
Expo­si­ção Luis Aze­ve­do Cur­ta Docu­men­tá­rio Kino Gang Films 00:11:22
Fer­nan­do Lemos Rita Lopes Alves Lon­ga Docu­men­tá­rio Artis­tas Uni­dos 2018 01:16:10
His­tó­ri­as de Fan­tas­mas Car­los Perei­ra Cur­ta Docu­men­tá­rio 2018 00:13:32
Insi­de Hou8e Mar­ga­ri­da Rodri­gues Lon­ga Docu­men­tá­rio ——————– 2017 00:47:50
Lupo Pedro Lino Lon­ga Docu­men­tá­rio Ukbar fil­mes 2018 01:14:30
Maria Sem Peca­do Mário Mace­do Cur­ta Docu­men­tá­rio 73collective 2016 00:28:16
Mother’s day Rita Figuei­ra Cur­ta Ani­ma­ção Esco­la Supe­ri­or de Media Artes e Design 2017 00:07:29
my hands are never empty Miguel Munhá Lon­ga Docu­men­tá­rio Dupla­Ce­na 2018 01:16:00
O Espec­ta­dor Espan­ta­do Edgar Pêra Lon­ga Ban­do à Par­te 2016 01:10:07
Orqui­dea Sandy Loren­te Cur­ta Docu­men­tá­rio Cala­ch Films 2017 00:26:00
Orson Wel­les Luís Aze­ve­do Cur­ta Docu­men­tá­rio MUBI 2018 00:05:44
Os Mai­o­res da Minha Rua Gabri­el Coe­lho Cur­ta Fic­ção ESAD Mato­si­nhos 2018 00:07:44
Os moti­vos de Rei­nal­do Ricar­do Viei­ra Lis­boa Cur­ta Docu­men­tá­rio Pró­prio 2017 00:08:00
Pe San Le Rou­sa Cou­ti­nho Cabral Lon­ga Docu­men­tá­rio art8/nocturno fil­mes 2018 01:33:58
Pixel Frio Rodri­go Arei­as Cur­ta Fic­ção Ban­do À par­te 2018 00:15:00
Sou­sa Mar­tins Jus­ti­ne Lemahi­eu Lon­ga Docu­men­tá­rio Ukbar Fil­mes 2018 01:21:20
Tem­po Comum Susa­na Nobre Lon­ga Docu­men­tá­rio ter­ra­tre­me fil­mes 2018 01:04:00
The art of losing Cris­ti­na Fer­rei­ra Gomes Cur­ta Fic­ção Mares do Sul 2018 00:39:34