2º Ciclo de Cinema de Terror Internacional “Temores”

Todas as quartas, em sessão dupla - 18:00 e 22:00 - , o Centro de Estudos Cinematográficos promove, integrado no programa cultural da Queima das Fitas de 2015, um ciclo de Cinema de Terror internacional.
Centro de Estudos Cinematográficos

Foi no ano de 2013 que pela pri­mei­ra vez expe­ri­men­tá­mos o con­cei­to de ‘Temo­res’, que levou o espec­ta­dor a uma via­gem tene­bro­sa pelo cine­ma de ter­ror inter­na­ci­o­nal. O cine­ma hoje, maxi­me a apre­sen­ta­ção de obras cine­ma­to­grá­fi­cas con­tem­po­râ­ne­as, tem sido pau­ta­do pela desis­tên­cia pau­la­ti­na de espec­ta­do­res e da sua cor­res­pon­den­te des­lo­ca­ção às salas de exi­bi­ção. Hoje vemos mui­tas vezes salas de pro­jec­ção com pou­cos ou nenhuns ele­men­tos na audi­ên­cia. Isso deve-se ao fac­to de que, pre­sen­te­men­te, mui­tas serem as obras que reme­tem o seu públi­co à indi­fe­ren­ça, a um géne­ro de sono­lên­cia cine­ma­to­grá­fi­ca e iner­te. O cine­ma exi­bi­do na mai­o­ria das salas hoje em dia aca­ba por res­pei­tar deter­mi­na­dos parâ­me­tros pré-defi­ni­dos por valo­res, acre­di­ta­mos nós, desa­de­qua­dos à soci­e­da­de de hoje. O espec­ta­dor pro­cu­ra algo ino­va­dor, que lhe tra­ga sen­ti­men­tos novos, que des­per­te em si um desen­ca­de­ar de emo­ções con­ca­te­na­das no seu ínti­mo, atra­vés de uma espé­cie de catar­se, nes­te caso atra­vés do medo ou ter­ror. Será, por isso, o ter­ror a linha ori­en­ta­do­ra da pro­gra­ma­ção des­te nos­so ciclo, vis­to já ter sido tes­ta­do na pri­mei­ra edi­ção do ‘Temo­res’, cujo resul­ta­do final foi mais que satis­fa­tó­rio. O objec­ti­vo é inequí­vo­co: ter um fio con­du­tor pro­fí­cuo a tra­zer o espec­ta­dor às exi­bi­ções, ao mes­mo tem­po que o ins­truí­mos com uma rea­li­da­de dis­tin­ta daque­la que está habi­tu­a­do nas salas comer­ci­ais. Assim, fize­mos uma selec­ção de cine­ma de índo­le naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal den­tro da temá­ti­ca ter­ror, fazen­do com que o espec­ta­dor tenha uma noção do cine­ma numa pers­pec­ti­va bem mais ampla e não exclu­si­va­men­te ame­ri­ca­na-comer­ci­al, repor­tan­do-nos ao mes­mo tem­po a uma temá­ti­ca não des­ti­na­da a pre­ten­sos nichos. As obras pro­gra­ma­das foram alvo de exce­len­tes crí­ti­cas e comen­tá­ri­os do públi­co, ten­do par­ti­ci­pa­do nos mais pres­ti­gi­a­dos fes­ti­vais de cine­ma, fican­do assim lan­ça­do o rep­to de qua­li­da­de da pro­gra­ma­ção cine­ma­to­grá­fi­ca defi­ni­da em pro­jec­to.

Ten­do noção que este ciclo será, de algu­ma for­ma, iti­ne­ran­te, rea­li­za­rá as suas ses­sões tan­to no Polo II da Uni­ver­si­da­de de Coim­bra, como no Polo III. Esta iti­ne­rân­cia é fun­da­men­tal para levar asso­ci­a­ções cul­tu­rais como a nos­sa, refém de con­di­ci­o­na­lis­mo geo­grá­fi­cos, a toda a comu­ni­da­de estu­dan­til. Ten­tá­mos equi­li­brar aqui­lo que defi­ni­mos como essen­ci­al mos­trar, com a noção da sen­si­bi­li­da­de artís­ti­ca exis­ten­te e pro­e­mi­nen­te nes­ses polos de estu­do. Des­ta fei­ta, con­se­gui­re­mos tam­bém levar estu­dan­tes de outros polos ou ins­ti­tu­tos a estas zonas aca­dé­mi­cas tão pou­co explo­ra­da no pla­no das acti­vi­da­des cul­tu­rais
fora do âmbi­to do que ali se leci­o­na. Ape­sar de não esque­cer­mos que o esco­po da mai­o­ria dos estu­dan­tes seja a sua for­ma­ção aca­dé­mi­ca, rei­te­ra­mos a neces­si­da­de cons­tan­te de o apro­xi­mar às mais vari­a­das expe­ri­ên­ci­as artís­ti­cas. Sen­do o cine­ma uma ‘arte nova’, den­tro da his­tó­ria geral da arte, tor­nar-se-á mais aces­sí­vel para aque­les que pre­ten­dem a colo­car as noções de esté­ti­ca e bele­za (isto de uma for­ma super­fi­ci­al ao comum ciné­fi­lo) à luz de con­cei­tos revis­tos da arte e do cine­ma. ‘Temo­res II’, será então a pos­si­bi­li­da­de de todos assis­ti­rem a uma mos­tra inter­na­ci­o­nal de cine­ma de hor­ror, dis­tin­ta des­de logo pela sua pro­gra­ma­ção.

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PROGRAMAÇÃO

TAXIDERMIA– 2006 – 91’
Este fil­me acom­pa­nha três gera­ções de homens de uma mes­ma famí­lia hún­ga­ra. Três seres apar­te, cada um deles com uma estra­nha rela­ção com o seu pró­prio cor­po. Ven­del Moros­go­ványi é um mili­tar de bai­xa paten­te que exte­ri­o­ri­za as suas neces­si­da­des sexu­ais da melhor (e mais ori­gi­nal) for­ma que pode, viven­do numa ansi­e­da­de obses­si­va na quin­ta do
seu supe­ri­or. O seu filho, Kál­mán Bala­tony ren­deu a sua com­pul­são por comi­da em con­cur­sos inter­na­ci­o­nais. Do seu casa­men­to com Gizi Aczél, tam­bém ela uma cam­peã de comi­da, nas­ce Lajos, um escan­ze­la­do taxi­der­mis­ta, con­de­na­do a cui­dar o seu pai imó­vel e dos seus três gatos.

LES YEUX SANS VISAGE – 1960 – 88’
Nos arre­do­res de Paris, Dr. Génes­si­er é um cirur­gião bri­lhan­te e famo­so que se sen­te tre­men­da­men­te  res­pon­sá­vel pelo ter­rí­vel aci­den­te de car­ro onde a sua filha, Chris­ti­a­ne, saiu des­fi­gu­ra­da. Aju­da­do pela sua assis­ten­te, Loui­se, o cirur­gião rap­ta jovens mulhe­res para remo­ver-lhes o ros­to e enxer­tar na cabe­ça da sua ama­da filha, que usa uma mas­ca­ra mol­da­da à cara onde a úni­ca for­ma de comu­ni­car é atra­vés dos olhos que pra­ti­ca­men­te não pis­cam. As jovens mulhe­res aca­bam por mor­rer, não obs­tan­te do falhar do seu pro­jec­to. No entan­to, Dr. Génes­si­er está lon­ge de cru­zar os bra­ços, cus­te as vidas que cus­tar.

Kimyô na sâka­su – 2005 – 108’
“Kimyô na Sâka­su” (“Estra­nho Cir­co”) é um fil­me per­tur­ba­dor, doen­tio, bizar­ro, mas tam­bém abso­lu­ta­men­te ori­gi­nal de Shi­on Sono. As atu­a­ções, a dire­ção e a foto­gra­fia são mag­ní­fi­cas e o rotei­ro ousa­do é impre­vi­sí­vel, tem mui­tos pon­tos de vira­gem no seu argu­men­to, sen­do por vezes incon­clu­si­vo. O dire­tor de esco­la abu­sa sexu­al­men­te de sua filha, Mit­su­ko, após esta o ter sur­pre­en­di­do a fazer sexo com sua mãe. Sayu­ri, a mãe, por sua vez, tes­te­mu­nha o abu­so e pas­sa a sen­tir ciú­mes de sua filha. O pro­ta­go­nis­ta ago­ra pas­sa a ter rela­ções com ambas, enquan­to a famí­lia se vai dete­ri­o­ran­do pelo inces­to, sui­cí­dio e homi­cí­dio.

Ti pia­ce Hit­ch­cock? – 2005 – 93’
Numa visi­ta ao vide­o­clu­be de seu bair­ro, Giu­lio ouve uma con­ver­sa entre duas mulhe­res, Sasha e Fede­ri­ca. Apa­ren­te­men­te, elas con­ver­sam sobre o fil­me Pac­to Sinis­tro (1951), de Alfred Hit­ch­cock. Giu­lio não se per­ce­be que as duas se sedu­zem e tro­cam núme­ros de tele­fo­ne. Ao che­gar em casa, ele des­co­bre que Sasha mora num apar­ta­men­to do outro lado da
rua e tes­te­mu­nha uma dis­cus­são entre esta e a sua mãe. No dia seguin­te, a mãe de Sasha é encon­tra­da mor­ta. Giu­lio acre­di­ta ter des­co­ber­to uma cons­pi­ra­ção e ini­cia uma inves­ti­ga­ção que irá dei­xá-lo à bei­ra da lou­cu­ra.

CARRIE – 1976 – 98’
Car­rie é um fil­me nor­te-ame­ri­ca­no de ter­ror, lan­ça­do em 1976 e diri­gi­do por Bri­an De Pal­ma. É base­a­do no roman­ce homó­ni­mo de Stephen King. Car­ry Whi­te uma jovem que não faz ami­gos em vir­tu­de de morar em qua­se total iso­la­men­to com a sua mãe, que é uma pre­ga­do­ra reli­gi­o­sa que se tor­na cada vez mais tres­lou­ca­da. Car­rie sem­pre foi menos­pre­za­da
pelos seus cole­gas, sem dar a opor­tu­ni­da­de a nin­guém de saber os pode­res para­nor­mais que a jovem pos­sui e mui­to menos de sua capa­ci­da­de vin­gan­ça quan­do fica reple­ta de ódio.

Akma­reul boat­da – 2010 – 141’
Numa noi­te de neve, a sua mais recen­te víti­ma é a atra­en­te Ju-Yeon, filha de um che­fe da polí­cia refor­ma­do e noi­va de Soo-hyun, um agen­te espe­ci­al de eli­te. Seden­to de vin­gan­ça, Soo-hyun deci­de per­se­guir o assas­si­no mes­mo que ao fazê-lo se tor­ne tam­bém ele um mons­tro. E quan­do final­men­te o con­se­gue apa­nhar, entre­gá-lo às auto­ri­da­des é a últi­ma coi­sa que lhe pas­sa pela cabe­ça. A linha entre o bem e o mal des­va­ne­ce-se nes­te dia­bó­li­co e maqui­a­vé­li­co jogo do gato e do rato.

PEE MAK – 2013 – 115’
A teia do argu­men­to gira em tor­no do casal amo­ro­so e apai­xo­na­do, Mak e Nak, que sem­pre  fize­ram de tudo para esta­rem um ao lado do outro enfren­ta­do quais­quer obs­tá­cu­los de for­ma sur­pre­en­den­te. Mak é mui­to ingé­nuo e cân­di­do, dan­do ori­gem ao fil­me a momen­tos cómi­cos, prin­ci­pal­men­te quan­to à sua per­cep­ção do mun­do para­nor­mal. Já Nak é uma
mulher lin­da e com um ar mis­te­ri­o­so, reser­van­do com o seu ros­to todos os segre­dos.

LOS OJOS DE JULIA – 2010 — 118’ 
Júlia, uma mulher que sofre de uma doen­ça dege­ne­ra­ti­va nos olhos. Esta encon­tra a sua irmã gémea Sara, que se encon­tra­va cega devi­do ao mes­mo pro­ble­ma de saú­de, enfor­ca­da na cave da sua casa. Ape­sar de tudo apon­tar para que se tra­te de sui­cí­dio, Júlia deci­de inves­ti­gar o que lhe pare­ce intui­ti­va­men­te ter sido um homi­cí­dio, pene­tran­do num mun­do
obs­cu­ro que pare­ce escon­der uma mis­te­ri­o­sa pre­sen­ça. À medi­da que Júlia come­ça a des­ven­dar a ter­rí­vel ver­da­de acer­ca da mor­te da irmã, a sua visão vai-se dete­ri­o­ran­do, até que uma série de mor­tes e desa­pa­re­ci­men­tos inex­pli­cá­veis se cru­zam no seu cami­nho…

MARIA – 2014 – 23’
Quan­do a mulher mor­re duran­te o par­to, Arsé­nio recor­re a um ritu­al nefas­to com a espe­ran­ça de ter a filha que não che­gou a conhe­cer.

DÉDALO – 2014 – 10’25’’
Den­tro do Cargueiro/Refinaria Espa­ci­al DÉDALO, Sie­na ten­ta sobre­vi­ver a uma infes­ta­ção de cri­a­tu­ras dia­bó­li­cas. Uma cur­ta-metra­gem com aspi­ra­ção e ins­pi­ra­ção de fic­ção cien­ti­fi­ca e ter­ror.

O BARÃO — 2011 — 105′
A his­tó­ria de um vam­pi­ro mari­al­va que ater­ro­ri­za­va os habi­tan­tes duma região mon­ta­nho­sa. O Barão é um cama­leão emo­ci­o­nal. Tan­to se apre­sen­ta dócil, ou iras­cí­vel, um homem-java­li, “uma pura bes­ta”. Vive um amor apri­si­o­na­do, den­tro e fora de si. Um amor ina­tin­gí­vel. Um ide­al cor­rom­pi­do. Ida­li­na, cri­a­da aris­to­cra­ta pai­ra pelo cas­te­lo…