Arquivo da Categoria: Ciclos de Cinema

Ciclo de Cinema “Paisagens Culturais”

O Centro de Estudos Cinematográficos e o Museu Monográfico de Conimbriga apresentam como programação cultural no âmbito do Dia Internacional dos Museus, este ano sob a diretriz “Museus e Paisagens Culturais”, um Ciclo de Cinema.

Através da “Sétima Arte” procuram-se redescobrir outras paisagens, outras estórias, centradas na cidade de Coimbra. Desde a obra prima “Capas Negras”, onde a fadista Amália Rodrigues revelou o seu talento como atriz, passando também pelas lutas académicas dos anos 1969 em “Futebol de Causas”. “O Rasganço”, “Quinto Império” e “O Arquitecto e a Cidade Velha” são outras das obras que permitirão fazer uma viagem pelo tempo, percorrer momentos históricos, observar panoramas e iconografias diversas, retratadas pelo olhar peculiar de realizadores portugueses.

Entre os dias 17 e 21 de Maio, a partir das 21h30, no Auditório do Museu Monográfico de Conimbriga. A Entrada é Gratuita e limitada a 90 lugares.

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Como complemento a este ciclo de cinema há a possibilidade de se jantar no Restaurante do Museu Monográfico de Conimbriga. A reserva para jantar assegura automaticamente lugar na sala.

Ementa (10 € por pessoa com tudo incluído):
Dia 17: Caldo verde, Churrasquinho de porco preto, Panna-cotta.
Dia 18: Sopa de espinafres, Lombinho recheado com ameixas, Bolo de chocolate com gelado.
Dia 19: Sopa do mar, Salmão confitado, Bolo de ananás com gelado.
Dia 20: Sopa de legumes, Tibornada de bacalhau, Torta de laranja.
Dia 21: Duo de cenoura e couve-flor, Perú recheado com alheira, Tiramisú

Mais informação através do 239 941 177 / conimbriga@dgpc.pt

“Do Livro ao Filme” — Ciclo de Cinema

Assim do livro ao filme não sinto que alguma coisa de fundamental se perdesse para a intenção com que o realizei – como sinto que alguma coisa de novo se criou para lá da arte da imagem em que se transfigura.
— Vergílio Ferreira

Podemos asseverar que o cinema também tem uma função de contar histórias, por muito que por vezes se incorra no erro de ficarmos presos a conceitos meramente técnicos e não estéticos. A adaptação de grandes obras da literatura a um argumento de obra cinematográfica sempre foi um dos objectivos dos nossos maiores realizadores. Apesar de Ingmar Bergman ter sempre afirmado que o Cinema e a Literatura não são convergentes e nada que ver, acreditamos que existem felizes casos que excepcionam esta falsa dicotomia. Caso clássico é o dos filmes do saudoso João César Monteiro, que não se tratando de adaptações, mostra-nos antes uma dança atrevida entre a escrita e a interpretação, fundindo-se e superando-se.

Mostrar cinema tem sido sempre o escopo do Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra, mas acima de tudo trata-se de mostrar e divulgar cultura. Sendo Coimbra um espaço de partilha de informação, de crescimento individual de toda a índole, acreditamos que essa evolução tornar-se-ia lacunosa sem cultura cinematográfica. Cinema é estímulo; e deve manter-se vivo mesmo depois de ser visionado, tendo que “ser falado” como diz João Bérnard da Costa. Não achamos que a obra cinematográfica substitua, de todo, a literária – concordando aqui neste ponto com Bergman -, mas poderá ser um franco estímulo ao curioso, quando uma boa adaptação se trate. É impossível, no nosso ver, assistir a filmes como o ‘Ma Nuit Chez Maud’ sem sentir uma necessidade premente de ir às bibliotecas ler Pascal. O cinema é também este bicho que fica dentro do espectador, que o leva a conhecer em si uma sensibilidade cultural que por vezes lhe era desconhecida. Criticar o artista cinematográfico que se inspira em livros, é o mesmo que criticar o escritor que se inspira em obras cinematográficas ou na própria natureza. O artista consome o envolvente e isso inclui todas as outras manifestações artísticas.

Cartaz Ciclo de Cinema Do Livro ao Filme

Neste ciclo, queremos mostrar cinema que só foi possível graças à existência de uma grande peça literária como inspiração. Iniciamos o nosso percurso com a obra ‘A Princesa de Clèves’ (1678) de Madama La Fayette que inspirou dois grandes realizadores: Manoel de Oliveira, que em 1999 nos mostrou ‘A Carta’ e Cristophe Honoré que em 208 realiza ‘A Bela Junie’. Há aqui uma dupla inspiração que merece ser assistida e discutida, carregados de tensão emocional típicas da linguagem do século XVII, mas rectificada ao mundo contemporâneo da 7ª arte. Em nenhum dos filmes se trata de uma vulgar adaptação da obra escrita (como vários filmes de Hollywood habituaram o cinéfilo), o espectador não irá assistir a um filme histórico, antes a uma total convergência entre a linguagem clássica, que é sempre actual, sendo o cinema o modo desta se expressar.

Passando para o Irão, encontramos a obra do premiado Abbas Kiarostami com o seu ‘Shirin’ (2008) que vem desmentir a existência da dicotomia cinema e literatura. Na verdade, Kiarostami apresenta-nos uma adaptação de poema persa do século XII, mas recusando a história adaptada apreendendo-se antes com o impacto desta. Há um rasgo de catarse no cinema que Kiarostami agarra com a câmara pelas caras das variadas mulheres iranianas e que nega assim tanto o poema como o filme, centrando-se naquele que os capta.

Falar de cultura cinematográfica sem referência a F. W. Murnau é como discutir literatura sem uma breve referência que seja a Goethe. E é essa necessidade que é conseguida saciar com ‘Fausto’ (1926), onde Murnau nos mostra o melhor dos inícios do cinema com o melhor da adaptação da obra ao argumento, em que o Homem desafia Deus, em que o cinema continua a mostrar que irá perdurar.

Se falamos de clássicos, encerramos o ciclo com uma quinta sessão dedicada à cultura norte-americana. Em ‘Boneca de Luxo’, Blake Edwards mostra-nos a obra inspirada no livro de Truman Capote de título homónimo. Edwards marca não só o cinema como gerações de amantes por todo o mundo. Premente é mostrar exemplos em que aquele que leu o livro, consegue ser surpreendido mesmo assim com o desenrolar do argumento adoptado.

Quinta, 3 de Março:
A Bela Junie de Cristophe Honoré, 97′ (2008)

Quinta, 10 de Março:
Carta de Manoel de Oliveira, 107′ (1999).

Quinta, 17 de Março:
Shirin de Abbas Kiarostami, 92′ (2008)

Quinta, 24 de Março:
Fausto de F.W. Murnau, 126′ (1926)

Quinta, 31 de Março:
Boneca de Luxo de Blake Edwards, 115′ (1961)

2º Ciclo de Cinema de Terror Internacional “Temores”

Foi no ano de 2013 que pela primeira vez experimentámos o conceito de ‘Temores’, que levou o espectador a uma viagem tenebrosa pelo cinema de terror internacional. O cinema hoje, maxime a apresentação de obras cinematográficas contemporâneas, tem sido pautado pela desistência paulatina de espectadores e da sua correspondente deslocação às salas de exibição. Hoje vemos muitas vezes salas de projecção com poucos ou nenhuns elementos na audiência. Isso deve-se ao facto de que, presentemente, muitas serem as obras que remetem o seu público à indiferença, a um género de sonolência cinematográfica e inerte. O cinema exibido na maioria das salas hoje em dia acaba por respeitar determinados parâmetros pré-definidos por valores, acreditamos nós, desadequados à sociedade de hoje. O espectador procura algo inovador, que lhe traga sentimentos novos, que desperte em si um desencadear de emoções concatenadas no seu íntimo, através de uma espécie de catarse, neste caso através do medo ou terror. Será, por isso, o terror a linha orientadora da programação deste nosso ciclo, visto já ter sido testado na primeira edição do ‘Temores’, cujo resultado final foi mais que satisfatório. O objectivo é inequívoco: ter um fio condutor profícuo a trazer o espectador às exibições, ao mesmo tempo que o instruímos com uma realidade distinta daquela que está habituado nas salas comerciais. Assim, fizemos uma selecção de cinema de índole nacional e internacional dentro da temática terror, fazendo com que o espectador tenha uma noção do cinema numa perspectiva bem mais ampla e não exclusivamente americana-comercial, reportando-nos ao mesmo tempo a uma temática não destinada a pretensos nichos. As obras programadas foram alvo de excelentes críticas e comentários do público, tendo participado nos mais prestigiados festivais de cinema, ficando assim lançado o repto de qualidade da programação cinematográfica definida em projecto.

Tendo noção que este ciclo será, de alguma forma, itinerante, realizará as suas sessões tanto no Polo II da Universidade de Coimbra, como no Polo III. Esta itinerância é fundamental para levar associações culturais como a nossa, refém de condicionalismo geográficos, a toda a comunidade estudantil. Tentámos equilibrar aquilo que definimos como essencial mostrar, com a noção da sensibilidade artística existente e proeminente nesses polos de estudo. Desta feita, conseguiremos também levar estudantes de outros polos ou institutos a estas zonas académicas tão pouco explorada no plano das actividades culturais
fora do âmbito do que ali se leciona. Apesar de não esquecermos que o escopo da maioria dos estudantes seja a sua formação académica, reiteramos a necessidade constante de o aproximar às mais variadas experiências artísticas. Sendo o cinema uma ‘arte nova’, dentro da história geral da arte, tornar-se-á mais acessível para aqueles que pretendem a colocar as noções de estética e beleza (isto de uma forma superficial ao comum cinéfilo) à luz de conceitos revistos da arte e do cinema. ‘Temores II’, será então a possibilidade de todos assistirem a uma mostra internacional de cinema de horror, distinta desde logo pela sua programação.

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PROGRAMAÇÃO

TAXIDERMIA– 2006 – 91’
Este filme acompanha três gerações de homens de uma mesma família húngara. Três seres aparte, cada um deles com uma estranha relação com o seu próprio corpo. Vendel Morosgoványi é um militar de baixa patente que exterioriza as suas necessidades sexuais da melhor (e mais original) forma que pode, vivendo numa ansiedade obsessiva na quinta do
seu superior. O seu filho, Kálmán Balatony rendeu a sua compulsão por comida em concursos internacionais. Do seu casamento com Gizi Aczél, também ela uma campeã de comida, nasce Lajos, um escanzelado taxidermista, condenado a cuidar o seu pai imóvel e dos seus três gatos.

LES YEUX SANS VISAGE – 1960 – 88’
Nos arredores de Paris, Dr. Génessier é um cirurgião brilhante e famoso que se sente tremendamente  responsável pelo terrível acidente de carro onde a sua filha, Christiane, saiu desfigurada. Ajudado pela sua assistente, Louise, o cirurgião rapta jovens mulheres para remover-lhes o rosto e enxertar na cabeça da sua amada filha, que usa uma mascara moldada à cara onde a única forma de comunicar é através dos olhos que praticamente não piscam. As jovens mulheres acabam por morrer, não obstante do falhar do seu projecto. No entanto, Dr. Génessier está longe de cruzar os braços, custe as vidas que custar.

Kimyô na sâkasu – 2005 – 108’
“Kimyô na Sâkasu” (“Estranho Circo”) é um filme perturbador, doentio, bizarro, mas também absolutamente original de Shion Sono. As atuações, a direção e a fotografia são magníficas e o roteiro ousado é imprevisível, tem muitos pontos de viragem no seu argumento, sendo por vezes inconclusivo. O diretor de escola abusa sexualmente de sua filha, Mitsuko, após esta o ter surpreendido a fazer sexo com sua mãe. Sayuri, a mãe, por sua vez, testemunha o abuso e passa a sentir ciúmes de sua filha. O protagonista agora passa a ter relações com ambas, enquanto a família se vai deteriorando pelo incesto, suicídio e homicídio.

Ti piace Hitchcock? – 2005 – 93’
Numa visita ao videoclube de seu bairro, Giulio ouve uma conversa entre duas mulheres, Sasha e Federica. Aparentemente, elas conversam sobre o filme Pacto Sinistro (1951), de Alfred Hitchcock. Giulio não se percebe que as duas se seduzem e trocam números de telefone. Ao chegar em casa, ele descobre que Sasha mora num apartamento do outro lado da
rua e testemunha uma discussão entre esta e a sua mãe. No dia seguinte, a mãe de Sasha é encontrada morta. Giulio acredita ter descoberto uma conspiração e inicia uma investigação que irá deixá-lo à beira da loucura.

CARRIE – 1976 – 98’
Carrie é um filme norte-americano de terror, lançado em 1976 e dirigido por Brian De Palma. É baseado no romance homónimo de Stephen King. Carry White uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com a sua mãe, que é uma pregadora religiosa que se torna cada vez mais tresloucada. Carrie sempre foi menosprezada
pelos seus colegas, sem dar a oportunidade a ninguém de saber os poderes paranormais que a jovem possui e muito menos de sua capacidade vingança quando fica repleta de ódio.

Akmareul boatda – 2010 – 141’
Numa noite de neve, a sua mais recente vítima é a atraente Ju-Yeon, filha de um chefe da polícia reformado e noiva de Soo-hyun, um agente especial de elite. Sedento de vingança, Soo-hyun decide perseguir o assassino mesmo que ao fazê-lo se torne também ele um monstro. E quando finalmente o consegue apanhar, entregá-lo às autoridades é a última coisa que lhe passa pela cabeça. A linha entre o bem e o mal desvanece-se neste diabólico e maquiavélico jogo do gato e do rato.

PEE MAK – 2013 – 115’
A teia do argumento gira em torno do casal amoroso e apaixonado, Mak e Nak, que sempre  fizeram de tudo para estarem um ao lado do outro enfrentado quaisquer obstáculos de forma surpreendente. Mak é muito ingénuo e cândido, dando origem ao filme a momentos cómicos, principalmente quanto à sua percepção do mundo paranormal. Já Nak é uma
mulher linda e com um ar misterioso, reservando com o seu rosto todos os segredos.

LOS OJOS DE JULIA – 2010 – 118’ 
Júlia, uma mulher que sofre de uma doença degenerativa nos olhos. Esta encontra a sua irmã gémea Sara, que se encontrava cega devido ao mesmo problema de saúde, enforcada na cave da sua casa. Apesar de tudo apontar para que se trate de suicídio, Júlia decide investigar o que lhe parece intuitivamente ter sido um homicídio, penetrando num mundo
obscuro que parece esconder uma misteriosa presença. À medida que Júlia começa a desvendar a terrível verdade acerca da morte da irmã, a sua visão vai-se deteriorando, até que uma série de mortes e desaparecimentos inexplicáveis se cruzam no seu caminho…

MARIA – 2014 – 23’
Quando a mulher morre durante o parto, Arsénio recorre a um ritual nefasto com a esperança de ter a filha que não chegou a conhecer.

DÉDALO – 2014 – 10’25’’
Dentro do Cargueiro/Refinaria Espacial DÉDALO, Siena tenta sobreviver a uma infestação de criaturas diabólicas. Uma curta-metragem com aspiração e inspiração de ficção cientifica e terror.

O BARÃO – 2011 – 105′
A história de um vampiro marialva que aterrorizava os habitantes duma região montanhosa. O Barão é um camaleão emocional. Tanto se apresenta dócil, ou irascível, um homem-javali, “uma pura besta”. Vive um amor aprisionado, dentro e fora de si. Um amor inatingível. Um ideal corrompido. Idalina, criada aristocrata paira pelo castelo…

Mostra de filmes do Projeto Cinema no Interior

No dia 26 de junho no Centro Cultural Dom Dinis às 21 horas e trinta minutos tem lugar uma Mostra de Filmes do Projecto Cinema no Interior.

Este Projeto é desenvolvido há 10 anos com comunidades do interior do Brasil (produções por quase todos os estados do nordeste brasileiro – Alagoas, Sergipe, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão), pequenas amostras da cultura e diversidade dessa região, e também de outros países da América Latina. O objetivo do trabalho é o de pesquisar, registrar e difundir as riquezas culturais, históricas e ambientais interioranas, tendo a própria população local como os principais pesquisadores, produtores, protagonistas e platéia inicial.

Para conhecimento deste projeto em pormenor:
http://www.cinemanointerior.com.br

Nesta sessão serão apresentados os filmes:

Manchik” de Marcos Carvalho (ficção, Venezuela/RO, 2014, 17 min) | Sinopse: Uma linda história dos índios Pemon contada de geração em geração.

Paraíso Selvagem” (18 min) | Sinopse: Um fotógrafo em busca de si mesmo vive uma aventura cheia de mistérios e reflexões num dos mais intrigantes santuários ecológicos dos sertões.

Infinito de nós dois” (15 min) | Sinopse: Tristão e Isolda, dois jovens apaixonados que parecem viver mais uma historia de amor. No entanto, aquilo que poderia ser considerado apenas como mais do mesmo, revela-se uma trama onde o embate entre o amor e interesses marca infinitamente a vida dos dois.

No final será realizada a apresentação do Projeto Cinema no Interior pelo coordenador Marcos Carvalho acompanhado da pesquisadora e consultora Ana Carolina Borges e o professor de fotografia Álvaro Severo. Esta sessão contará ainda com a participação de Fernando Carneiro do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

A Academia, o Estudante e a sua Irreverência

cDe 1 de Abril a 6 de Maio, o Centro de Estudos Cinematográficos irá exibir  diversas obras cinematográficas contemporâneas que melhor retratam os estudantes e a sua irreverência, inserido no Programa Cultural da Queima das Fitas 2014.

O movimento estudantil sempre foi pautado pela irreverência, boicotes e manifestações.
A agitação social da década de 60, as sucessivas crises nas universidades portuguesas marcaram o rumo do País e despoletaram o ativismo juvenil e a sua politização.
O objectivo deste Ciclo de Cinema é claro, revisitar algumas lutas marcantes por parte dos estudantes, a introdução da mulher do mundo académico, a agitação estudantil de Maio de 68, em Paris, os anos de convulsão estudantil 1962 e 69, em Coimbra e até às lutas contra o conformismo da instituição escolar. Assim, ao longo de cinco semanas iremos assistir a obras cinematográficas contemporâneas e assinalar os 45 anos do 17 de Abril de 1969, dia em que o Presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra, Alberto Martins, foi impedido de usar da palavra.

Programação:

Abertura do ciclo com um dos filmes contemporâneos que apresenta mais referências cinematográficas clássicas quanto a lutas e revoltas culturais. Mas não são umas lutais quaisquer: são protagonizadas por estudantes, pela camada mais jovem da sociedade europeia e sedosa por abrir os horizontes académicos, rebentando com os valores tradicionais enraizados na nossa sociedade. Uma aprendizagem entre os conhecimentos europeus e americanos, numa conversa aberta entre cultura e revolução encetada pelos estudantes.

dreamers1 de Abril – Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci
Título Original: The Dreamers
Realização: Bernardo Bertolucci
Argumento: Gilbert Adair
Elenco: Michael Pitt, Eva Green, Louis Garrel
Duração: 114’
Ano: 2003
Sinopse: Os tumultos políticos ocorridos em Paris em Maio de 68 são o cenário onde decorre a história de três jovens cineastas. Matthew, um jovem americano que vai estudar para Paris, torna-se amigo de Theo e Isabelle, dois irmãos franceses que partilham o mesmo gosto pelo cinema.
Ao mesmo tempo que estala a agitação estudantil de Maio de 68, os três amigos desenvolvem uma relação diferente de tudo o que Matthew alguma vez tinha experimentado…
Pensa-se que a maioria dos jovens adultos que estudam no ensino superior são alheios ao que se passa à sua volta. Em ‘The Edukators’ comprova-se que é a partir da classe estudantil que os ideais se começam a formar, onde o diálogo político começa a surgir e a luta pelos desígnios começa.

260x365_519ebb567461d8 de Abril – Os edukadores de Hans Weingartner
Título Original: Die fetten Jahre sind vorbei
Realização: Hans Weingartner
Argumento: Hans Weingartner, Katharina Held
Elenco: Burghart Klaußner, Daniel Brühl, Julia Jentsch, Laura Schmidt, Oliver Bröcker, Peer Martiny, Petra Zieser, Sebastian Butz, Stipe Erceg
Produção: Antonin Svoboda, Hans Weingartner
Duração: 126’
Ano: 2004
Sinopse: Jan (Daniel Brühl, de Adeus Lênin!), Peter (Stipe Erceg) e Jule (Julia Jentsch) são três amigos inseparáveis. Jan e Peter dividem o mesmo apartamento e uma militância política bastante original. Acreditando que é indispensável assumir alguma atitude para mudar o mundo, os dois rapazes fazem bem mais do que participar de todas as passeatas antiglobalização do calendário. Clandestinamente, invadem mansões vazias, mudam de lugar todos os móveis e deixam atrás um misterioso bilhete: “Seus dias de abundância estão contados”, assinando-o como “Os Edukadores”. Paralelamente, Jule encara privações financeiras desde que bateu seu carro no Mercedes de um ricaço, o empresário Hardenberg (Burghart Klaußner), e foi condenada a ressarci-lo pelo caríssimo conserto, o que ela considera uma tremenda injustiça.

Baseado no famoso conto da Princesa de Cléves, que também Manoel de Oliveira se terá influenciado em ‘A Carta’, esta é uma das obras mais singulares de Honoré. Desta vez, mostra-nos o ambiente estudantil de dentro, desde a classe profissional dos professores e a sua influência apaixonante no contexto estudantil. Uma obra poética, de influência quase onírica, de recusa e cedência a conceitos tão básicos como o amor.

MV5BMTY2MTM0MjMxNF5BMl5BanBnXkFtZTcwOTU0MTAxMw@@._V1_SY317_CR4,0,214,317_22 de Abril – A Bela Junie de Christophe Honoré
Título Original: La belle personne
Realizador: Christophe Honoré
Duração: 90’
Ano: 2009
Sinopse: Junie (Léa Seydoux) é uma garota de 16 anos que se mudou após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma turma que seu primo Matthias (Esteban Carvajal-Alegria), que a apresenta aos demais colegas. Todos os garotos logo desejam sair com June, mas ela escolhe o mais calado de todos, Otto Clèves (Grégoire Leprince-Ringuet). Porém logo Junie descobre o grande amor de sua vida: Nemours (Louis Garrel), seu professor de italiano.

 

O futebol representou um importante papel num dos poucos gritos de revolta que conseguiram escapar ao lápis azul da censura.
O movimento estudantil e crises académicas pelo ponto de vista dos jogadores da Académica e a forma como estes contribuíram e se envolveram na luta enquanto estudantes e Homens. Assim, os principais destaques da narrativa são os anos de convulsão estudantil 1962 e 69, os quais se complementam com o episódio de 1974, em que, como consequência da revolução de 25 de Abril e os seus valores condutores, a Secção de Futebol da AAC é extinta.

futebol causas24 de Abril – Futebol de Causas de Ricardo Antunes Martins + Master Session: ‘A representação das Crises Académicas no Cinema’
Realização: Ricardo Antunes Martins
Produtor: António Ferreira e Tathiani Sacilotto
Direcção de Fotografia: Lee Fuzeta
Música Original: Luís Pedro Madeira
Produção Executiva: António Ferreira
Chefe de produção: Inês Prazeres
Montagem: Lee Fuzeta
Produtora: PERSONA NON GRATA
Ano: 2009
Origem: Portugal
Sinopse: O regime ditatorial vigente em Portugal, estendeu-se durante grande parte do século XX. Coimbra, como grande pólo universitário, viveu momentos de grande tensão e inconformismo, nos quais o seu movimento académico de grande mobilização e agitação, acabaram por desencadear e espoletar socialmente o espírito da necessidade colectiva de fazer cair o regime. Um dos principais meios de divulgação e propaganda dos estudantes e dos ideais revolucionários e reivindicativos académicos residiu na sua equipa de futebol, a Associação Académica de Coimbra, como forma de fazer chegar a mensagem e consciencializar o maior número de pessoas. A Académica transformou-se numa bandeira viva da luta estudantil e deu voz ao acordar de um povo, sendo o seu ‘toque a reunir’. Foi de resto com o luto académico, em plena ‘crise de 69’, que se viveu o ponto mais alto da posição de força estudantil com a presença da Académica na final da Taça de Portugal, na qual os jogadores, também eles estudantes e parte activa na militância da causa estudantil, aderiram ao projecto, tornando aquela final no Estádio Nacional no maior comício de sempre contra o regime. Este documentário pretende mostrar o movimento estudantil e crises académicas pelo ponto de vista dos jogadores da Académica e a forma como estes contribuíram e se envolveram na luta enquanto estudantes e Homens. As figuras centrais do documentário serão concomitantemente os dirigentes estudantis e os jogadores da década de 60, directamente envolvidos no processo.

E se as lutas académicas também se passarem dentro de nós? Este é um filme que nos mostra primordialmente dois pilares de luta: a introdução da mulher do mundo académico, ao mesmo tempo do seu fascínio pela sua liberdade de um mundo à sua espera. Estamos nos anos 1960s, onde a nossa protagonista faz tudo para conseguir entrar em Oxford. Mas depois, o que será mais importante: a vida académica per se, ou a vida cultural como um todo?

MV5BMTg4NjgzOTc0MF5BMl5BanBnXkFtZTcwOTc2OTE3Mg@@._V1_SX214_29 de Abril – Educação de Lone Scherfig
Título Original: Na Education
Realizador: Lone Scherfig
Argumento: Lynn Barber
Interpretação: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Alfred Molina
Duração: 100’
Ano: 2009
Sinopse: Jenny (Carey Mulligan), uma estudante brilhante que tem pressa de viver a vida adulta, conhece David (Peter Sarsgaard), um homem elegante e mais velho. Ele a convida para conhecer o seu mundo vibrante, cheio de amigos de alta classe, clube de jazz, e leva Jenny a descobrir a própria sexualidade. Será que ela vai deixar esse romance atrapalhar os seus planos de estudar em Oxford, confirmando o receio de sua orientadora (Emma Thompson)? Um filme cativante graças à inteligência ao charme e ao estilo da Inglaterra na década de 1960.

O Ciclo encerra com um dos filmes mais paradigmáticos da década de 80, criando um enorme consenso à sua volta. Um professor de literatura luta contra o conformismo da instituição escolar e pelo interesse dos seus alunos.
“Oh, Captain, my Captain”. São estas as primeiras palavras de Keating os seus alunos. Keating entra na primeira aula a assobiar e leva os alunos até o corredor onde diz essas palavras inaugurais. Ele tem uma abordagem directa, sem rodeios. Logo de início, apresenta o essencial da sua mensagem: “Carpe diem. Aproveitem o dia”.

260x365_519ebdc8a462c6 de Maio – Clube dos Poetas Mortos de Peter Weir
Título original: Dead Poets Society
Realizador: Peter Weir.
Produtores: Steven Haft, Paul Junger e Tony Thomas.
Produção: Touchstone pictures, Silver Screen Partners IV, Witt-Thomas Production.
Argumento: Tom Shulman
Interpretação: Ethan Hawke, Robert Sean Leonard e Robin Williams
Ano: 1989
Origem: Estados Unidos da América
Duração: 128’
Sinopse: Quando John Keating é admitido como novo professor de Inglês num prestigiado e conservador colégio interno norte-americano, na década de 50, os seus métodos de ensino pouco convencionais irão revolucionar as tradicionais práticas curriculares. Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias. Mas o suicídio de um dos alunos, membro do “clube” que organizaram em colaboração com o professor Keating, vai abalar o “clube” e os seus membros e obrigar à identificação dos culpados. Keating é expulso da escola…